quinta-feira, 19 de março de 2009

Um bom negócio…

Fonte: http://www.sxc.hu Quem já usou o chamado cheque especial sabe: o banco é implacável na hora de cobrar os juros. Exceção feita para um banco, que prometia sete dias sem cobrança ao mês (não sei se ainda existe a oferta), todos os demais baixam a guilhotina quando o “limite” é acionado.

E é mesmo um excelente negócio. Quisera eu ter um empreendimento assim.

Vejamos:

Atualmente quase toda a população tem conta em banco. Compulsoriamente, pois o salário raramente é pago em espécie. Mesmo quando é possível, é uma ameaça ao empregador, que prefere depositar a se ver alvo de uma empreitada criminosa no dia do pagamento;

Assim, ao menos uma vez ao mês, a conta tem lá seu saldinho. Dinheiro que pertence ao correntista, mas está à disposição do banco, que cuida e zela por ele de forma desinteressada…

Não, não é verdade. O banco se aproveita desse saldo nas contas de depósitos à vista para fazer o que é de seu ofício: emprestar. A lógica do negócio é deslumbrante: você abre a conta para evitar que seu patrão seja assaltado, paga algumas taxas para ter regalias (exceto conta salário), regalia essa que inclui o cheque especial, e o banco empresta seu dinheiro cobrando juros do tomador, mas sem pagar nada para você. Ao contrário… Negócio como esse só mesmo sendo dono de um castelo feudal!

É bom lembrar que a constituição prevê uma série de direitos ao cidadão: educação, saúde, segurança. Sim, tudo na constituição Cidadã, aquela de 1988. Que trazia também um artigo que limitava os juros em 12% anuais. Em um dispositivo que foi rapidamente enfrentado (e vencido) pelo presidente-sociólogo e o seu presidente do Banco Central (FHC e Pedro Malan), que aprovaram uma PEC (proposta de emenda constitucional) retirando aquele dispositivo da carta. Tudo em nome das boas relações com o mercado, a quem, não queriam desagradar. Acredito que os bancos ficaram muito gratos, e a sucessão de recordes de lucros parece comprovar a tese.

Que tal se eles nos pagassem por utilizar nosso dinheiro?  Não aquela coisa ridícula da poupança, mas um pedaço desse monopólio do cheque especial e CDC que hoje eles têm.

Acho que seria justo!

 

A bem da verdade: não é todo dinheiro que eles (bancos) podem emprestar. Eles descontam o famoso compulsório, que é um percentual que precisa ficar congelado, numa lógica bem simples: quanto menos dinheiro, menos aquecida a economia, menor o perigo de inflação (lembra dela?). Se nossos çábios (como diz o Elio Gaspari) lessem jornais, saberiam que o crédito está escasso, e saberiam que a oferta, sendo grande, poderia regular essas taxas abusivas. Ora, mas as vítimas são só eleitores, cuja grande maioria não contribui para os caixas 2 de campanha alguma…

Um comentário:

  1. POdiamos alongar esta conversa: somos obrigados a enfrentar filas em terminais de auto-atendimento (principalmente naquele Banco) para digitar nosssos pagamentos (serviços que eram efetuados pelos funcionários) e não nos pagam pelo serviço. Tiraram estes serviços da fila e diminuiram nurmeo de caixas para atendimento. Tente utilizar o serviço em finais de mes e perderá algumas das mais inúteis horas de sua vida.
    dig

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