sábado, 21 de março de 2009

Pela Culatra - Enchentes

As enchentes de São Paulo são um inferno e são também um tiro pela culatra da população.

Sempre que está chovendo e chego a São Paulo, em qualquer das Marginais, o cenário é o mesmo: muito lixo nos rios. O que me leva a creditar na multiplicação espontânea das garrafas PET (Politereftalato de etileno) de refrigerantes, tantas são as que boiam rios abaixo. Claro que elas somente chegam ali se não descartadas nos locais adequados. As águas não têm dificuldade para carregar material de tão baixo peso.

Cito as garrafas PET por que elas são visíveis. E representam a ponta de um iceberg. Ainda ontem, no centro de São Paulo, de um ônibus em movimento foi jogado um saco plástico, devidamente amarrado, contendo os restos do lanche de alguém: uma lata de refrigerante vazia, um invólucro de isopor onde devia estar um lanche, alguns guardanapos, etc. Foi coletada por um cidadão que deu a ele o destino correto, a lata de lixo. Mas esses atos se multiplicam pela cidade, o que causa um volume muito grande de material que, ao primeiro sinal de água, escorre para os bueiros.

Se o peso é pequeno, o volume nem sempre. O material se acumula nas entradas dos bueiros, represando a água. Que, em grande volume…

Ou seja, parte do problema é causado pela população. Grande parte, eu diria, descontado o fato de que o volume de água das chuvas vem aumentando. Mas imaginemos que, não fosse esse tiro no pé, não seriam tão tristes as consequências.

É um tabu dizer que problemas vêm da população. Já se disse o mesmo das enchentes, e das drogas. O caminho mais aceito é a crítica ao governo, qualquer governo, que não adota as medidas necessárias para evitar os problemas. Neste problema em particular, eu diria que não adiantam obras de contenção de água, equipes de limpeza, ou qualquer outra medida física. Claro que ajudariam, mas o cerne da questão, pensando bem mesmo, é de outra natureza. É de educação. Não aquele processo cognitivo, que ensina a somar, interpretar, ensina métodos de trabalho. Mas sim aquele trabalho de transferir discernimento, de conscientizar, de inculcar a famosa cidadania: não há somente direitos, há também deveres.

Um comentário:

  1. Carissimo bom dia. Completando o que voce disse seus direitos todo mudo sabe mas os deveres ninguem se interessa em saber. O brasilero tem que tomar vergonha na cara e agir com mais resposabilidade. Ensinar as nossas crianças a como devem agir na sociedade quer em relaçao a limpeza ou nao E que adianta continuar culpando o governo se jogamos pontas de cigarro no chao chicletes e outras coizas?
    Sorrizo amarelo nao. Vergonha de sermos assim sim!
    abraços carissimo

    ResponderExcluir