sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Lula, e a oportunidade perdida

Nunca antes na história deste país um presidente teve popularidade tão alta. É o recorde dos recordes. Nem a crise arranhou a popularidade de Lula. É o presidente que mais sucesso fez com a aceitação do povo, a orquestração política, a submissão da oposição. Mas esse sucesso não se traduz senão em popularidade. O país não melhora com essa quase-unanimidade, que deve ser quase-burra.

Há importantes reformas por fazer. A reforma política, para dizer uma que emociona poucos os brasileiros. Mas há outras que afetam diretamente nosso dia-a-dia. A reforma tributária, por exemplo. Uma das maiores cargas do mundo, nossa contribuição, na verdade, banca um dos governos mais corruptos do mundo (octogésima posição, segundo a Transparência Internacional). Ou seja, podemos estar financiando a boa vida de alguns.

Nossa segurança, educação e saúde, dizem, estão sem verbas. Ou sem as verbas necessárias a realizar tudo que é necessário.

Lula, com esse índice de aprovação e o acerto político que conseguiu, poderia fazer com que algumas dessas ações se viabilizassem. Poderia transformar seu capital político em realizações. Poderia se transformar no estadista que sempre proclamou que seria. Mas se perde em conchavos para acomodar essas forças tão díspares sob suas asas, como destacou Eliane Cantanhêde na Folha de 05/02. A fim de calar os críticos, e para manter uma imagem de coesão, perde uma oportunidade jamais vista: a de enfrentar os problemas do Brasil com força suficiente para resolvê-los ou encaminhá-los.

Diz-se, sempre, com relação aos presidentes, que a história os julgará. Neste caso, acho que o veredicto é flagrante: pavoneando-se, deixou de realizar o que poderia.

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