segunda-feira, 20 de abril de 2009

Patinhos feios

O mundo todo acompanhou o conto de fadas de Susan Boyle no Britain´s Got Talent. Mas talvez algumas particularidades da situação tenham ficado encobertas.

Primeiro, ela faz piada da própria situação. É preciso coragem para rir de si mesma, e ela riu. Depois, com a humildade que só a humilhação impõe, colocou-se na posição, até começar a cantar, a que foi obrigada: a de quem tenta vencer a montanha.

No público, expressões de escárnio, incredulidade, gritos silenciosos dizendo “o que você está fazendo aí?”.

Acima do peso, um corte de cabelo que certamente não é o das divas, uma expressão ainda defensiva, ela fez vista grossa à rejeição. E cantou.

Não, dizer que cantou é pouco. Ela tocou a alma de todos. Arrancou sorrisos, lágrimas, arrebatou. Encantou. Era uma fada voando baixo. E transformou o escárnio em aplausos.

A música, irônica, “I dreamed a dream”. Outra ironia, de “Les Miserables”.

O que Susan teve, e que outras pessoas que sofrem o mesmo tipo de pré-julgamento, foi a chance de mostrar a que veio, que é. A barreira foi vencida, mas houve oportunidade para vencê-las. A grande diferença é que as pessoas, fora daquele show, não passam por prévias que as habilitem a ir adiante.

Merecidamente, o show que deve ser visto. E ouvido.

Um comentário:

  1. Outro patinho feio que também apareceu nesse programa e simplesmente arrebentou foi o Paul Pottes, aproximadamente há um ano, cantando Nessun Dorma (http://www.youtube.com/watch?v=iS-F0ZfSEUA).

    Imagine você, um humilde vendedor de celulares cantando ópera!
    Eu me debulhei em lágrimas de tamanha emoção...

    Mais uma bela lição, pra ensinar a muita gente que não se deve julgar um livro apenas pela capa!
    Beijos...

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