domingo, 8 de fevereiro de 2009

Tecnologia retrô

Mereci um comentário irônico por este post. E que me fez voltar no tempo.
Tempo em que eu era tecnocrata, e, então como agora, precisávamos fazer apresentações e documentos. Como era dura a vida…
  • TED 2D – para gerar imagens, sempre em preto e branco, e sempre em duas dimensões, como diz o nome. Uma batalha interessante, a de fazer com que imagens e textos coubessem harmonicamente na mesma folha de papel;
  • Redator (da Itautec) – o programa era bom! Fazíamos e acontecíamos com o dito cujo. Claro que tinha lá suas limitações, comparadas ao Word, que ainda mandava currículos nessa época (ainda era estagiário). Mas, limitações à parte, logo depois da máquina de escrever, era o grande apoio que tínhamos para nossos textos;
  • Às vezes, os mais atrevidos usavam o Wordstar. Que, com seus milhões de comandos (control-qualquer coisa, shift-outra coisa) davam um aspecto um pouco mais profissional. Claro, se você soubesse os comandos…
  • Planilhas, um palavrão. O Excel ainda não imperava. Usávamos o Lótus 1-2-3, os que nos atrevíamos. Nunca tivemos necessidade dessas planilhas que hoje são parte essencial de nossas vidas (tenho no meu PDA minha lista de compras do supermercado e meu check-list para arrumar minhas malas para viagem);
  • Para fazer apresentações projetadas, utilizávamos o famoso Harvard Graphics (o HG); numa interface muito mais sofisticada que os demais produtos da época, arrasávamos com n ossas apresentações (ainda em canhões de laser ou datashow);
  • Para transportar os dados gerados, disquetes de 5” 1/4. Uma tremenda evolução depois dos de 8”. Tanto em termos de tamanho como em termos de capacidade. Nada comparado ao disquete de 3,5”. Mas dava para viver.
  • Alias, o wordstar carregava do disquete, no meu laptop Toshiba T-1000, que nem hd tinha. Com um clock de 4,77 Mhz, era o máximo do máximo o bichinho.
  • Nossa estação de trabalho era um terminal 3270, o chamado “terminal burro”. Acessávamos os programas do mainframe e tínhamos de alternar o trabalho em microcomputadores. Ainda não era essa facilidade que é hoje.
Enfim, tudo isso era uma evolução perto do que deixávamos para trás. Máquinas de contabilidade mecanográficas, como a Sharp BA 1000, ou a NCR eram nossos instrumentos para fazer balancetes e balanços, e para escriturar toda a contabilidade. Com barras de programação, quando foram substituídas pelas máquinas de perfurar cartões foi uma tremenda evolução. Mas, comodities, foram logo substituídas pelos minicomputadores em locais estratégicos do Brasil, ainda se comunicando com mainframes, seja por transmissão de fitas, seja pela entrega físico nos pontos de processamento.
A época ainda era de transição meio confusa. O ambiente abandonava o paradigma de processamento em batch, para ir não se sabia aonde ainda. Hoje, nas empresas mais desenvolvidas, o batch faz parte de conceitos de museu. Na época, era o que salvava as operações.
A tecnologia, como afirmou Alvin Tofller, veio para ajudar. Mas criou os choques. Ainda há muita limitação no forma com que encaramos sua utilização. Estes dias, ao trocar meu player de CD do carro (queria um com Bluetooth), a loja não aceitava o cartão que eu apresentei. Do meu smartphone, entrei no site do banco, efetuei a transação de transferência de conta, imprimi o comprovante em PDF e o enviei à loja, tudo isso na frente da atendente. Que ficou com cara de estar sendo vítima de fraude… impossível!!!
Back to the future, ainda há muito que fazer. Meu notebook já está grande para ser transportado. Aos meus smartphones, falta capacidade de processamento. Ou seja, nunca estaremos satisfeitos.

3 comentários:

  1. Fui um programador de Sharp BA-1000. Quanta saudade daquele tempo e daquele barulho de metralhadora que ela fazia. Fazíamos chover com aquela poderosa.

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    1. Fui um programador também dessa fera chamada BA-1000. Trabalhei na Sharp/Sid e depois por conta. Comprava, reformava e vendia os programas. Faturei uma boa grana. Bons tempos...

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    2. Caramba, tb fui programador desta poderosa máquina, depois a BA-1006 e também a moderníssima SID 800 memoria eprom, que tinha uma caixinha com luz azul pra limpar a epron pra depois regravar, coisa maravilhosa daquela época, Saudade, eu trabalhava em brasilia na 516 sul

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