quinta-feira, 30 de abril de 2009

O maior vendedor do mundo

Quando li o título, achei que era um daqueles com técnicas requentadas sobre como falar até convencer alguém a comprar seu produto. E, de má vontade, fui passar os olhos pelas páginas.

Era uma estória, sobre um aprendiz que desejava ter sucesso. E, na evolução, as técnicas ensinadas não eram sobre venda, mas sobre crescimento pessoal. Com suas limitações (livro dos anos 60-70), não deixava de ser um livro de auto-ajuda, com o mantra “o fracasso jamais me surpreenderá se minha decisão de vencer for suficientemente forte” o livro de Og Mandino nos propunha a ter atitude mental sempre positiva frente aos muitos obstáculos que a vida nos impõe.

Algo como no excelente texto de Diaféria (A Corrida), que nos impele a não esmorecer, mas seguir.

Og Mandino ainda nos apresentou outros excelentes livros da mesma espécie, como a Universidade do Sucesso e O Maior Segredo do Mundo. Livros que, como defendo sempre, são os indicados para que nos mantenhamos focados nos aspectos positivos, evitando, porém, a alienação possível.

Enquanto lia o livro, via que o título não fazia jus ao conteúdo. Era um condicionamento comportamental e mental, mas que hoje acredito que não venderia se assim fosse apresentado.

Ainda hoje, passados mais de 30 anos de seu lançamento, seu conteúdo continua atual, pois trata de valores, e dos bons valores. E, depois de lê-lo, vale a pena ler o Maior Vendedor do Mundo II, onde a estória se encerra.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Pau que nasce torto

Acabo de passar por um treinamento que me mostrou como dependi da sorte nos últimos anos.

Ok, não é bem assim. Mas é um daqueles que nos mostram como podemos ser mais eficientes com o domínio de algumas técnicas, isto em qualquer área de nossas vidas.

Passei por um processo de mudança muito grande logo que decidi abandonar minha carreira de tecnocrata. Ainda na empresa, fui conhecer um pouco das coisas que me levaram a pular do barco. Dentre muitas (li livros sobre ética, comportamentos, valores, filosofia, ontologia, etc.), um deles fez a diferenças. Já citado nesta espaço várias vezes, é Os Sete Hábitos de Pessoas Muito Eficientes, de Stephen Covey. (Muito eficientes ou eficazes, conforme a edição. No original é The Seven Habits of Highly Effective People. E “effective” não tem uma tradução muito clara.

Pelo título, mais um livro. Mais um daqueles que poderíamos deixar de ler. E, se menciono isto, é por causa de um outro, de Og Mandino, de muito sucesso nos anos 70, O Maior Vendedor do Mundo. Quem é que quer ser vendedor? Quem compraria um livro desses, a não ser um candidato a Sílvio Santos?

Update em 30:04: sobre este livro, melhor análise aqui.

Pois bem, o ponto de convergência dos livros, e do treinamento, é o cunho moral. Em vez de abordar técnicas robotizadas de como fazer, como agir, como convencer, o livro nos traz punhaladas morais. Faz-nos pensar em quem somos, quais nossos valores, o que queremos ser. “Os Sete hábitos” tem sido meu livro de cabeceira desde então, como um mapa dos compromissos que tenho comigo mesmo.

O treinamento, por seu turno, apresenta as técnicas e treinamentos para sermos eficientes, e nos convida a praticar. Mas traz um discurso tão embasado em valores que acaba sendo abrangente o suficiente para ser completo. E, em cada um de seus pontos, chaves ou não, a mensagem subliminar é a seguinte: seja você mesmo, não afronte seus valores. E nos mostra como esses valores podemos nos ajudar por esse mundo cão.

E, quando tudo parece encerrado, a mensagem final é dirigida aos nossos valores, aqueles que fazem a diferença: auxiliar os outros, ser gentil, cultivar bons pensamentos, cultivar bons hábitos. Não é, sem dúvida, uma mensagem que faça parte dos programas normais. É uma mensagem que, se não transmitida, não gera adesão, não gera vontade. É gratuita, mas tem suas consequências. Tem sua força no momento, mas poderia ser facilmente esquecida, como uma notícia boa ou ruim. Não será, se não quisermos.

Assim, mais que fazer a apologia do sentido comercial, prefiro chamar a atenção para nossas mensagens. Em que grau temos tido a responsabilidade de partilhar nossos valores? Em que medida deixamos que nossos valores sejam permeáveis a melhorias? Em que sentido nos sentimos completos a ponto de acharmos que não precisamos melhorar?

Não somos pau que não nasce e morre torto, a não ser que queiramos. Algumas pessoas não se sentem assim, e não reagem. Algumas pessoas se descobrem assim, e reagem. Outras pessoas, descobrindo-se assim, se recusam mesmo a aceitar que estão assim. Não, não somos assim. Podemos e precisamos melhorar, sempre.

Sinto dizer que poucos, dentre a raça humana, têm essa preocupação. E sinto dizer que menos ainda têm a preocupação de semear esses valores.

Semear no deserto? Sim, eu topo. Se somente uma semente vingar, terá valido a pena. Mas muitas mais vingarão, que eu não desisto facilmente.

A empresa: Yassaka Treinamentos. Meus amigos leitores sabem que não faço propaganda, assim como raramente cito empresas, mesmo em casos de reclamações. Esta merece a exceção.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

EU defino quem sou

Vi um texto no ótimo Estrela de Orion, e não pude deixar de refletir.

Sou divorciado há catorze anos, e isto aprece incomodar muita gente. Mas o que eles deixam transparecer é o seu próprio medo: e se acontecer alguma coisa? Você vai ficar velho e sozinho? Com quem você vai aos restaurantes?

Ora, não é por isso que quero alguém ao meu lado. E nem considero isso um problema, portanto, não estou preocupado com isto.

Mas há problemas. Sim, há muitos, até. Como reagimos a eles é que é a grande diferença.

Stephen Covey nos ensinou (a mim, ao menos) que entre o momento da ação e o da reação, há um intervalo de tempo. Que podemos utilizar para escolher nossas respostas. Pode ser uma resposta positiva, construtiva, ou uma resposta negativa, destrutiva. Auto-destrutiva, até.

E essa resposta é poderosa a ponto de nos permitir que nos reinventemos.

Conheço pessoas de 25 anos para quem estar sozinho é uma bênção. Para outros, é uma desgraça total. Tudo é relativo. Para a bactéria, a penicilina é uma doença. Portanto, calma.

O que pretendemos? Para onde queremos ir? O que somos, e o que queremos ser? Nada disto importa, se quem decide não somos nós. Se quero ser uma pessoa de sucesso porque o mundo assim o exige, não é uma decisão. É uma imposição. Se queremos ser bons oradores, de retórica brilhante, mas só porque meu meio social exige, não é uma decisão. É uma adesão.

Assumir os clichês que a vida nos impõe nos torna reféns dessa imposição. Assim, se você é um político honesto e seus pares o pressionam para aceitar propinas, você está sujeito á influência do meio. E, se você adere, você passa a fazer parte do meio, e parte do problema. Mas se, em vez, você adota uma posição baseada nos valores em que acredita, você passa a ser o comandante do seu destino. Sim, sou honesto, e não me incomodo em não fazer parte dessa panela.

Sem ser determinista, acredito profundamente que a vida coloca as coisas no lugar. Muito ajudada por nós, sem dúvida. Mas a propina recusada hoje, em função dos meus valores, há de ser reposta amanhã, como recompensa, não mais como uma adesão equivocada.

Mas é preciso deixar de fugir, parar, e encarar o problema. Eu posso mais, esta é a verdade. Bater no peito, dar murros em ponta de faca, essa é a coragem. A fuga não nos permite saber quem somos, e nem mesmo nós sabemos quem somos. Mas uma coisa é certa: estou no comando de minha vida.

Certa vez disse algo a um amigo que o magoou profundamente. Algo como “você quer ficar nessa vida para sempre?”. Na zona de conforto, as pessoas se escondem. Para sair da zona de conforto, mostrar o peito ao mundo e atingir suas metas, é preciso acreditar em si mesmo. É avançar sobre seus medos, e convocar a coragem. Pois coragem não é não ter medo. Coragem é enfrentar seus próprios medos.

Patinhos feios

O mundo todo acompanhou o conto de fadas de Susan Boyle no Britain´s Got Talent. Mas talvez algumas particularidades da situação tenham ficado encobertas.

Primeiro, ela faz piada da própria situação. É preciso coragem para rir de si mesma, e ela riu. Depois, com a humildade que só a humilhação impõe, colocou-se na posição, até começar a cantar, a que foi obrigada: a de quem tenta vencer a montanha.

No público, expressões de escárnio, incredulidade, gritos silenciosos dizendo “o que você está fazendo aí?”.

Acima do peso, um corte de cabelo que certamente não é o das divas, uma expressão ainda defensiva, ela fez vista grossa à rejeição. E cantou.

Não, dizer que cantou é pouco. Ela tocou a alma de todos. Arrancou sorrisos, lágrimas, arrebatou. Encantou. Era uma fada voando baixo. E transformou o escárnio em aplausos.

A música, irônica, “I dreamed a dream”. Outra ironia, de “Les Miserables”.

O que Susan teve, e que outras pessoas que sofrem o mesmo tipo de pré-julgamento, foi a chance de mostrar a que veio, que é. A barreira foi vencida, mas houve oportunidade para vencê-las. A grande diferença é que as pessoas, fora daquele show, não passam por prévias que as habilitem a ir adiante.

Merecidamente, o show que deve ser visto. E ouvido.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Punição: o poder/dever do estado

Na televisão, uma cena que divide opiniões: o policial agride acusado de estupro e atos libidinosos, inclusive contra a filha de um outro policial.

À polícia cabe proteger o cidadão. Isso é inquestionável. E, para tanto, ele sai às ruas, com um salário baixo, com suas armas no coldre, armas essas que não são páreo para aquelas brandidas pelos bandidos. Isso também é inquestionável.

Policiais são mortais. Portanto, precisam temer aquelas armas e seus portadores.E têm família também, para as quais querem voltar, de preferência ilesos. O que nem sempre acontece…

E são, também, por mais que queiramos negar (e não queremos), humanos. Como humanos, são sujeitos às emoções destes; E uma delas é a vingança.

Mas vingança por parte de quem deveria auxiliar a aplicar a lei, que não vinga, mas pune? Sim, pois uma das pontas dessa cadeia de repressão sofre os perigos todos, para que os técnicos da lei, aproveitado-se de brechas deixadas pelos legisladores,d evolvem às ruas aqueles que ofendem nossos valores e nossos familiares e amigos. Ofendem de matam.

Resultado: o policial se arrisca, tendo como moeda de troca sua vida, e a justiça solta, tendo como argumento a lei. Repetindo: a lei, não a justiça.

Quem é que não ficaria tentado a agredir um acusado de estuprar dezenas de mulheres? Quem é que ficaria inerte à possibilidade desse inumano voltar às ruas para ameaçar sabe mais quantos?

Aqueles que estão preocupados com a verdade dos fatos, diria o filósofo.

Às favas o filósofo.

O cidadão não fica tentado a vingar-se se a justiça se apresenta e pune o agressor da lei. Se há aplicação da lei, aquieta-se o desejo de vingança, morre a vontade de entregar-se ao ser bestial que há em todos nós.

E quando a lei não pune? Pune a pichadora, mas solta o banqueiro… O ser humano, o mais calmo deles, há de querer segurança. Aí, a besta entra em cena para mostrar o que acontece que os bandidos…

O aparato de punição precisa ser acionado. Não é só o judiciário, não é só a polícia. É o sistema. Precisamos de leis, mas daquelas que sejam aplicadas. Precisamos da repressão, mas holística, não somente daqueles que enfrentam a bala com o próprio martírio. E precisamos que aquela mesma lei seja rápida na punição, cuidando para que sejam punidas as pessoas que merecem, e que realmente merecem.

Não culpo os policiais do vídeo. Culpo o estado, que falha também no seu dever de punir. Só ele pode fazê-lo, mas parece que pressa não há… Entendamos o policial agressor!

sábado, 4 de abril de 2009

Baiano Obama - Valores

Fernando Collor, eleito como caçador de marajás, nos presentou com belas fotos da Casa da Dinda finamente decorada, com a operação Uruguai e com o caso PC Farias.

Fernando Henrique Cardoso clamou para que esquecessem o que ele escrevera

Lula se declarou uma metamorfose ambulante, em resposta às suas surpreendentes posições, no poder, em relação a temas tratados em campanha.

O poder parece obrigar seu detentor a rever sua biografia. Em defesa de um bem maior, talvez, mudam-se conceitos, valores, posições, ideologias.

Mas Barack Obama, na reunião do G-20, nem parecia uma pessoa com aquele tipo de poder. Parecia, sim, um novo tipo. Um que, comprometido com sua posições anteriores, embasado em valores e com uma visão global do problema, parecia mais um analista independente. Não defendeu intransigentemente posições de interesse dos Estados Unidos, mas defendeu racionalmente o que considera interesses da população mundial. Daí Lula ter dito que, se fosse visto na Bahia, todos pensariam que ele é baiano. Se fosse visto no Rio, todos pensariam que ele é carioca… Pois ele, Obama, é simples.

Sim, é verdade. Ele é simples, e sua simplicidade maior ainda reside no fato de que ele está se mantendo na ideologia que o levou à Casa Branca. Ainda é pouco, muito pouco. Os resultados do G-20 ainda são quimeras, o marketing ainda não mostrou o produto, só a propaganda. Os pobres continuam pobres, o meio ambiente ainda está seriamente ameaçado, os bancos, agências de avaliação de risco e os fundos de investimentos ainda estão sem rédeas. Mas eu ainda não tinha visto um presidente com esse comportamento.

Ainda é cedo, mas esperemos que Obama vingue. Sem mudar.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Comunicação entre desiguais

Uma das dificuldades na comunicação interpessoal é quando há o desnível entre os seus participantes. Os desníveis podem implicar em falta de equalização de conceitos, ou mesmo ausência deles em um dos interlocutores. Há fatores objetivos que podem influenciar: nível educacional, formação específica, especialização, atualização, etc..
Mas há o desnível que não é objetivo, mas subjetivo. E provém de uma arrogância: um dos interlocutores acredita saber infinitamente mais que a outra parte e, por este motivo, passa a desqualificá-la, interrompendo-a, contrariando-a ou mesmo impedindo-a de falar.
Esse tipo de comportamento faz com que, às vezes, os argumentos da outra parte sejam ouvidos e não considerados, mas desqualificados a priori. A comunicação não verbal costuma evidenciar essa posição: negativas com a cabeça, olhar esbugalhado (espanto), sorrisos de escárnio, olhares enviesados, e por aí vai.
Mais que o desrespeito pela parte contrária, esse tipo de arrogância impede seu agente de aprender. Impede-o de considerar seriamente os argumentos dos interlocutores e, por este motivo, torna-o cego para tudo que não seja de sua própria criação. faz com que seu auto-julgamento esteja sempre em patamares altos, o que não quer dizer que corresponda à realidade.
Na comunicação interpessoal já é um problema grave. Causa as picuinhas, as implicâncias, as constantes crises de comunicação. Nas empresas, faz com que sua percepção de ameaças seja restrita, a ponto de ameaçar o negócio, pois faz da proatividade um mero mito.
Em qualquer dos casos, a arrogância assassina a humildade, que é a base de muitos dos bons valores que o ser humano pode cultivar: respeito, bondade, simpatia, empatia. E mostra o lado sombrio do ser humano. A mesquinhez da desqualificação é somente uma de suas manifestações.
Arrogância
- substantivo feminino
1    ato ou efeito de arrogar(-se), de atribuir a si direito, poder ou privilégio
2    Derivação: por extensão de sentido.
qualidade ou caráter de quem, por suposta superioridade moral, social, intelectual ou de comportamento, assume atitude prepotente ou de desprezo com relação aos outros; orgulho ostensivo, altivez
3    Derivação: por extensão de sentido.
atitude desrespeitosa e ofensiva em atos ou palavras; insolência, atrevimento, ousadia

Update: a definição é do Houaiss.