terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O castelo do parlamentar

O Brasil tem 513 representantes na Câmara dos deputados. Quinhentos e treze. É muito? É pouco? Como avaliar?

Várias formas.

Pelo muito que há por fazer, é pouco. O Brasil ainda é um país em que a Constituição pretende acabar com todos os problemas. Daí algumas premissas como a de que a saúde é dever do estado, etc. De que forma deve o estado tratar a saúde? Isso seria tarefa dos deputados. Em termos de infra-estrutura, impostos, ainda há muito que ser regulado, ou seja, é necessária lei complementar. Então, por este critério, é pouco.

Pelo que se tem feito, é muito. Basta dizer que a reforma do código civil ficou mais de vinte anos (vinte anos) para ser aprovado. Gostaria de poder dizer que foi porque as mudanças eram tão significativas que as discussões foram acaloradas e realmente demandaram esse tempo. Não se pode dizer isso. O congresso nacional trata muito mais de assuntos políticos que da regulação das atividades nacionais. Exemplos, temos aos montes. Quanto tempo a pauta ficou trancada pelo julgamento do então presidente do senado (do senado, eu sei. Mas atingiu, com certeza, a câmara)? Enquanto as votações que lhes interessam são rápidas, as que não rendem dividendos são postergadas…

Pelo que se trabalha, é muito. Basta lembrar que foi decidido que somente haverá sessões de votação de terça e quinta. Isso significa que é terça à tarde e quinta de manhã. Pois que os excelentíssimos precisam viajar para Brasília, e poucos o fazem na véspera (ou no dia seguinte, no caso da quinta).

Pela quantidade de escândalos, é muito. Não há necessidade de comentários adicionais.

O custo que representa um parlamentar é um exagero. No país que elegeu um presidente cuja bandeira era lutar contra a fome, há muita gente comendo lagosta. À custa desses que passam fome.

A democracia, essa entidade que não se pode criticar sem receber pedradas, está longe de ser “para” o povo, como na famosa definição (pelo povo, para o povo). Sob a falsa noção de que escolher nossos representantes já é o máximo que podemos obter, paralisamos toda e qualquer ação que aprimore nossa representatividade. Mas, ora que bobagem, quem vai votar essa mudança é justamente o mais interessado em não mudar nada…

O castelo? É só a exacerbação do que já acontece por aí. Mansões, barcos, propriedades, bens. Não chamam tanta a atenção como um castelo (que,como disse José Simão, fere tanta a ética como a estética).

Talvez, e somente talvez, haja punição. Desconfio que não é pelo caso em si. Mas pela falta de discrição. Chamando a atenção!

2 comentários:

  1. Boa noite caríssimo. Punição por causa de um desprezível castelinho? Imagina se o governo por exemplo irá gastar dinheiro dos cofres públicos para prender um político que sonega impostos, desvia dinheiro etc.
    Os deputados e senadores tem coisas "mais importantes" pra resolver. Abraços caríssimo

    Minha mulher também gostou muito do seu blog. Parabéns!

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  2. O pior é que elegemos esse presidente achando que as coisas poderiam mudar. O bastião da moralidade acabou se transformando na mesma matéria de eram feitos todos os outros. Se um pediu: "esqueçam o que escrevi" e outro afirmou que eram "bravatas" seus discursos, só podemos achar que mudam as pessoas, mas têm o mesmo comportamento...

    Grato pela visita, e pela gentileza.

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