terça-feira, 21 de abril de 2009

Pau que nasce torto

Acabo de passar por um treinamento que me mostrou como dependi da sorte nos últimos anos.

Ok, não é bem assim. Mas é um daqueles que nos mostram como podemos ser mais eficientes com o domínio de algumas técnicas, isto em qualquer área de nossas vidas.

Passei por um processo de mudança muito grande logo que decidi abandonar minha carreira de tecnocrata. Ainda na empresa, fui conhecer um pouco das coisas que me levaram a pular do barco. Dentre muitas (li livros sobre ética, comportamentos, valores, filosofia, ontologia, etc.), um deles fez a diferenças. Já citado nesta espaço várias vezes, é Os Sete Hábitos de Pessoas Muito Eficientes, de Stephen Covey. (Muito eficientes ou eficazes, conforme a edição. No original é The Seven Habits of Highly Effective People. E “effective” não tem uma tradução muito clara.

Pelo título, mais um livro. Mais um daqueles que poderíamos deixar de ler. E, se menciono isto, é por causa de um outro, de Og Mandino, de muito sucesso nos anos 70, O Maior Vendedor do Mundo. Quem é que quer ser vendedor? Quem compraria um livro desses, a não ser um candidato a Sílvio Santos?

Update em 30:04: sobre este livro, melhor análise aqui.

Pois bem, o ponto de convergência dos livros, e do treinamento, é o cunho moral. Em vez de abordar técnicas robotizadas de como fazer, como agir, como convencer, o livro nos traz punhaladas morais. Faz-nos pensar em quem somos, quais nossos valores, o que queremos ser. “Os Sete hábitos” tem sido meu livro de cabeceira desde então, como um mapa dos compromissos que tenho comigo mesmo.

O treinamento, por seu turno, apresenta as técnicas e treinamentos para sermos eficientes, e nos convida a praticar. Mas traz um discurso tão embasado em valores que acaba sendo abrangente o suficiente para ser completo. E, em cada um de seus pontos, chaves ou não, a mensagem subliminar é a seguinte: seja você mesmo, não afronte seus valores. E nos mostra como esses valores podemos nos ajudar por esse mundo cão.

E, quando tudo parece encerrado, a mensagem final é dirigida aos nossos valores, aqueles que fazem a diferença: auxiliar os outros, ser gentil, cultivar bons pensamentos, cultivar bons hábitos. Não é, sem dúvida, uma mensagem que faça parte dos programas normais. É uma mensagem que, se não transmitida, não gera adesão, não gera vontade. É gratuita, mas tem suas consequências. Tem sua força no momento, mas poderia ser facilmente esquecida, como uma notícia boa ou ruim. Não será, se não quisermos.

Assim, mais que fazer a apologia do sentido comercial, prefiro chamar a atenção para nossas mensagens. Em que grau temos tido a responsabilidade de partilhar nossos valores? Em que medida deixamos que nossos valores sejam permeáveis a melhorias? Em que sentido nos sentimos completos a ponto de acharmos que não precisamos melhorar?

Não somos pau que não nasce e morre torto, a não ser que queiramos. Algumas pessoas não se sentem assim, e não reagem. Algumas pessoas se descobrem assim, e reagem. Outras pessoas, descobrindo-se assim, se recusam mesmo a aceitar que estão assim. Não, não somos assim. Podemos e precisamos melhorar, sempre.

Sinto dizer que poucos, dentre a raça humana, têm essa preocupação. E sinto dizer que menos ainda têm a preocupação de semear esses valores.

Semear no deserto? Sim, eu topo. Se somente uma semente vingar, terá valido a pena. Mas muitas mais vingarão, que eu não desisto facilmente.

A empresa: Yassaka Treinamentos. Meus amigos leitores sabem que não faço propaganda, assim como raramente cito empresas, mesmo em casos de reclamações. Esta merece a exceção.

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