segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Procrastinações e condescendência

Quando eu era tecnocrata… havia uma prática comum que era a procrastinação em relação a assuntos urgentes. Apesar de urgentes, mais temíveis que suas consequências era a reação dos atingidos, num ambiente organizacional altamente volátil. Como o temor era geral, a procrastinação era encarada como natural. Ou seja, todos eram condescendentes com a situação.

Nesse tipo de situação, as consequências eram palpáveis, concretas, daí a cobrança de uns poucos rebeldes amotinados. Mas, e quando as consequências não são assim claras?

Em nossa vida pessoal, muitas vezes tomamos posições baseados no que achamos que acontecerá. Projetamos um resultado, e agimos para atingi-lo, evitá-lo ou alterá-lo. Quem paga os preços? Nós, e aqueles que nos rodeiam. Ou seja, o preço, este sim, é palpável.

Quando vejo pessoas passando mal e se recusando a ir ao médico, sinto por suas famílias. Sua indecisão (ou pior, decisão de não procurar ajuda) pode afetar a todos aqueles que o cercam. É teimosia pura, da pior espécie. o caminho natural deveria ser o de procurar ajuda. Nem sempre é.

Há também aqueles casos em que pessoas convivem com alguém que apresenta problemas de alcoolismo, por exemplo. Bebem, pegam o carro, fazem barbaridades, brigam no trânsito. E essas pessoas quietas…Parece que nem mesmo o risco à vida os tiram da inércia comportamental. E, de novo, os resultados são (podem ser) trágicos.

Algumas vezes, decidimos por conta dessas projeções. E são individuais, particulares, nem sempre admitem co-autoria, embora sempre causem críticas e comoções. Pois que a liberdade de escolha existe, mas se concretiza somente com a liberdade de ação.

De minha parte, posso esperar, pacientemente por algum desfecho. É o famoso “decidir não decidir”, cabível em alguns casos. Mas, quando se impõe decidir, para o bem ou para o mal, é preciso tomar uma posição. Depois, tal qual na Alcatéia de Seoni, lambemos as feridas. Pois estaremos vivos para tal.

 

Obs.: a primeira frase está em destaque porque vários textos a contêm. É, deve ser um vício de linguagem…

Obs2.: a Alcatéia de Seoni é o lar dos lobos que acolheram Mowgli, na excelente obra de Kippling. Vale a pena.

Obs3.: o José Simão diz que mocreia não tem acento, mas continua feia. Alcateia não tem mais acento, mas estou ignorando a regra. Iconoclastia pouca é bobagem!

Um comentário:

  1. Faltou complementar a frase:
    "....na era mezosoica."
    abraços.
    dig

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