terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O preço das escolhas

Assisti a ascensão de uma amiga na hierarquia, e presenciei dois momentos distintos: quando ela criticava a decisão de um superior, e da mesma decisão que ela teve de tomar tempos depois. Basicamente a mesma ação, o que teria mudado?

Mudam as circunstâncias, mudam as premissas, as necessidades, a prioridade, muda mesmo a compreensão do fato, perante todo o resto. O fato é que pode haver incoerência no ato, mas pode haver evolução. Se somos capazes de compreender uma ou outra, esta é a questão.

Às vezes damos esmolas a menores que a usarão para consumir crack. Outras vezes, a esmola se transforma em comida ou remédio. Como saber? Não há como.

Como resolver, então, se não há como saber?

Às vezes fala o coração, às vezes fala a razão. Assumimos o risco de pagar pela droga do pedinte, ou assumimos o risco de negar-lhe alimento. Mas o preço é nosso?

Como lavar as mãos perante tal drama, num e outro casos? E como não lavar, isto , como poderíamos despir-nos de nossas convicções ou medo e garantir a ação necessária? A resposta é: não sei.

Não tenho poderes para resolver os problemas do mundo. Não tenho nem  para resolver os meus. Devo, então, me fechar para os problemas de outras pessoas? A desculpe é boa? Não, não é.

O fato é que fazemos o que podemos. Se achamos que o resultado será comida, damos a esmola. Se achamos que será droga, não damos. Às vezes a esmola sai, mesmo sem nossa certeza de coisa alguma. Nossas decisões nem sempre são orientadas pela certeza. Na maioria das vezes, são dirigidas pela esperança. E a esperança maior é que sejamos capazes de conviver com o resultado dessas escolhas.

Minha amiga nunca enfrentou sua mudança. Acho que ninguém as apresentou. Assim, para ela, ao menos para ela, a mudança não foi nem sentida. Ou foi uma evolução, um caminho natural. Ou foi só uma coisa sem importância, com a qual ninguém se preocuparia. Quase ninguém.

Que destino, este de enxergar contradições…

3 comentários:

  1. Cara estava procurando outra coisa e acabei aqui! Parece que você leu meus pensamentos sobre minhas decisões.
    Mais valeu. Nos não devemos ter medo disso. É o meu lema! Você me fez parar e pensar
    valeu caríssimo

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  2. Seja bem vindo(a). Algumas vezes parece que precisamos falar, e parace que alguém até quer escutar... mas é um dilema, algumas vezes trilema, cuja decisão é sempre individual, sempre de acordo com nossos paradigmas, com nossa disposição de pagar os preços.

    Volte sempre, obrigado pelas palavras gentis.

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  3. Caríssimo essa disposição de pagar preços é muito perigoso. já tomei muita decisões e paguei o preço errado. Aliás quem não tem medo de jogar uma oportunidade de se dar bem? Nessa altura da vida percebi que deixei tanta coisa escapar.
    Mais valeu mesmo assim. Com certeza visitarei seu blog mais vezes.
    Obrigado pela recepção. Viva a vida caríssimo.

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