sexta-feira, 1 de maio de 2009

Pela culatra: as batalhas que escolhemos

Enquanto nossos representantes políticos se debatem contra a reação negativa às suas farras com passagens aéreas (denunciadas pela imprensa, o único “poder” vigilante), juízes proíbem uma tal de “Marcha da Maconha” em algumas cidades brasileiras.

Marcha da Maconha”, é isso mesmo, não há erro nem brincadeira. Pessoas estão se mobilizando em quantidade suficiente para mobilizar uma marcha perla descriminalização da maconha, mas não se mobilizam contra os desmandos da democracia.

Se bem que, bem analisada a situação, acho que uma droga ilícita é mesmo motivo de mobilização maior que o futuro do país. Com predomínio das novelas na televisão, e de programas de pegadinhas, ninguém se revoltou quando, no final de semana, já com amplas manchetes pelo mundo e por Pindorama sobre a Influenza Porcina, nenhum representante de nenhum órgão do governo se mobilizou para sequer adotar uma ação educativa em relação aos que do México aqui desembarcavam. Fato destacado por passageiros entrevistados pela Band News, e que gerou a merecida bronca do Ricardo Boechat.

É uma ameaça real e presente, mas ninguém se revoltou com o fato. Até que aconteça o pior, o que, sinceramente, esperamos que não ocorra. mas claro, ninguém poderia mesmo se revoltar, pois às quintas todos já se vão para suas casas, de Brasília aos estados de origem, pois ser da corte é cansativo. Assim, ninguém se rebela contra a semana reduzida de nossos representantes, que somente dão expediente das terças às quintas.

Ninguém se revolta com a fila nos hospitais, ninguém se revolta que não haja mesmo hospitais em número suficiente. Ninguém se mobiliza para exigir qualidade de ensino, mesmo depois de apresentados os resultados do ENEM. Ninguém faz o mínimo movimento para exigir o transporte público de qualidade, ou mesmo a simples obediência às regras de trânsito, seja pelos motoristas, seja pelos governos, para quem o Código de Trânsito representa somente aumento de arrecadação via multas.

Mas a maconha sensibiliza em quantidade suficiente para haver pedidos ao judiciário, para reverter proibições das manifestações. Sim, como os BBBs da Globo, a droga é mobiliza a sociedade. Desta vez, uma droga real, física, não uma droga de idéia, de programação.

Não, não sou contra a manifestação. Sou contra a falta de prioridades que nos carrega, qual onda, aos (des)interesses de uma sociedade ainda por se firmar. Acho que precisamos de mais Quixotes, de mais loucos lutando contra os inabaláveis moinhos de vento.

A sociedade não existe, existe somente um agrupamento de pessoas. O homem vive solitário na multidão. Mas, da forma mais piegas possível, acredito em nossa possibilidade. Venceremos. Mas precisamos querer vencer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário