terça-feira, 3 de março de 2009

Serviços públicos, políticos nem tanto

21692641_27528339 Em 26/02/2009, morreu o filho de David Cameron, que é o líder da oposição no Reino Unido. A doença do filho, falecido aos seis anos de idade, o fez mudar algumas idéias que tinha sobre o sistema de saúde da Inglaterra.

Em 08/02/2009, o filho do presidente da república do Brasil foi assaltado num semáforo. Teve seu carro levado, além de documentos, cartões e documentos. Duvido que a experiência vá mudar alguma coisa na Terra das Saúvas.

Lembrei das disparidades ao contatar a dificuldade em resolver um problema desses, e estou falando somente de documentos. O Poupatempo é um grande avanço na prestação de serviços à população. Mas o “sistema”, ah, esse maldito “sistema”, nem sempre está presente. Não assíduo, não confiável, desidioso… quando se precisa dele, ele não está lá.

Nas delegacias, fila Falta de paciência, falta de gente (do lado de lá do balcão. Do lado de cá, muita gente). Os que aguardam atendimento, murmuram sua indignação. Sim, murmura, pois as “autoridades” estão armadas. E há sempre o medo de que pode ser pior: retaliações. Uns poucos discutem. A parece que estamos vendo um pai dar uma bronca no filho preguiçoso: o autoritarismo não acabou com a ditadura.

Quando um órgão faz sua parte, com a morosidade que parece ser inerente à atividade pública, sempre a presença funesta daquele ente: o “sistema”. O sistema só se atualiza de noite. Quer dizer que mesmo com um documento, assinado por uma autoridade, somente no dia seguinte se pode dar seqüência à resolução do problema.

Fiquei imaginando o filho de Lula passando quatro horas numa delegacia, sem lugar para sentar, bebedouros com refrigeração no dia mais quente do ano, com a necessidade de que os “clientes” se organizassem para ser atendidos (não há sistema de senhas, ao menos na unidade de ontem). Não, acho que o filho de Lula não passou por nada disso.

Pena. Normalmente, enfrenta-se o problema que conhecemos. Se o homem público no Brasil não utiliza seus serviços públicos, nunca os terá como problema. Por isso, nunca é demais lembrar que Lula, quando precisa, não é atendi pelos hospitais SUS. Sempre pelos mais aparelhados (caros, portanto).

Conclusão: a saúde vai bem, os serviços públicos também. Ao menos para alguns…

 

Perdoem a acrimônia: quase 40% de carga tributária para pagar por um passeio no inferno me parece uma grande injustiça. Mais: é um crime.

Imagem: http://www.stockxpert.com/

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