domingo, 15 de fevereiro de 2009

A união faz… açúcar???

Ao final da década de 60, o povo, oprimido pela ditadura, estava nas ruas. Bem, senão nas ruas, estava mobilizado. Como se mobilizou nos momentos mais marcantes, como no caso do RioCentro, no Rio de Janeiro, e no caso das Diretas Já. Na deposição de Collor, o povo estava nas ruas, representado pelos cara pintadas e pelos manifestantes de preto. Foram momentos em que a idéia comum era a união contra algo ou alguém que representava uma ameaça. E o povo se uniu.

Eram grandes preocupações sociais. Contras as quais, se não houvesse união, não haveria vitória, senão dos mesmos estamentos que enriqueceram à custa da pobreza, da doença e da falta de cultura (educação) da população. Mas eram preocupações que tiveram o poder de aglutinar as pessoas em torno de uma idéia, talvez mesmo um ideal (como as Diretas Já, em que Lula esteve no palanque ao lado de tantas outras personalidades de nossa política).

Hoje as coisas não estão assim. A CPMF não mereceu manifestações populares. Como não mereceu o escândalo envolvendo o presidente do senado, nem o mensalão. A classe, ensimesmada na labuta diária em torno da sobrevivência, se desmobilizou. A classe pobre/miserável, com os auxílios-cala-boca do governo, aproveitaram para usufruir de uma jactância verdadeira, embora passageira e paliativa. A classe estudantil foi para os semáforos, para pedir sua bolsa-cerveja, ou foi para os campi, para dar as boas vindas aos seus novos colegas (carregado de sarcasmo aqui).

Enfim, há o cidadão (talvez), mas não há a sociedade. Há (talvez) a saciedade, mas não há a consciência. Há o povo, mas não há o poder democrático (do povo, pelo povo, para o povo). Não há união, há o indivíduo querendo ainda sanar suas necessidades mais básicas ou querendo satisfazer aquelas necessidades que nem sabia que tinha, mas aprendeu a dar importância (como Maslow era sábio!).

E nossa cultura refle a a falta de engajamento. Enquanto tínhamos nossos “cálices” e “óperas do malandro”, do Chico., na época da mobilização, hoje temos de amargar os tchans da vida. Enquanto tínhamos a UNE e os sindicatos como entidade de mobilização nacional, hoje temos representações que pretendem somente notabilizar seus membros, para, quem sabe, conseguir um mandato qualquer por aí…

Dois heróis esquecidos: Eriberto França e Sandra Fernandes, que denunciaram as armações do período já pós-ditadura. E que jogaram o povo na última união que se viu nesta terra de saúva.

A União (a empresa) faz açúcar e álcool. Já a união (nossa) deveria fazer a diferença…

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