segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A Copa do Mundo de 2014

O sistema de saúde do Brasil está em colapso há muito tempo. São filas e mais filas, muitas vezes para nada, pois médicos não há. Instalações hospitalares públicas estão sucateadas, precisando de investimentos urgentes para se atualizarem. Sem dizer dos recursos necessários para manter o atendimento. Médicos fogem, e não se pode culpá-los. Os equipamentos, quando existem, estão em estado lamentável. A saúde que vai bem é aquela que pagamos, ou seja, da iniciativa privada. E achamos que pagamos caro, por um atendimento para lá de razoável, quando a Constituição nos diz que é um dever do estado.

Na educação, as coisas não andam melhores. Sucateamento das instalações, parece ser pré-requisito. Salários baixíssimo, o professor é ou um abnegado idealista, ou usa o “emprego” como ponte até que ache algo melhor. E, para professores, o dever acaba sendo muito maior que o direito. Precisam se atualizar, mas como? Precisam manter a diginidade, mas como? Precisam manter a disciplina, mas como? Como? Outro dever do Estado que está somente na Constituição Cidadã.

No campo da segurança, nada mais se pode dizer. É eloquente a série de ataques pelo PCC a delegacias e prédios públicos, feitos recentemente. A inação da polícia e autoridades também foi eloquente: não temos como nos defender. E a violência é epidêmica: em hospitais que não conseguem garantir atendimento, a população ataca. Nas escolas, alunos atacam professores e outros alunos, causando mesmo perda de vidas. Policiais que deveriam nos proteger são aliados dos criminosos. Os honestos carregam em si um dilema cruel: ser honesto (e pobre e sujeito a prematura morte) ou ser como os demais. Ainda há os bons. Sempre haverá ao menos um. E deveriam ser maioria.

Parece que a única coisa que anda bem é o esporte. Não importam crises, desmandos, cartéis. O esporte tem dinheiro. E, se conta acompanhar a lógica dos jogos Pan-Americanos do Rio, teremos um gasto 10 vezes maior que o estimado.

O esporte é circo. O pão está na bolsa (família). Gastaremos (sim, primeira pessoa do plural, pois o dinheiro é nosso) o dinheiro que não temos para hospitais, seguran ça, educação. Gastaremos em atividades que, sujeitas à fiscalização dos Tribunais de Contas, provavelmente não teremos transparência (Jânio de Freitas, na coluna de hoje da Folha de São Paulo, lembra da luta inglória e gloriosa de Juca Kfouri para ver as contas do Pan-Rio).

Pão e circo, já ensinavam os romanos. Mas, do circo, ainda há que concluir: onde estão os palhaços?

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