sexta-feira, 1 de maio de 2009

Liderança não é para qualquer um

Quando Rudy Giuliani assumiu a prefeitura de Nova Iorque, assumiu também uma postura dura contra o crime, qualquer que fosse seu tamanho: o da tolerância zero. Centrada nos crimes e delitos menores, a filosofia tinha como objetivo inculcar a mentalidade de “fazer a coisa certa”, que, mesmo a partir de crimes pequenos, se estenderia aos crimes de maior poder ofensivo, em médio e longo prazos. Resultado: os homicídios chegaram a ter redução de 65% naquela cidade, o que tornou seu programa exemplar no mundo.

Quando Luís Inácio Lula da Silva critica os que criticam a farra das passagens, vai na contramão dos interesses públicos. Permite concluir que os delitos menores e os atos amorais e imorais devem ser perdoados porque há mais com que se preocupar.

Sim, há, senhor presidente. Mas quem está preocupado e agindo? Não o governo.

Que vem a público defender os aloprados, que protege quem viola o sigilo bancário de caseiros, quem pratica caixa dois, não é um líder de fato, mas um político preso às normas da corte.

A liderança não é gratuita, mas parece que no caso de nosso presidente ela se dá somente pelo fato de ser um ex-pobre, que deixa o legado das bolsas: bolsa-família, bolsa-dá-dois-pau-prá-eu, bolsa-land-rover, bolsa-presidência-do-senado.

Quem tem os níveis de popularidade que tem Lula tem poder para muito, mas é preciso querer. Lula poderia realmente mudar a cara do Brasil, utilizando sua enorme popularidade e seu cacife perante as casas dos poderes para estabelecer medidas moralmente defensáveis. Sua atitude estupra-mas-não-mata desmente aquele político que, em plena luta para mudar o Brasil , declarou em alto e bom som que no congresso havia 300 picaretas.

O poder das picaretas, parece, é enorme. Já não são picaretas, mas pobres mortais que têm o direito de levar suas esposas para passear em Brasília (e outras cidades pelo Brasil e mundo afora), coitadinhos, tão necessitados. E aqueles que não conseguem, por falta de dinheiro, acompanhar o enterro de pessoas queridas, ou mesmo o prazer da companhia de familiares, deviam pensar duas vezes e concorrer a um cargo na corte. E o bolsa-milhagem, chamada de Programa de Pilhagem pelo José Simão, estender-se-ia para outros pobres necessitados.

Mas, ora, nesta terra de Macunaíma, onde todos são iguais, mas uns são mais iguais que os outros, é mais fácil entender o cidadão-metamorfose-ambulante. Mudam somente as moscas…

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