segunda-feira, 20 de abril de 2009

EU defino quem sou

Vi um texto no ótimo Estrela de Orion, e não pude deixar de refletir.

Sou divorciado há catorze anos, e isto aprece incomodar muita gente. Mas o que eles deixam transparecer é o seu próprio medo: e se acontecer alguma coisa? Você vai ficar velho e sozinho? Com quem você vai aos restaurantes?

Ora, não é por isso que quero alguém ao meu lado. E nem considero isso um problema, portanto, não estou preocupado com isto.

Mas há problemas. Sim, há muitos, até. Como reagimos a eles é que é a grande diferença.

Stephen Covey nos ensinou (a mim, ao menos) que entre o momento da ação e o da reação, há um intervalo de tempo. Que podemos utilizar para escolher nossas respostas. Pode ser uma resposta positiva, construtiva, ou uma resposta negativa, destrutiva. Auto-destrutiva, até.

E essa resposta é poderosa a ponto de nos permitir que nos reinventemos.

Conheço pessoas de 25 anos para quem estar sozinho é uma bênção. Para outros, é uma desgraça total. Tudo é relativo. Para a bactéria, a penicilina é uma doença. Portanto, calma.

O que pretendemos? Para onde queremos ir? O que somos, e o que queremos ser? Nada disto importa, se quem decide não somos nós. Se quero ser uma pessoa de sucesso porque o mundo assim o exige, não é uma decisão. É uma imposição. Se queremos ser bons oradores, de retórica brilhante, mas só porque meu meio social exige, não é uma decisão. É uma adesão.

Assumir os clichês que a vida nos impõe nos torna reféns dessa imposição. Assim, se você é um político honesto e seus pares o pressionam para aceitar propinas, você está sujeito á influência do meio. E, se você adere, você passa a fazer parte do meio, e parte do problema. Mas se, em vez, você adota uma posição baseada nos valores em que acredita, você passa a ser o comandante do seu destino. Sim, sou honesto, e não me incomodo em não fazer parte dessa panela.

Sem ser determinista, acredito profundamente que a vida coloca as coisas no lugar. Muito ajudada por nós, sem dúvida. Mas a propina recusada hoje, em função dos meus valores, há de ser reposta amanhã, como recompensa, não mais como uma adesão equivocada.

Mas é preciso deixar de fugir, parar, e encarar o problema. Eu posso mais, esta é a verdade. Bater no peito, dar murros em ponta de faca, essa é a coragem. A fuga não nos permite saber quem somos, e nem mesmo nós sabemos quem somos. Mas uma coisa é certa: estou no comando de minha vida.

Certa vez disse algo a um amigo que o magoou profundamente. Algo como “você quer ficar nessa vida para sempre?”. Na zona de conforto, as pessoas se escondem. Para sair da zona de conforto, mostrar o peito ao mundo e atingir suas metas, é preciso acreditar em si mesmo. É avançar sobre seus medos, e convocar a coragem. Pois coragem não é não ter medo. Coragem é enfrentar seus próprios medos.

Um comentário:

  1. Maravilhoso!
    Não existe nada melhor do que ser fiel aos nossos sentimentos, à nossa essência!

    "Quem tem um porquê enfrenta qualquer como." (Viktor Frankl)

    Beijão...

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