sábado, 14 de março de 2009

O olhar vigilante

Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1102840 Primeiro, foi o parlamentar do castelo. Depois, foi a casa de cinco milhões de reais. Agora, um apartamento funcional cedido a quem não tinha direito. Em todos os casos, os acusados renunciaram aos seus cargos (não aos mandatos). Mas uma ação houve, e a reação veio.

Longe ainda de ser ideal, é um começo. Precisamos celebrar. Mas, vejamos o que ainda está por ser consertado:

  1. À imprensa coube a iniciativa de denunciar. Todos os casos. Já foi chamada de quarto poder (agora codinome da procuradoria), é de fato o quinto poder. Mas, como todo poder, precisa de seus controles. Cadê? Quando a imprensa é isenta, esse trabalho pode ter sua credibilidade. Mas quando é isenta, mas desidiosa, como contar com esse poder? basta lembrar que o castelo não é novidade, a casa do parlamentar também não, e não o é o apartamento funcional cedido. Alguém resolver procurar, e achou. E quando ninguém procura? Lembremos-nos do excelente exemplo de Jânio de Freitas, naquela concorrência fraudada da Norte Sul, em que a imprensa deu as cartas.
  2. Também coube à imprensa noticiar o montante das horas extras no senado. A reação, ainda tímida, é a ordem de devolução dos valores, já determinado por alguns dos senadores.
  3. As riquezas de homens públicos, escondidas ou escamoteadas em outras pessoas, não deveriam ser suspeitas? Políticos profissionais, sem outro meio visível de sustento (desculpe o chavão), que surgem com castelos, mansões, empresas de comunicação, etc., não deveriam ser objeto de mais transparência? Ou Brasília é nossa Las Vegas:> o que acontece em Brasília fica em Brasília?
  4. O povo, assim considerado aquela pessoa comum, que não participa da eleição do condomínio nem da manifestação contra os impostos abusivos, cadê esse ente que acredita-se existir? Seus porta-vozes deveriam ser a classe política, na maior das utopias. Não são. Está sendo, então, a imprensa. Que não porta realmente as vozes, mas valores que, acredita, acredito eu, serem os desse povo. Será que são de fato? Se a manchete da Folha fosse o paredão do Big Brother não se venderiam mais jornais? Será que se a revista Caras fosse um jornal diário não bateria recordes de vendas?
  5. A democracia é a desculpa para tudo isso. Mas o que estão chamando de democracia está muito longe de ser aquele ideal propagandeado. É o direito de escolher nossos senhores feudais e seus vassalos, nós que somos os servos. Mas, não haja enganos, não é a democracia. É somente uma democracia.
  6. Se a imprensa mantiver-se atenta e ativa, outros resultados virão. Inclusive mesmo a mobilização popular. Caso contrário, a estagnação (i)(a)moral virá. Como exemplo: nos anos dourados da era FHC correu um boato fortíssimo sobre um filho que ele teria com outra pessoa que não a Dona Ruth. A imprensa não repercutiu o fato. Nem para confirmar, nem para desmentir. Simplesmente ignorou. Inferir o que daí? Amizades? Desimportância? Juízo de valor dos meios de comunicação: não vale a pena mexer com isto? Vai saber…

Assim, mesmo nossa história futura é escrita, com o perdão do trocadilho pela imprensa. Esperemos que esta se mantenha em nosso favor…

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