segunda-feira, 6 de julho de 2009

O Little Brother: a vigilância ineficaz

No livro 1984, Orwell nos amedronta com o telão que nos persegue em todos os cantos, divulgando as mensagens do partido e, ao mesmo tempo, vigiando-nos. E basta uma esgar, mesmo involuntário, para que os acólitos dos O’Brian governamentais persigam a população, desaparecendo com os mais “perigosos”.

Em nosso mundo real, de 2009, as câmeras não trazem a propaganda do partido, mas vigiam. E são úteis, na medida em que identificam autores de crimes, elucidam comportamentos criminosos, etc. Neste ponto, uma crítica: em plena época de alta tecnologia, ainda há aqueles que gravam as imagens “em casa”, em vez de transmiti-los para arquivamento on-line longo dali. O resultado é que os ladrões evitam a identificação roubando também o micro que os gravou. Mas é uma questão de tempo, isto se aperfeiçoará.

Do outro lado, há câmeras totalmente ineficazes. Ou quase, se considerarmos que para alguma coisa servem (sabe-se lá que coisa!). Como exemplo, as câmeras das estradas paulista. Existem em profusão, e acompanham praticamente todos os trechos entre São Paulo e Campinas, por exemplo. Mas bastam quinze minutos de passeio nessas estradas para que deparemos com motoristas, de carros, caminhões e ônibus, sem falar das SUV, fazendo mil e uma barbaridades, mesmo sob as câmeras. Quer dizer, alguém vê, mas ninguém pune. Estas câmeras devem ser o Little Brother, pois não agem nunca.

Chegando a São Paulo, onde as câmeras proliferam para acompanhar os problemas de trânsito, parece que as agressões às regras recrudescem. Ultrapassagens pelo lado direito, trânsito pelo acostamento, altas velocidades, mudanças repetidas de pista (costuras) são o que há de mais comum. E, se as câmeras tivessem alguma serventia para melhorar as estatísticas de trânsito, isto não aconteceria.

Aliás, culpo as câmeras por pura preguiça. Nesta semana, um SUV, em alta velocidade, ultrapassou vários carros pela pista da direita, bem em frente a uma viatura da polícia rodoviária, que não fez absolutamente nada.Se não faz nada ao vivo, fará alguma coisa em frente a um monitor? Duvido.

Mas câmeras e gravações lá estão, basta um pouco de vontade para identificar quem são esses transgressores. Mas parece que vontade não está disponível no almoxarifado: há um vídeo no Youtube, com um Porsche em alta velocidade pela via Anhanguera, chegando a quase 200 km/h, em cenas que também devem ter sido captadas pela empresa concessionária. Mas nada aconteceu com o jovem infrator.

E depois se assombram com tantos acidentes em nossas ruas e estradas…

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