quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

As decisões e seus preços - continuando

O post mereceu dois comentários (!!!), e acho que merece aprofundamento.

Algumas vezes, a melhor decisão é não decidir. Outras vezes, a pior decisão é melhor que decisão nenhuma. Como saber diferenciar um e outro tipo?

Não sabemos. Não podemos saber. Na verdade, não precisamos saber. O homem é o único animal que pode decidir com base em dados lógicos. Nem sempre o faz. E nem sempre faz errado quando não toma o caminho lógico.

Pois que o homem tem o dom de inovar, de criar. O que nem sempre é compatível com o conceito de lógica, que é somente o referencial de determinado momento da evolução. Assim, para criar, para evoluir, a lógica pode ser esnobada. Se há sucesso, comemora-se. Se há fracasso, dois caminhos podem ser trilhados.

O primeiro deles trata da indefectível percepção dor-prazer. Evitamos o que causou dor, repetimos o que causou prazer. Evitaremos o novo, o inventar, o inovar. E este é o caminho mais fácil.

O outro caminho, mais árduo (e, portanto, mais sedutor, diz meu vício pelo desafio) é aquele que nos obriga a parar, lamber as feridas, analisar o que deu errado, planejar o próximo passo, e voltar a inovar, criar, ousar. Pois que o homem não é diferente somente pelo seu poder de decidir. Mas pelo seu poder de resposta, de adaptação, de entronização do erro, de transformação do erro em aprendizado. Esse é poder do ser humano, daquele que é princípio ativo.

Mas que não nos escondamos. Costumo defender que nossas derrotas, nossos fracassos, têm de ser lamentados, sofridos, sentidos. Têm de causar dor, têm de incomodar, têm que ter o condão de nos fazer lamentar profundamente o erro. Sem, entretanto, tirar de nós a ousadia de fazer aquilo em que acreditamos, de tomas as decisões que achamos corretas. Nossos fracassos, portanto, têm de fazer com que tentemos novamente, tomando todo o cuidado para que o obstáculo seja superado.

Stephen Covey professa que tenhamos nossa vida guiada por princípios. Concordo. E que esses princípios sejam o norte de nossas ações. Que sejam o juiz capaz de, consultado, dizer que o caminho certo é um determinado, porque aderente a um componente axiológico de nosso credo. Eu concordo.

Assim, se nossas decisões são tomadas com base em um valor, e baseadas no princípio que tudo é aprendizado, acredito, verdadeiramente, que são boas decisões. Podem não nos levar ao ponto que queríamos. Mas, às vezes, é melhor perder o foco que desdizer nossas vidas.

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