sábado, 28 de fevereiro de 2009

Nossa tolerância com as drogas ilícitas

Seringa Um secretário da justica, do Rio de Janeiro, se bem me lembro, criticou o uso de drogas comoo fonte de criminalidade. Foi linchado pelos meios de comunicação. na clandestinidade, não consegui nem resgatá-lo no Dr. Google, nosso oráculo da memória. Será que ele merecia?

Sabe-se, ou ao menos há uma forte suspeita, de que os traficantes de drogas são também de armas. E que alimentam outros crimes, numa cadeia interminável. Há lógic. Para defenderem-se, compram armamentos pesados. Com armamentos pesados e sob a ação de drogas, viram super-homens, e saem assaltando por aí. Tratados e mais tratados existem sobre os crimes desses traficantes e suas ramificações.

Por outro lado, há o consumidor. O jovem, de qualquer classe social, que está à procura de diversão. Experimenta a droga, se vicia, e a “diversão” não acaba mais.

Vejamos: ele alimenta a rede de crimes possíveis, pois cada um dessa rede pretende-se armado (para se defender, que a vida não está fácil). Compra sua maconha, cocaína, ecstasy e outras drogas num ponto conhecido por todos. Consome muitas vezes socialmente a droga: no campus, na casa da namorada, na própria casa. E, na falta, vai à boca do fumo ou pede via delivery sua fonte de prazer. Acha que seu vício não tem consequências.

É o mesmo jovem que se revolta quando um amigo seu é morto num assalto. Muitas vezes, esses assaltos são feitos por viciados querendo dinheiro… para as drogas. Revolta-se, vai ao funeral chorando rios de lágrimas, grita e exige providências e volta para casa, para fumar seu baseado ou usar cocaína para abrandar sua dor. E, se acontece de novo, com um amigo ou um parente, tudo se repete.

- Justiça, é o que bradam.

Mães chorando, namoradas inconsoláveis, amigos revoltados. Todos nós estamos nessa corrente da violência, mas nem todos estamos na corrente da droga.

Não mesmo?

É frequente presenciarmos testemunhos de pessoas que veem amigos se drogando (leves ou pesadas, ilícitas: maconha, cocaína, etc). A maconha é a mais comum. Nos campus da faculdade, cerveja e maconha são a nova dupla romeu-e-julieta. Mas ela é tolerada, ninguém se anima a tomar uma providência contra aqueles jovens tão bons… Mas compram sua droga de fornecedores daquele tipo ali de cima, os criminosos, que vendem maconha como cocaína e crack, e estão dispostos a tudo para manter sua boquinha-de-fumo…

Estamos sendo coniventes com que o parece ser inofensivo, mas tem consequências muitas vezes drásticas. Na outra ponta dessa rede de fornecimento, crimes pesados. Se não enfrentarmos essa parte que está ao nosso alcance, somos, mais uma vez, vítimas de nós mesmos.

Obs.: a imagem é deste site: http://www.sxc.hu

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Um pequeno segredo

É muito fácil.

Quando as coisas dão errado, é muito mais fácil culpar. Outras pessoas, circunstâncias, mercado, tempo ...

É muito fácil enxergar no outro os defeitos. É fácil achar que ele não nos ouve, e dizer a ele, mesmo que para isto não o deixemos falar.

Calamos-nos ao que nos parece errado, porque não tem remédio mesmo. Deixamos de falar, porque podemos machucar alguém. Deixamos de agir, porque uma gota no oceano não faz diferença.

Não amamos mais, porque esperamos ser amados. Não beijamos, não abraçamos, não acariciamos, porque esperamos primeiro receber, como se estas coisas fizessem parte de uma troca. Não fazem. Elas são demonstrações absolutas, não relativas. Não dependem de recebermos. Temos beijos e abraços aos montes em nossos corações. Nunca se esgotam. E essas coisas existem unicamente para serem doadas. Sem esperar nada em troca.

Não ouvimos, pois nossa vontade de que sejamos ouvidos nos torna surdos.

Não falamos, porque esperamos que nos falem.

Não agimos mais, esperando que alguém o faça. Queremos somente reagir. Mas sem ação não há reação. Não há interação, não há relação.

É muito fácil, fácil demais, achar que o tempo cura tudo. É fácil e cômodo. Se não der certo, mudamos. Esperamos. Um dia o tempo acerta.

É fácil, mas não resolve. Nosso coração é elástico, cabem nele muito mais coisas que imaginamos. Cabe mais compreensão, cabe mais perdão, cabe mais amor, e nem sabemos disto. Cabe tudo quanto precisamos para sermos mais felizes. E o segredo é tão simples, tão banal, tão mais fácil, que dói saber que não fazemos isto mais vezes: o segredo da felicidade está em fazer outras pessoas felizes. Cada sorriso, cada riso, cada lágrima de felicidade, cada suspiro de alívio, cada olhar para os céus ... Cada uma dessas coisas ilumina mais um pouquinho nossa vida.

Mas é difícil, muito difícil acreditarmos nisto. Estamos muito ocupados tentando moldar o mundo à nossa maneira, fazer com que todos reajam como nós reagiríamos. Estamos ocupadíssimos tentando convencer o mundo de que estamos certos, e nossa briga com o mundo não nos deixa em paz para que possamos encontrar aquelas pequenas coisas que podem nos tornar felizes.

Façamos, então, o mais fácil: que nosso coração se abra, que o amor tome conta dele. Que nossas respostas sejam sempre cheias de amor, de carinho, de compreensão. Que as nossas ações sejam-sempre cheias de bondade, e o amor se espalhará, entre todos aqueles que nos rodeiam. Colaboremos para a felicidade de uma única pessoa por dia, e logo a felicidade estará em mais corações, mais sorrisos surgirão, mais ações, mais vontade e capacidade de ouvir, mais disposição para entender. Mais espaço para amar. Mais espaço para ser amado. Assim é que é verdadeiramente mais fácil.

Amar, honesta e verdadeiramente, a todos e a alguém especial: como é fácil ser feliz!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Para esclarecer

Não sei como essas coisas correm tão rápido, mas é preciso esclarecer:

  1. Sim, é verdade, fui assaltado;
  2. Estou bem. Não encontrei nenhum menininho dizendo ver “dédi pipou”. Então, acho que não estou me enganando;
  3. Sim, estava armado. Eu não entregaria meu carro e meus pertencer a alguém que os pedisse, mesmo que gentilmente;
  4. Não, não reagi. Tenho uma filha a quem preciso assistir. Reagir seria uma arrogância burra. Arrogante eu sou, mas burro, mesmo que seja, não admito…
  5. Sim, fiz B.O.. Parece que a seguradora aprecia muito essa nossa visita aos distritos policiais;
  6. Levou meu Milleniun Falcon e meus cartões de crédito (todos devidamente cancelados);
  7. Levou também uns 50 CD de MP3, o que estou lamentando muito;
  8. Levou também um bauru de forno, o sortudo, porque fica bom demais esse quitute. O carro estava até cheirando;
  9. Não, não vi direito o ladrão. E ele não fez questão de mostrar RG ou crachá funcional, o que teria ajudado na identificação na polícia;
  10. Depois de estacionar, fiquei perguntando às pessoas se uma delas queria me assaltar, porque é o quer faço normalmente… claro que desci e estava entrando quando fui abordado pelo meliante!;
  11. Não, não o reconheceria, mesmo que eu o encontrasse diretamente;
  12. Não levou dinheiro porque eu não tenho eu o carrego, por sorte questões de praticidade, em outra carteira;
  13. Sim, ainda bem que estou vivo para contar;
  14. Levou meu celular, meu querido Blackberry, que está fazendo mais falta que o carro. Mas logo vem outro por aí.

 

Não gosto de ficar contando essas coisas. Esclarecido que estou bem, a vida continua. e ela é bem boa, o carro estava no seguro, estou já fazendo piada com o fato. Importante é, nessa altura do campeonato, estar vivo.

Aviso

Aos amigos: meu celular de Campinas passa por dificuldades técnicas, e anda meio misantrópico. Assim que o curarmos, aviso. Enquanto isto, meu fixo e meu do Rio continuam funcionando...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Semeando no deserto – As palavras de Tostão

Reproduzo abaixo, sob pena de ser solicitado a removê-lo, texto de Tostão publicado em 18/02 ,a Folha de São Paulo, sobre a violência no futebol.

Tostão é um comentarista esportivo que não prende suas análises ao contexto esportivo. Utiliza o mundo como referência, e é um craque das palavras como o foi no futebol. No seu último parágrafo, ele destaca nossa apatia perante o que deveria ser a agenda nacional, se estivéssemos empenhados em enfrentar nossos problemas.

 

TOSTÃO
Contradições humanas


A violência urbana, dentro e fora dos estádios, e a falta de cidadania são uma vergonha para o Brasil

O SER HUMANO está, com frequência, dividido, mesmo quando não percebe, entre o prazer e a realidade, entre a ambição e a ética, entre ganhar uma partida a qualquer preço e respeitar as regras e os adversários.
Além da guerra urbana e da ida dos marginais para os estádios, a violência dentro e fora dos campos ocorre por causa da hostilidade entre os dirigentes, da pressão que sofrem os atletas e os treinadores para vencer de qualquer jeito e do exagerado destaque que a mídia dá às rivalidade entre os grandes clubes de um Estado.
Na emoção de uma partida, muitos atletas, mal-educados e pressionados por todos os lados, esquecem os valores éticos e o respeito pelo adversário e mostram todo o ódio e a agressividade humana.
No relacionamento com as torcidas organizadas, os dirigentes têm um discurso para a imprensa e outro quando recebem esses torcedores em seus gabinetes.
O presidente do Corinthians deu um grande número de ingressos para o jogo de domingo para a turma barra-pesada. Essa relação perniciosa, que acontece em muitos clubes, contribui para a violência. Esses torcedores se sentem protegidos, poderosos e acima das leis.
As contradições estão em toda a parte. É frequente ver pessoas, no futebol e em todas as atividades, participando de atividades solidárias, posicionando-se contra as injustiças e, ao mesmo tempo, tendo comportamento ganancioso e pouco ético no cotidiano.
Alguns grandes empresários, que se orgulham de seus trabalhos sociais, são os mesmos que pressionam e se aliam a políticos para serem beneficiados em seus lucros, prejudicando a população.
Como escreveu Ferreira Gullar, Lula tem um discurso para os ricos e outro para os pobres. Ocorre o mesmo em relação ao esporte.
O presidente fala uma coisa para os dirigentes e outra quando dá uma entrevista à ESPN Brasil, uma emissora independente e crítica.
Lula não pode nem deve mudar as regras do esporte por meio de decretos, mas pode influenciar mudanças nas leis, como a de acabar com a prática de dirigentes se perpetuarem no poder.
Na semana passada, o presidente do Vasco recebeu acusações e críticas. Roberto Dinamite se defendeu. Os fatos precisam ser apurados. Uma das críticas, confirmada por Dinamite, é a de que o clube paga um salário de R$ 9.500 para um parente. Como dizem os políticos, o presidente alegou que precisa de uma pessoa de confiança a seu lado.
No futebol, em todas as atividades e em todo o mundo, os que lutam pelo poder, alegando motivos nobres, costumam fazer as mesmas coisas que seus antecessores.
No Brasil, as irregularidades são mais frequentes, por causa da impunidade e da prática disseminada do jeitinho brasileiro.
Pior, mesmo as pessoas de bem se acostumam com tudo isso.
Poucas ficam indignadas com o absurdo da violência urbana e nos estádios, com os abusivos gastos no Pan-Americano, com as agressões entre os jogadores durante as partidas, com as pessoas que jogam lixo nas ruas pelas janelas de seus carros de luxo, que estacionam em filas duplas e com tantas outras coisas comuns no cotidiano
*.

* O grifo é meu.

Texto publicado na Folha de São Paulo, versão impressa, em 18/02, no caderno de Esportes, e é acessível pelos assinantes do jornal.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Pessoal

Saio agora para um funeral. De uma pessoa muito querida (parente), cuja amizade, naturalmente, negligenciei. E, cada vez que sinto isso, prometo-me ser mais presente, mais ativo, mais amigo, mais próximo. Para logo em seguida me acomodar e culpar a vida, a correria, o dia a dia…

Somos prisioneiros de nossas algemas, e sofremos por isso…

Nada acontece por acaso?

Entre alguns de meus amigos, essa frase é um axioma. Dita sempre naqueles momentos em que o leite já se derramou, não tem remédio, e outros clichês. Acontece que não é assim. Ao menos, não é necessariamente assim.

Todos temos acontecimentos desagradáveis na vida. Quando utilizamos o chavão acima, é para nos convencermos de que não podíamos ter feito nada mesmo, e que a roleta da vida nos foi desfavorável. É nossa forma de enganar a frustração e seguir em frente.

Iconoclasta que sou, ouso dizer: sim, algumas coisas acontecem por acaso. Isto quando o fato em si não o poder de gerar mudanças. Ou quando nós, defronte ao fato, não geramos a mudança. Quando aceitamos que a vida está predeterminada, nossa capacidade de ação ou reação diminui e muito. Há pessoas que, frente ao problema ou ao insucesso, não fazem nada. A não ser, claro, lamentar e choramingar. Não aprendem com seus insucessos, e nem acreditam que isso seja possível. Para essas pessoas, as coisas acontecem por caso, mero acaso, somente acaso, e nada mais que acaso.

Mas há aquelas que escolhem reagir. Há aquelas que escolhem identificar as causas, entendê-las, encará-las. Para essas pessoas, não há acaso, senão o da primeira vez. A partir daí o aprendizado passa a comandar.

Sempre me exaspero quando vejo aquelas (faltas de) reações diante dos problemas. E sempre me compadeço dessas pessoas. Pode ser somente uma falha de caráter minha, mas fico pensando como é que alguém pode ser inerte às coisas que afetam diretamente suas vidas. Como essas pessoas encaram a vida como um rio, que, com sua correnteza, as leva aonde ela quiser. Essas pessoas escolheram não escolher. E ficam à mercê mesmo da vida.

Confúcio disse que um homem nunca toma banho duas vezes no mesmo rio. Mas alguns bem que tentam. Enganam-se, procurando no que acreditam ser o caminho cômodo a segurança que acreditam lá estar. E, nessa busca, esquecem-se dos buracos, das pedras, dos obstáculos. Desperdiçam as lições da vida.

Sim, algumas vezes as coisas acontecem por acaso, mero acaso.

Este é um tema recorrente, que chove no molhado de alguns textos dos últimos dias. É que a discussão foi grande, sinal de interesse. Mas nossa zona de conforto (todos temos uma, pequena ou latifúndio) muitas vezes nos impede de ver que estamos nela. Basicamente, é a mesma frase que falo sempre: nós estamos no comando de nossas vidas. E nem mesmo algumas de nossas maiores crenças tem o poder de mudar isso.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Sobre redes sociais

Por conta da privacidade, cancelei minha conta no orkut.  Imediatamente, criei uma rede social, aliás duas, no Ning.

O Ning é um daqueles serviços da internet onde qualquer um pode se inscrever e usufruir. No caso, a funcionalidade é a de criar sua própria rede social, com gerenciamento de regras. Embora já existam várias opções, a Ning me pareceu a mais apropriada para o momento.

Escolhida a ferramenta, fui lá criar a rede e acabei criando duas. Uma delas, a Keep In Touch – Network, tem o objetivo de gerar e manter contatos com pessoas com as quais me relaciono profissionalmente. Como tenho mais de 5.000 contatos em minha lista de contatos, a idéia pareceu boa. Como sou muitas vezes solicitado a indicar pessoas para a(s) área(s) em que atuo, pareceu que manter contato seria uma boa idéia, até como fonte de atualização. Claro que já há gente grande nesse nicho (Plaxo e Linkedin, por exemplo). Mas a Keep In Touch – Network parece ser uma maneira de abreviar as coisas.

Já a outra rede é para os amigos. Ou seja, aquelas pessoas que não conheci no ambiente profissional. Ou algumas que até foi assim, mas cuja aproximação permite um tipo diferente de contato. A rede é a Keep In Touch – Friends.

A grande vantagem é que podemos gerenciar acesso e outras ações de acordo com nossa vontade. E, quando digo nossa, quero dizer que, de futuro, vou atribuir a outras pessoas a co-gestão da coisa. Até mesmo torná-la pública, se for o caso, pois hoje não é.

A grande desvantagem é que precisamos convidar as pessoas a participar e aquele link pode parecer uma daquelas cyber-armadilhas. Mas essa é outra história.

Por isso, se você receber um convite com um link para o Keep In Touch – Network ou Keep In Touch – Friends, dê uma passada por lá para avaliar se merecemos sua companhia.

Logo - KITNetwork

 Logo - KITFriends

Ainda estamos começando, mas chegamos lá. Na medida do possível, vou agregar novas funcionalidades às páginas, para ficar o mais próximo possível do orkut, o grande campeão nacional.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

A união faz… açúcar???

Ao final da década de 60, o povo, oprimido pela ditadura, estava nas ruas. Bem, senão nas ruas, estava mobilizado. Como se mobilizou nos momentos mais marcantes, como no caso do RioCentro, no Rio de Janeiro, e no caso das Diretas Já. Na deposição de Collor, o povo estava nas ruas, representado pelos cara pintadas e pelos manifestantes de preto. Foram momentos em que a idéia comum era a união contra algo ou alguém que representava uma ameaça. E o povo se uniu.

Eram grandes preocupações sociais. Contras as quais, se não houvesse união, não haveria vitória, senão dos mesmos estamentos que enriqueceram à custa da pobreza, da doença e da falta de cultura (educação) da população. Mas eram preocupações que tiveram o poder de aglutinar as pessoas em torno de uma idéia, talvez mesmo um ideal (como as Diretas Já, em que Lula esteve no palanque ao lado de tantas outras personalidades de nossa política).

Hoje as coisas não estão assim. A CPMF não mereceu manifestações populares. Como não mereceu o escândalo envolvendo o presidente do senado, nem o mensalão. A classe, ensimesmada na labuta diária em torno da sobrevivência, se desmobilizou. A classe pobre/miserável, com os auxílios-cala-boca do governo, aproveitaram para usufruir de uma jactância verdadeira, embora passageira e paliativa. A classe estudantil foi para os semáforos, para pedir sua bolsa-cerveja, ou foi para os campi, para dar as boas vindas aos seus novos colegas (carregado de sarcasmo aqui).

Enfim, há o cidadão (talvez), mas não há a sociedade. Há (talvez) a saciedade, mas não há a consciência. Há o povo, mas não há o poder democrático (do povo, pelo povo, para o povo). Não há união, há o indivíduo querendo ainda sanar suas necessidades mais básicas ou querendo satisfazer aquelas necessidades que nem sabia que tinha, mas aprendeu a dar importância (como Maslow era sábio!).

E nossa cultura refle a a falta de engajamento. Enquanto tínhamos nossos “cálices” e “óperas do malandro”, do Chico., na época da mobilização, hoje temos de amargar os tchans da vida. Enquanto tínhamos a UNE e os sindicatos como entidade de mobilização nacional, hoje temos representações que pretendem somente notabilizar seus membros, para, quem sabe, conseguir um mandato qualquer por aí…

Dois heróis esquecidos: Eriberto França e Sandra Fernandes, que denunciaram as armações do período já pós-ditadura. E que jogaram o povo na última união que se viu nesta terra de saúva.

A União (a empresa) faz açúcar e álcool. Já a união (nossa) deveria fazer a diferença…

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Questão de atitude – nós fazemos nossa história

Ninguém pode decidir morrer; mas algumas pessoas decidem não viver.

Ouvi a frase acima (ou uma parecida) não lembro onde, quando, ou em que contexto. mas ela ficou passeando em minha cabeça desde então.

Todos conhecemos pessoas que decidiram não viver. São aquelas que se acomodam, veja só, nos problemas. Tudo está ruim, nada tem conserto. Se as empurramos à ação, elas sempre nos apresentam um “porque não”.

- Quando eu conseguir…

- Quando eu tiver…

- Só depois de…

- Só se…

- Não consigo…

Pessoas que desistem antes da luta, que se atrevem a não se atrever: pessoas para quem a vida passa, como o rio. Pessoas desmotivadas e, muitas vezes, desmotivantes, que não têm energia positiva e ainda sugam a nossa. São pessoas que desistiram de viver, ao ao menos decidiram não se esforçar. Não estão mortas, mas não estão vivas. Ao menos para a vida, porque não vivem.

Resistem bravamente aos nossos apelos por uma reação. Explicam, com argumentos sólidos como tofu, o porque de sua apatia. Admiram-se com nossa tolice, com nossa inocência juvenil de querer mudar a vida. Olham-nos com aquela piedade de quem já sabe de tudo, ao contrário de nós. Fazem com que nos sintamos impotentes onde justamente somos mais poderosos: nossa vontade.

Mas há aquelas, e ainda bem que sempre há, que se negam a aceitar a contrariedade. Ao menos como fator de desânimo e mau humor. Essas são as pessoas que se levantam da queda, rindo de si mesmas, e “prontas para outra”. São pessoas que buscam o motivo da queda, gerando aprendizado, para evitar uma próxima. São aquelas pessoas que sorriem na dificuldade, nem que seja para não esquecer de como se sorri. E são aquelas que celebram com gargalhadas gostosas as vitórias, pois que estas vêm, talvez não sempre, talvez mesmo sem a frequência desejada. Mas elas chegam. São as pessoas que enfrentam os problemas, que traçam seus rumos (e os concretizam, no mínimo tentam) e que, no final das contas, dormem o sono profundo dos cansados de guerra. Estes são os construtores, são os arquitetos, são os dirigentes, são ao mesmo tempo o passageiro de suas vidas.

Mas o melhor é: podemos escolher de que tipo somos. E, se precisarmos reclamar, que seja desta decisão. Ou da falta dela.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

I´ll be there

Uma das músicas inesquecíveis, na voz deliciosa de Mariah Carey.

Publicando rapidinho antes que o vídeo seja retirado…

Espírito de porco

A expressão “espírito de porco”, segundo o site “Amigos do Livro”, é a seguinte:

Nos tempos coloniais os escravos faziam todo tipo de trabalho, do mais leve ao mais pesado. Um, em especial, causava terror: negavam-se a abater porcos. Achavam que os espíritos suínos lhes atormentariam à noite. A expressão passou a designar quem incomoda, atrapalha, é inconveniente.

Quem nunca se deparou com uma pessoa ranzinza, mal humorada, daquelas que nunca dizem nada construtivo? E pensou, mesmo sem querer, que a pessoa era um “espírito de porco”? Pois há mesmo as pessoas que são assim. Um olhar sempre sob o paradigma da crítica, da percepção do que pode estar errado. Desconfiança sistemática, ache – e fala- que por trás de todo gesto sempre tem uma intenção malévola. Ninguém é bom o suficiente, a não ser a própria. É daquelas pessoas que evitamos, pois seu mal humor e sua ferinidade – e ofensividade – nos aconselham a ficar longe.

E, pior, essa pessoa acha que é a fina flor da objetividade, da franqueza. Nunca se preocupa com os danos que causa, ao contrário: critica os que se incomodam com a “verdade”. Podem até se dar bem, nos diversos campos em que atua, mas fica sempre a impressão de que poderiam se dar muito melhor, caso substituíssem suas carrancas e bravatas por sorrisos e gentilezas.

Mas, claro, este é um texto de um espírito de porco…

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Conta bancária emocional

Stephen Covey nos apresenta o conceito de conta bancária emocional, do qual sempre me lembro quando me deparo com situações em que a história fala mais alto que os fatos. São aquelas ocasiões em que o preconceito em relação aos atos de determinada pessoa nos deixam com a séria desconfiança de que suas palavras não traduzem a verdade: ele será traído pelos próprios atos.

O conceito é bem simples: meus atos de atenção, dedicação, honestidade, sinceridade e outros geram um crédito na conta bancária emocional, que pode vir a compensar eventuais falhas e minha parte. Há confiança suficiente para que determinadas ações sejam facilmente perdoadas, e a convivência se torne mais fluida, mais fácil.Mas, naqueles casos em que as ações são de desatenção, insinceridade, deslealdade, a conta bancária se torna devedora, e todas as ações são esperadas para no sentido de confirmar esse déficit. Não há confiança, e mesmo onde ele se apresenta, é sempre sob sursis.

Em alguns relacionamentos, essa é a regra. Ainda assim, as pessoas se suportam (se dão bem, eu ia escrever). Mas, em outros, esse é o prenúncio de que a relação está falida.

Essa é uma condição “cega” de muitas pessoas, o que explica, mesmo sem justificar, o grau de desacerto. Mas, em outras, é uma condição não gerenciada, o que mostra certa negligência no trato com outras pessoas, o que não é senão triste.

Quando me deparo com situações desse tipo, a música abaixo me vem à cabeça, e mesmo um ato falho me faz cantarolá-la, o que denuncia o que estou pensando.

Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água...

Chico Buarque

 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O castelo do parlamentar

O Brasil tem 513 representantes na Câmara dos deputados. Quinhentos e treze. É muito? É pouco? Como avaliar?

Várias formas.

Pelo muito que há por fazer, é pouco. O Brasil ainda é um país em que a Constituição pretende acabar com todos os problemas. Daí algumas premissas como a de que a saúde é dever do estado, etc. De que forma deve o estado tratar a saúde? Isso seria tarefa dos deputados. Em termos de infra-estrutura, impostos, ainda há muito que ser regulado, ou seja, é necessária lei complementar. Então, por este critério, é pouco.

Pelo que se tem feito, é muito. Basta dizer que a reforma do código civil ficou mais de vinte anos (vinte anos) para ser aprovado. Gostaria de poder dizer que foi porque as mudanças eram tão significativas que as discussões foram acaloradas e realmente demandaram esse tempo. Não se pode dizer isso. O congresso nacional trata muito mais de assuntos políticos que da regulação das atividades nacionais. Exemplos, temos aos montes. Quanto tempo a pauta ficou trancada pelo julgamento do então presidente do senado (do senado, eu sei. Mas atingiu, com certeza, a câmara)? Enquanto as votações que lhes interessam são rápidas, as que não rendem dividendos são postergadas…

Pelo que se trabalha, é muito. Basta lembrar que foi decidido que somente haverá sessões de votação de terça e quinta. Isso significa que é terça à tarde e quinta de manhã. Pois que os excelentíssimos precisam viajar para Brasília, e poucos o fazem na véspera (ou no dia seguinte, no caso da quinta).

Pela quantidade de escândalos, é muito. Não há necessidade de comentários adicionais.

O custo que representa um parlamentar é um exagero. No país que elegeu um presidente cuja bandeira era lutar contra a fome, há muita gente comendo lagosta. À custa desses que passam fome.

A democracia, essa entidade que não se pode criticar sem receber pedradas, está longe de ser “para” o povo, como na famosa definição (pelo povo, para o povo). Sob a falsa noção de que escolher nossos representantes já é o máximo que podemos obter, paralisamos toda e qualquer ação que aprimore nossa representatividade. Mas, ora que bobagem, quem vai votar essa mudança é justamente o mais interessado em não mudar nada…

O castelo? É só a exacerbação do que já acontece por aí. Mansões, barcos, propriedades, bens. Não chamam tanta a atenção como um castelo (que,como disse José Simão, fere tanta a ética como a estética).

Talvez, e somente talvez, haja punição. Desconfio que não é pelo caso em si. Mas pela falta de discrição. Chamando a atenção!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Tecnologia retrô

Mereci um comentário irônico por este post. E que me fez voltar no tempo.
Tempo em que eu era tecnocrata, e, então como agora, precisávamos fazer apresentações e documentos. Como era dura a vida…
  • TED 2D – para gerar imagens, sempre em preto e branco, e sempre em duas dimensões, como diz o nome. Uma batalha interessante, a de fazer com que imagens e textos coubessem harmonicamente na mesma folha de papel;
  • Redator (da Itautec) – o programa era bom! Fazíamos e acontecíamos com o dito cujo. Claro que tinha lá suas limitações, comparadas ao Word, que ainda mandava currículos nessa época (ainda era estagiário). Mas, limitações à parte, logo depois da máquina de escrever, era o grande apoio que tínhamos para nossos textos;
  • Às vezes, os mais atrevidos usavam o Wordstar. Que, com seus milhões de comandos (control-qualquer coisa, shift-outra coisa) davam um aspecto um pouco mais profissional. Claro, se você soubesse os comandos…
  • Planilhas, um palavrão. O Excel ainda não imperava. Usávamos o Lótus 1-2-3, os que nos atrevíamos. Nunca tivemos necessidade dessas planilhas que hoje são parte essencial de nossas vidas (tenho no meu PDA minha lista de compras do supermercado e meu check-list para arrumar minhas malas para viagem);
  • Para fazer apresentações projetadas, utilizávamos o famoso Harvard Graphics (o HG); numa interface muito mais sofisticada que os demais produtos da época, arrasávamos com n ossas apresentações (ainda em canhões de laser ou datashow);
  • Para transportar os dados gerados, disquetes de 5” 1/4. Uma tremenda evolução depois dos de 8”. Tanto em termos de tamanho como em termos de capacidade. Nada comparado ao disquete de 3,5”. Mas dava para viver.
  • Alias, o wordstar carregava do disquete, no meu laptop Toshiba T-1000, que nem hd tinha. Com um clock de 4,77 Mhz, era o máximo do máximo o bichinho.
  • Nossa estação de trabalho era um terminal 3270, o chamado “terminal burro”. Acessávamos os programas do mainframe e tínhamos de alternar o trabalho em microcomputadores. Ainda não era essa facilidade que é hoje.
Enfim, tudo isso era uma evolução perto do que deixávamos para trás. Máquinas de contabilidade mecanográficas, como a Sharp BA 1000, ou a NCR eram nossos instrumentos para fazer balancetes e balanços, e para escriturar toda a contabilidade. Com barras de programação, quando foram substituídas pelas máquinas de perfurar cartões foi uma tremenda evolução. Mas, comodities, foram logo substituídas pelos minicomputadores em locais estratégicos do Brasil, ainda se comunicando com mainframes, seja por transmissão de fitas, seja pela entrega físico nos pontos de processamento.
A época ainda era de transição meio confusa. O ambiente abandonava o paradigma de processamento em batch, para ir não se sabia aonde ainda. Hoje, nas empresas mais desenvolvidas, o batch faz parte de conceitos de museu. Na época, era o que salvava as operações.
A tecnologia, como afirmou Alvin Tofller, veio para ajudar. Mas criou os choques. Ainda há muita limitação no forma com que encaramos sua utilização. Estes dias, ao trocar meu player de CD do carro (queria um com Bluetooth), a loja não aceitava o cartão que eu apresentei. Do meu smartphone, entrei no site do banco, efetuei a transação de transferência de conta, imprimi o comprovante em PDF e o enviei à loja, tudo isso na frente da atendente. Que ficou com cara de estar sendo vítima de fraude… impossível!!!
Back to the future, ainda há muito que fazer. Meu notebook já está grande para ser transportado. Aos meus smartphones, falta capacidade de processamento. Ou seja, nunca estaremos satisfeitos.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Lula, e a oportunidade perdida

Nunca antes na história deste país um presidente teve popularidade tão alta. É o recorde dos recordes. Nem a crise arranhou a popularidade de Lula. É o presidente que mais sucesso fez com a aceitação do povo, a orquestração política, a submissão da oposição. Mas esse sucesso não se traduz senão em popularidade. O país não melhora com essa quase-unanimidade, que deve ser quase-burra.

Há importantes reformas por fazer. A reforma política, para dizer uma que emociona poucos os brasileiros. Mas há outras que afetam diretamente nosso dia-a-dia. A reforma tributária, por exemplo. Uma das maiores cargas do mundo, nossa contribuição, na verdade, banca um dos governos mais corruptos do mundo (octogésima posição, segundo a Transparência Internacional). Ou seja, podemos estar financiando a boa vida de alguns.

Nossa segurança, educação e saúde, dizem, estão sem verbas. Ou sem as verbas necessárias a realizar tudo que é necessário.

Lula, com esse índice de aprovação e o acerto político que conseguiu, poderia fazer com que algumas dessas ações se viabilizassem. Poderia transformar seu capital político em realizações. Poderia se transformar no estadista que sempre proclamou que seria. Mas se perde em conchavos para acomodar essas forças tão díspares sob suas asas, como destacou Eliane Cantanhêde na Folha de 05/02. A fim de calar os críticos, e para manter uma imagem de coesão, perde uma oportunidade jamais vista: a de enfrentar os problemas do Brasil com força suficiente para resolvê-los ou encaminhá-los.

Diz-se, sempre, com relação aos presidentes, que a história os julgará. Neste caso, acho que o veredicto é flagrante: pavoneando-se, deixou de realizar o que poderia.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

As decisões e seus preços - continuando

O post mereceu dois comentários (!!!), e acho que merece aprofundamento.

Algumas vezes, a melhor decisão é não decidir. Outras vezes, a pior decisão é melhor que decisão nenhuma. Como saber diferenciar um e outro tipo?

Não sabemos. Não podemos saber. Na verdade, não precisamos saber. O homem é o único animal que pode decidir com base em dados lógicos. Nem sempre o faz. E nem sempre faz errado quando não toma o caminho lógico.

Pois que o homem tem o dom de inovar, de criar. O que nem sempre é compatível com o conceito de lógica, que é somente o referencial de determinado momento da evolução. Assim, para criar, para evoluir, a lógica pode ser esnobada. Se há sucesso, comemora-se. Se há fracasso, dois caminhos podem ser trilhados.

O primeiro deles trata da indefectível percepção dor-prazer. Evitamos o que causou dor, repetimos o que causou prazer. Evitaremos o novo, o inventar, o inovar. E este é o caminho mais fácil.

O outro caminho, mais árduo (e, portanto, mais sedutor, diz meu vício pelo desafio) é aquele que nos obriga a parar, lamber as feridas, analisar o que deu errado, planejar o próximo passo, e voltar a inovar, criar, ousar. Pois que o homem não é diferente somente pelo seu poder de decidir. Mas pelo seu poder de resposta, de adaptação, de entronização do erro, de transformação do erro em aprendizado. Esse é poder do ser humano, daquele que é princípio ativo.

Mas que não nos escondamos. Costumo defender que nossas derrotas, nossos fracassos, têm de ser lamentados, sofridos, sentidos. Têm de causar dor, têm de incomodar, têm que ter o condão de nos fazer lamentar profundamente o erro. Sem, entretanto, tirar de nós a ousadia de fazer aquilo em que acreditamos, de tomas as decisões que achamos corretas. Nossos fracassos, portanto, têm de fazer com que tentemos novamente, tomando todo o cuidado para que o obstáculo seja superado.

Stephen Covey professa que tenhamos nossa vida guiada por princípios. Concordo. E que esses princípios sejam o norte de nossas ações. Que sejam o juiz capaz de, consultado, dizer que o caminho certo é um determinado, porque aderente a um componente axiológico de nosso credo. Eu concordo.

Assim, se nossas decisões são tomadas com base em um valor, e baseadas no princípio que tudo é aprendizado, acredito, verdadeiramente, que são boas decisões. Podem não nos levar ao ponto que queríamos. Mas, às vezes, é melhor perder o foco que desdizer nossas vidas.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Blogueiro amador e preguiçoso

Horas de prestar contas!

  1. Recebi um meme da Estrela de Orion. Fiquei todo orgulhoso, claro, como manda o figurino. Escrevi o post, e, na hora de indicar outros blogs, me dei conta de que sou um autista bloguífero. Não acompanho outros blogs, a não ser o único que tinha para indicar. Santa misantropia, Batman!!! Mas estou me esforçando para superar o problema rápido. Outro dia, a Rô, do Blogger’SPhera, disse que éramos parecidos, ficávamos quietos em nosso cantinho. Acho que fico quito até demais…
  2. A Rô, do Blogger’SPhera, me indicou que há problemas na minha numeração de páginas. Ao menos, podia ser melhor. Preguiçosamente, ainda não fui atrás. É, quando a gente vai atrás, a coisa se resolve, de forma quase mágica… Mas ainda vou ver isso, prometo.
  3. A Belatrix, do Estrela de Orion, me disse que minha nuvem de tags está com problemas. Verdade. Confesso que vi isso desde a novidade ser colocada. Mas fiquei tão vaidoso com aquele negocinho rodando ali que deixei. Também vou atrás disso. Só não sei quando.
  4. O Dig, do Casa Na Estrada, está com problemas de armazenamento de imagens. Pediu-me ajuda, e ainda não me DIGnei a ajudá-lo. Belo amigo. Vou responder, prometo.

Na verdade, acho que tenho um leitor realmente assíduo deste espaço, que sou eu mesmo, que esqueço o que escrevi, como Fernando Henrique Cardoso. Aí, venho ver, o que é que acho mesmo de tal assunto??? Costumo brincar que nem minha mãe nem minha filha leem (precisei apagar o acento. Reforma sem pó não existe!) estas mal digitadas. Assim, penso que ninguém vai ver essas falhas…

E outra coisa: as coisas que realmente estão boas neste espaço são de inspiração “pesquisatória”. Bem, na verdade, segundo a definição de que copiar de muitos é pesquisa, copiar de um só é plágio, é um plágio. baseado no Blogger’SPhera. mas eu me engano dizendo que pesquisei muito e achei coisas mágicas…  Enfim, sou amador. Então, eu me desculpo…

 

Brincadeiras à parte:

Crônicas, humor, textos, divagações e conjecturas é aqui.

O Blogger com seu jeito é aqui.

Do Chui ao Oiapoque - Fazendo amigos pelo Brasil é aqui.

Espaço mal aproveitado: é aqui.

Tecnologias

Trabalho com tecnologia. É natural que goste do assunto. Mas uma amiga veio aqui e achou um exagero. Vamos lá.
Tenho dois celulares. Dois smartphones, claro. Com acesso à internet e com comunicação bluetooth. Os dois estão sempre sincronizados com meu Outlook, a partir do notebook. Que, claro, tem comunicação wifi, com todos os outros equipamentos. Meus dois telefones, mais meu PDA (um IPAQ) estão pareados (emparelhados) entre si, e trocam arquivos e principalmente música. E todos se comunicam com o player de DVD do carro.
Os micros se comunicam com a TV, claro. E com o som. Assim, podemos assistir direto na TV ou ouvir no rádio o que está em qualquer micro ou outro aparelho. No PDA, um simulador de controle remoto (de qualquer faixa). E é claro que para o notebook tenho um modem USB para acessar a internet via celular.
Parece exagero. Não é. Todos os dados são “becapados” diariamente, às vezes mais de uma vez. Quando quero praticidade, uso o notebook. Quando é velocidade, é o desktop. Quando não posso parar, qualquer dos aparelhos móveis.
Na verdade, é uma facilidade. É um avanço do qual tiro o máximo proveito. Se paro em algum lugar sem qualquer dos equipamentos, entro num determinado site (Plaxo) e consulto meus contatos, minhas tarefas ou minhas anotações. Se preciso, entro no meu site (meu ftp) e baixo algum arquivo importante.
Ou entro na VPN da empresa (ou da minha residência) e copio o que precisar.
Meu blackberry consulta e-mails constantemente, e por ele me mantenho sempre up-to-date com minhas pendências e contatos. E, se preciso, faço contatos via skype do meu Palm (smartphone).
Quando temos alguma festa, alugamos uma chácara. Sempre a mesma. Que, digo sempre, compraria de bom grado se eu tivesse dinheiro e se ela tivesse banda larga com TV a cabo. Pois não me imagino hoje sem esses componentes já tão essenciais de nossas vidas.
É, mal acostumado…

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A salada, ora a salada…

Começo da noite, fui correr. Voltei, fui a compromisso e, quando finalmente volto para comer, uma amiga me liga. Enquanto preparo meu jantar. E me pediu para colocar aqui a receita.

Tem receita, não. É o seguinte: salada americana, endívia, radícchio, repolho picado, cenoura ralada, muito hortelã, tofu e kani-kama. Cebolinha picada por cima, o tradicional Ajinomoto, azeite e aceto balsâmico. E sal a gosto. Misturo tudo em uma terrina, como de ohashi.

Normalmente é minha refeição noturna, com uma ou outra variação. Por exemplo, rabanete e acelga quando acho. Tomates de vez em quando. Às vezes, em vez de azeite, óleo de girassol. Alho poró quando estou inspirado. E quando a fome ataca de verdade, penne ou capellini, uma massa, por que não?

Mas está convidada. Não morri ainda, alguma coisa boa deve ter.

O preço das escolhas

Assisti a ascensão de uma amiga na hierarquia, e presenciei dois momentos distintos: quando ela criticava a decisão de um superior, e da mesma decisão que ela teve de tomar tempos depois. Basicamente a mesma ação, o que teria mudado?

Mudam as circunstâncias, mudam as premissas, as necessidades, a prioridade, muda mesmo a compreensão do fato, perante todo o resto. O fato é que pode haver incoerência no ato, mas pode haver evolução. Se somos capazes de compreender uma ou outra, esta é a questão.

Às vezes damos esmolas a menores que a usarão para consumir crack. Outras vezes, a esmola se transforma em comida ou remédio. Como saber? Não há como.

Como resolver, então, se não há como saber?

Às vezes fala o coração, às vezes fala a razão. Assumimos o risco de pagar pela droga do pedinte, ou assumimos o risco de negar-lhe alimento. Mas o preço é nosso?

Como lavar as mãos perante tal drama, num e outro casos? E como não lavar, isto , como poderíamos despir-nos de nossas convicções ou medo e garantir a ação necessária? A resposta é: não sei.

Não tenho poderes para resolver os problemas do mundo. Não tenho nem  para resolver os meus. Devo, então, me fechar para os problemas de outras pessoas? A desculpe é boa? Não, não é.

O fato é que fazemos o que podemos. Se achamos que o resultado será comida, damos a esmola. Se achamos que será droga, não damos. Às vezes a esmola sai, mesmo sem nossa certeza de coisa alguma. Nossas decisões nem sempre são orientadas pela certeza. Na maioria das vezes, são dirigidas pela esperança. E a esperança maior é que sejamos capazes de conviver com o resultado dessas escolhas.

Minha amiga nunca enfrentou sua mudança. Acho que ninguém as apresentou. Assim, para ela, ao menos para ela, a mudança não foi nem sentida. Ou foi uma evolução, um caminho natural. Ou foi só uma coisa sem importância, com a qual ninguém se preocuparia. Quase ninguém.

Que destino, este de enxergar contradições…

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A Copa do Mundo de 2014

O sistema de saúde do Brasil está em colapso há muito tempo. São filas e mais filas, muitas vezes para nada, pois médicos não há. Instalações hospitalares públicas estão sucateadas, precisando de investimentos urgentes para se atualizarem. Sem dizer dos recursos necessários para manter o atendimento. Médicos fogem, e não se pode culpá-los. Os equipamentos, quando existem, estão em estado lamentável. A saúde que vai bem é aquela que pagamos, ou seja, da iniciativa privada. E achamos que pagamos caro, por um atendimento para lá de razoável, quando a Constituição nos diz que é um dever do estado.

Na educação, as coisas não andam melhores. Sucateamento das instalações, parece ser pré-requisito. Salários baixíssimo, o professor é ou um abnegado idealista, ou usa o “emprego” como ponte até que ache algo melhor. E, para professores, o dever acaba sendo muito maior que o direito. Precisam se atualizar, mas como? Precisam manter a diginidade, mas como? Precisam manter a disciplina, mas como? Como? Outro dever do Estado que está somente na Constituição Cidadã.

No campo da segurança, nada mais se pode dizer. É eloquente a série de ataques pelo PCC a delegacias e prédios públicos, feitos recentemente. A inação da polícia e autoridades também foi eloquente: não temos como nos defender. E a violência é epidêmica: em hospitais que não conseguem garantir atendimento, a população ataca. Nas escolas, alunos atacam professores e outros alunos, causando mesmo perda de vidas. Policiais que deveriam nos proteger são aliados dos criminosos. Os honestos carregam em si um dilema cruel: ser honesto (e pobre e sujeito a prematura morte) ou ser como os demais. Ainda há os bons. Sempre haverá ao menos um. E deveriam ser maioria.

Parece que a única coisa que anda bem é o esporte. Não importam crises, desmandos, cartéis. O esporte tem dinheiro. E, se conta acompanhar a lógica dos jogos Pan-Americanos do Rio, teremos um gasto 10 vezes maior que o estimado.

O esporte é circo. O pão está na bolsa (família). Gastaremos (sim, primeira pessoa do plural, pois o dinheiro é nosso) o dinheiro que não temos para hospitais, seguran ça, educação. Gastaremos em atividades que, sujeitas à fiscalização dos Tribunais de Contas, provavelmente não teremos transparência (Jânio de Freitas, na coluna de hoje da Folha de São Paulo, lembra da luta inglória e gloriosa de Juca Kfouri para ver as contas do Pan-Rio).

Pão e circo, já ensinavam os romanos. Mas, do circo, ainda há que concluir: onde estão os palhaços?

domingo, 1 de fevereiro de 2009

A referência a Veríssimo (e Nava)

Fiz referência à paráfrase que fiz de Veríssimo. É baseada no texto abaixo, e me lembro muito bem dele pois eu lia Veríssimo para me divertir, e de repente me deparo com um desabafo sobre o suicídio de Pedro Nava, então com 80 anos.

O suicídio, por si só, já é um choque. O suicídio de alguém com 80 anos, então, é uma daquelas surpresas desagradáveis que nos levam a radicalizar a questão filosófica do sentido da vida.

Mas não só o suicídio literal. Há os suicídios metafóricos a que nos submetemos, ou que assistimos outras pessoas sumeterem-se, e que deveriam nos chocar tanto quanto. E, quando digo chocar, quero dizer que deveriam aflorar em nós sentimentos que nos levassem primeiro a reação quanto ao assunto. E, depois, às ações necessárias a evitar aquela fonte de dor.

Quando digo da percepção dor-prazer, refiro-me sempre à reação animalesca do gato escaldado. Mas, como ser humano, pretensamente inteligente, pretensamente, portanto, com capacidade de aprender, gostaria que o normal fosse o aprendizado, que nos levasse não a evitar o que nos causa dor, mas eliminar a fonte de dor.

Utopia? Com certeza sim, neste nosso momento evolutivo. Mas que um dia pode vir a ser sonho. E, de sonho, podemos transformar em meta. Que, como se sabe, ou dever-se-ia saber, pode ser atingida. (Minhas considerações sobre o assunto, aqui).

Os demais suicídios? Sim, existem às profusões. Quando decidimos acabar um relacionamento, um casamento, uma amizade. Quando resolvemos abandonar uma carreira. Quando desistimos de uma meta, quando matamos um sonho. Quando decidimos que alguém não merece ajuda (suicidamos outra pessoa??? O cúmulo da extrapolação). Não tão radical, mas quando decidimos não conversar, não argumentar. Quando decidimos não decidir, quando escolhemos o caminho mais fácil.

Mas este assunto está tomando rumos indesejados. Vou tratar de suicidá-lo já.

 

Nava

O suicídio é a única questão filosófica, disse Camus. O homem é o único animal que resolve se matar. Que resolve se resolver. O suicídio é ao mesmo tempo um gesto de desistência e de rebeldia. O homem sabota os desígnios que seus tecidos tinham para ele. Se adianta, denuncia a trama na metade, conta o fim da história antes que ela acabe, corta essa. O suicídio é antinatural. Não estava previsto na criação. É um desafio ao sistema. O suicida não está sob nenhuma jurisdição salvo a da sua vontade. É como a masturbação: só cortando as mãos. O suicídio é o supremo paradoxo humano, porque é o último. Não é, como na piada, a autocrítica levada longe demais. O homem se mata para se preservar. Para se desagravar. Para dar uma lição nos outros cujo efeito nos outros ele não vai ver. O suicídio é uma usurpação. O suicida improvisa o próprio cadáver antes que o tempo o faça. É uma extrapolação. Nossa função não é esta. Estamos aqui para ser, sem perguntas. O corpo não é nosso, só temos o usufruto. A vida é a despeito de nós. Este coração pulsando, esta fome, pertencem a outra ordem, que não é da nossa conta. O suicídio é uma intromissão indébita nesse processo lento e obscuro das células e dos astros. Já que não o desvendamos, o explodimos. A gente não vive, a gente é vivida. Não somos as nossas células se decompondo, somos o que contempla a própria degeneração, perplexo. Não somos o cérebro nem a mão que leva a arma ao cérebro, mas somos, finalmente, definitivamente, o que puxa o gatilho. Mas por que um homem de 80 anos se suicida? Num homem de 80 anos o suicídio é quase tão escandaloso quanto uma aventura amorosa. Não se faz. Aos 80 anos um homem já devia ter a sua perplexidade ajustada, num lado, como uma hérnia inoperável. Já devia ter passado por todas as rupturas perigosas - do desespero, da auto-indulgência - que fazem os moços se matarem. Pode se suicidar de impaciente, mas a impaciência também é coisa de moço. Pensei que houvesse uma glândula, algum dispositivo, que na velhice nos reconciliasse com esta coisa que acontece em nós, e da qual não sabemos a metade, que é uma vida finita. Não há. Merda, não há.

Luís Fernando Veríssimo

A referência a Veríssimo (e Nava)

Fiz referência à paráfrase que fiz de Veríssimo. É baseada no texto abaixo, e me lembro muito bem dele pois eu lia Veríssimo para me divertir, e de repente me deparo com um desabafo sobre o suicídio de Pedro Nava, então com 80 anos.

O suicídio, por si só, já é um choque. O suicídio de alguém com 80 anos, então, é uma daquelas surpresas desagradáveis que nos levam a radicalizar a questão filosófica do sentido da vida.

Mas não só o suicídio literal. Há os suicídios metafóricos a que nos submetemos, ou que assistimos outras pessoas sumeterem-se, e que deveriam nos chocar tanto quanto. E, quando digo chocar, quero dizer que deveriam aflorar em nós sentimentos que nos levassem primeiro a reação quanto ao assunto. E, depois, às ações necessárias a evitar aquela fonte de dor.

Quando digo da percepção dor-prazer, refiro-me sempre à reação animalesca do gato escaldado. Mas, como ser humano, pretensamente inteligente, pretensamente, portanto, com capacidade de aprender, gostaria que o normal fosse o aprendizado, que nos levasse não a evitar o que nos causa dor, mas eliminar a fonte de dor.

Utopia? Com certeza sim, neste nosso momento evolutivo. Mas que um dia pode vir a ser sonho. E, de sonho, podemos transformar em meta. Que, como se sabe, ou dever-se-ia saber, pode ser atingida. (Minhas considerações sobre o assunto, aqui).

Os demais suicídios? Sim, existem às profusões. Quando decidimos acabar um relacionamento, um casamento, uma amizade. Quando resolvemos abandonar uma carreira. Quando desistimos de uma meta, quando matamos um sonho. Quando decidimos que alguém não merece ajuda (suicidamos outra pessoa??? O cúmulo da extrapolação). Não tão radical, mas quando decidimos não conversar, não argumentar. Quando decidimos não decidir, quando escolhemos o caminho mais fácil.

Mas este assunto está tomando rumos indesejados. Vou tratar de suicidá-lo já.

 

Nava

O suicídio é a única questão filosófica, disse Camus. O homem é o único animal que resolve se matar. Que resolve se resolver. O suicídio é ao mesmo tempo um gesto de desistência e de rebeldia. O homem sabota os desígnios que seus tecidos tinham para ele. Se adianta, denuncia a trama na metade, conta o fim da história antes que ela acabe, corta essa. O suicídio é antinatural. Não estava previsto na criação. É um desafio ao sistema. O suicida não está sob nenhuma jurisdição salvo a da sua vontade. É como a masturbação: só cortando as mãos. O suicídio é o supremo paradoxo humano, porque é o último. Não é, como na piada, a autocrítica levada longe demais. O homem se mata para se preservar. Para se desagravar. Para dar uma lição nos outros cujo efeito nos outros ele não vai ver. O suicídio é uma usurpação. O suicida improvisa o próprio cadáver antes que o tempo o faça. É uma extrapolação. Nossa função não é esta. Estamos aqui para ser, sem perguntas. O corpo não é nosso, só temos o usufruto. A vida é a despeito de nós. Este coração pulsando, esta fome, pertencem a outra ordem, que não é da nossa conta. O suicídio é uma intromissão indébita nesse processo lento e obscuro das células e dos astros. Já que não o desvendamos, o explodimos. A gente não vive, a gente é vivida. Não somos as nossas células se decompondo, somos o que contempla a própria degeneração, perplexo. Não somos o cérebro nem a mão que leva a arma ao cérebro, mas somos, finalmente, definitivamente, o que puxa o gatilho. Mas por que um homem de 80 anos se suicida? Num homem de 80 anos o suicídio é quase tão escandaloso quanto uma aventura amorosa. Não se faz. Aos 80 anos um homem já devia ter a sua perplexidade ajustada, num lado, como uma hérnia inoperável. Já devia ter passado por todas as rupturas perigosas - do desespero, da auto-indulgência - que fazem os moços se matarem. Pode se suicidar de impaciente, mas a impaciência também é coisa de moço. Pensei que houvesse uma glândula, algum dispositivo, que na velhice nos reconciliasse com esta coisa que acontece em nós, e da qual não sabemos a metade, que é uma vida finita. Não há. Merda, não há.

Luís Fernando Veríssimo

Viajando

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Pelo Brasil afora, algumas vezes a paisagem ajuda. Esta é de um ligar com duas horas de diferença de São Paulo. Quer dizer que às 20h, o sol ainda estava assim.

Desde quando eu era um tecnocrata eu viajo pelo Brasil. E, hoje, pelos contatos que tenho, continuo viajando… Sempre tenho uma mala semi-pronta. Algumas vezes, tenho mesmo de comprar mala e roupas em algum lugar onde preciso passar noites e dias.

Outro dia, numa viagem a Recife, soube que precisaria passar o fim de semana no nordeste, pois teria de passar a semana seguinte em Salvador. Ou seja: escolher entre Recife e Salvador.

Meus amigos não entendiam minha irritação.

- Aproveite!

Então… mas viajo tanto que quero passar o final de semana em casa. Quero cozinhar, correr na Lagoa do Taquaral, ver minha família, minha filha. Quero ficar longe de aeoporto, de hoteis, de restaurantes. Quero abrir meu guarda-roupa para escolher minhas roupas, não o guarda-roupa de um hotel e achá-las todas vincadas por terem saído da mala.

Enfim, viajar é bom. Mas, quando se viaja demais, nossa casa é mais que o lugar onde se dorme. É o lugar onde nos encontramos.