quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Mais um ano!

Entre os amigos, é famosa minha dedicação ao meu relacionamento com minha filha. Que hoje faz 16 anos.

Saí logo de madrugada para uma viagem. E, claro, as imagens daquele dia que parece que foi ontem (no clichê vivo) viajaram junto comigo. Algumas destas imagens estão descritas aqui. Mas as de hoje são efemérides também, e me permito repetir algumas…

Lembro daqueles anos intermináveis que transcorreram entre o momento em que a mãe foi para a sala do parto e o momento em que a médica veio me chamar. Sim, porque o tempo parecia parado, naquela pasmaceira que só antecede os grandes momentos de nossas vidas. E lembro da avó me dizendo que eu estava calmo demais… Talvez tão ansioso que anestesiado. Afinal, não era um dia qualquer.

A menina com muito cabelo, que continuo jurando que, nos braços da enfermeira, olhou para mim e me reconheceu.

E aquela que cresceu, sempre muito pertinho de mim, sempre com muita conversa, sempre com muito carinho. E que, aos poucos, mas muito rapidamente, vai decolando para a vida.

Nestes dezesseis anos, nossa amizade aflorou, e nos permitimos compartilhar muita coisa. Entramos juntos na internet, compartilhamos vídeos engraçados, toscos, tristes, infamantes, difamantes… Ler textos um para o outro, assistir juntos a alguma coisa na TV, ou sentar e conversar, por longos momentos, no sofá, sem mais nada ligado.

- Ser pai é muito bom. Se eu soubesse que era tão bom tinha registrados todos!, costumo, cafajesticamente, brincar. Mas é muito bom mesmo, é a gratificação de ver um pequeno ser indefeso se transformar em uma pessoa completa, cheia de vida e de motivação.

Quando ela nasceu, compramos outro carro, talvez por achá-la muito grande… E a vendedora, ao saber do motivo, me disse:

- Você nunca mais vai dormir como antes.

É verdade, há sempre o pensamento,o primeiro e o último, que se dirigem, preocupados e aflitos, a ela.

Um outro amigo me disse:

- Com o tempo, as preocupações mudam. Mas ela será constante.

Permito-me dizer que o cuidado é constante, a preocupação é a exacerbação do excesso de zelo. Exagero, portanto.

E mais um ano se passa, com nossa evolução natural, eu já me preparando para que a vida assuma. E, embora o aniversário seja dela, o presente é meu: uma adolescente que pulou a adolescência, que conversa como adulta, age como adulta. E é amiga como poucos adultos jamais serão.

Mais um ano! Como eu digo sempre, a mãe dela está ficando velha…

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Repeteco do repeteco – a Verdade de Drummond

O texto abaixo foi publicado originalmente por mim aqui. E repetido aqui. E sempre me lembro dele quando me deparo com situações em que os lados estão cheios de razão, mas só perdem no embate. Se há verdade, ela pode não ser a única. E depende sempre da ótica de quem vê, das lentes pelas quais se olha. Se o mundo carece de interpretação, há verdades muitas, certezas muitas, e talvez pouca confluência.

E, de novo, parecem todos caminhar em direções diferentes, cada um com sua verdade, que acontece de querer impor aos demais. Em cada situação dessa que assisto ou que participo, lembro de Drummond e deste poema.

Mas esta é somente a verdade dele…

 

A Verdade (Carlos Drummond de Andrade)

 

A porta da verdade estava aberta,

Mas só deixava passar

Meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,

Porque a meia pessoa que entrava

Só trazia o perfil de meia verdade,

E a sua segunda metade

Voltava igualmente com meios perfis

E os meios perfis não coincidiam verdade...

Arrebentaram a porta.

Derrubaram a porta,

Chegaram ao lugar luminoso

Onde a verdade esplendia seus fogos.

Era dividida em metades

Diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual

a metade mais bela.

Nenhuma das duas era totalmente bela

E carecia optar.

Cada um optou conforme

Seu capricho,

sua ilusão,

sua miopia.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Estrela de Orion – quase um Big Bang

Graças a uma visita e um comentário neste espaço de mal-digitadas (o Efemérides), conheci o excelente Estrela de Orion, de onde só consegui sair à força. Sabe aquela sensação que se tem perante o guarda-chuva: “como é que eu não pensei nisso?”. Pois é. Parece que ali, em vez de uma estrela, há um buraco negro, que atrai, com seu enorme poder gravitacional, aquelas idéias que ao menos eu gostaria de ter. E os textos, aqueles que eu queria escrever, ou que queria achar, ou que queria ouvir, ou que…

A blogosfera é uma imensa mina. É preciso garimpar, é preciso procurar. Neste caso, tropecei na pepita. E lembrei deste meu próprio testemunho (textomunho??? infame!!!), publicado aqui. Aquele blog é um princípio ativo, é um dos que fazem a diferença.

Sei… é apenas minha forma de ver. Pode não ser para outros. 

Quer saber? E daí? Adorei.

Spams, um inferno…

Aparentemente, sou um incompetente impotente que precisa aprender como levar as mulheres ao delírio, com viagra, ciallis e levitra. Preciso comprar uma casa e viajar pelo Submarino. O mercado livre acha que tenho dinheiro sobrando para comprar qualquer gadget que aparece, e os bandidos virtuais acham que tenho problemas de clique compulsivo, pois aparentemente eu clico em todo link que me mandam. Outros desses bandidos acham que tenho uma curiosidade insaciável, e um problema de auto-estima, pois acreditam que quero ver todos os cartões que dizem que me mandaram (anonimamente). Ah, também acham que sou bem naïf, achando que tenho problemas com bancos em que nunca tive contas…

Bem esses são os spams, e eles existem até em formas não tão agressivas, como aquelas ofertinhas bem baratinhas que recebemos. E, apesar de infernizarem nossas vidas, continuam crescendo em número e incômodo.

Daí que achei interessante mostrar a origem do termo: um sketch de Monty Python, campeão de humor de tempos idos, mas ainda atual.

Se tem paciência, acompanhe abaixo:

Tudo a ver???

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Procrastinações e condescendência

Quando eu era tecnocrata… havia uma prática comum que era a procrastinação em relação a assuntos urgentes. Apesar de urgentes, mais temíveis que suas consequências era a reação dos atingidos, num ambiente organizacional altamente volátil. Como o temor era geral, a procrastinação era encarada como natural. Ou seja, todos eram condescendentes com a situação.

Nesse tipo de situação, as consequências eram palpáveis, concretas, daí a cobrança de uns poucos rebeldes amotinados. Mas, e quando as consequências não são assim claras?

Em nossa vida pessoal, muitas vezes tomamos posições baseados no que achamos que acontecerá. Projetamos um resultado, e agimos para atingi-lo, evitá-lo ou alterá-lo. Quem paga os preços? Nós, e aqueles que nos rodeiam. Ou seja, o preço, este sim, é palpável.

Quando vejo pessoas passando mal e se recusando a ir ao médico, sinto por suas famílias. Sua indecisão (ou pior, decisão de não procurar ajuda) pode afetar a todos aqueles que o cercam. É teimosia pura, da pior espécie. o caminho natural deveria ser o de procurar ajuda. Nem sempre é.

Há também aqueles casos em que pessoas convivem com alguém que apresenta problemas de alcoolismo, por exemplo. Bebem, pegam o carro, fazem barbaridades, brigam no trânsito. E essas pessoas quietas…Parece que nem mesmo o risco à vida os tiram da inércia comportamental. E, de novo, os resultados são (podem ser) trágicos.

Algumas vezes, decidimos por conta dessas projeções. E são individuais, particulares, nem sempre admitem co-autoria, embora sempre causem críticas e comoções. Pois que a liberdade de escolha existe, mas se concretiza somente com a liberdade de ação.

De minha parte, posso esperar, pacientemente por algum desfecho. É o famoso “decidir não decidir”, cabível em alguns casos. Mas, quando se impõe decidir, para o bem ou para o mal, é preciso tomar uma posição. Depois, tal qual na Alcatéia de Seoni, lambemos as feridas. Pois estaremos vivos para tal.

 

Obs.: a primeira frase está em destaque porque vários textos a contêm. É, deve ser um vício de linguagem…

Obs2.: a Alcatéia de Seoni é o lar dos lobos que acolheram Mowgli, na excelente obra de Kippling. Vale a pena.

Obs3.: o José Simão diz que mocreia não tem acento, mas continua feia. Alcateia não tem mais acento, mas estou ignorando a regra. Iconoclastia pouca é bobagem!

domingo, 25 de janeiro de 2009

A cooperação na blogosfera – Blogger’SPhera

Quando iniciei meu blog, eu não sabia nada de HTML ou de qualquer outra área que pudessem me auxiliar na diagramação e apresentação de novidades na página. Inicialmente utilizei recursos do Terra, logo substituída pelo Blogger. Quando me dei conta de que podia fazer alterações, desde que com um pouco de conhecimento, comecei a pesquisar e achei o excelente Blog a La Carte, da Rô. Que, infelizmente, sofreu um dos problemas desta blogosfera, e foi “roubado”.

O fato é que esse site me mostrou que podíamos fazer muita coisa, mesmo sem conhecimento, pois era uma espécie de guia de mudanças. Como nem tudo é calmaria, havia problemas, das mais diversas origens. Mas a Rô nunca deixa ninguém na mão, e era só postar a dúvida que ela prontamente dava dicas de como resolver.

Várias das mudanças em meu blog (a grande maioria) vieram do Blog a La Carte, depois substituído pelo Blogger’SPhera.

Quando eu publiquei o texto sobre o Orkut e a privacidade, fui criar minha própria rede social. E é claro que me apoiei num artigo do Blogger’SPhera. Fácil, rápido, mas impossível sem conhecer a possibilidade.

Aí me dou conta do seguinte: tive muita ajuda e foi gratuita. É ajuda desinteressada, e às vezes é mesmo despercebida (a Rô talvez nem saiba que foi ela quem me apresentou às redes sociais). Mas, nos seus posts, devidamente acompanhados por mim, claro, ela sempre dá informações que, se não imediatamente, podem servir e muito a nós, menos experientes e menos pacientes. E, assim, de texto em texto, vamos neste espaço cibernético, encontrando ajuda e às vezes ajudando outros anônimos.

Na votação do Best Blogs Brazil votei no Blogger’SPhera, claro. Mas fatores outros me impedem de dizer que foi uma votação que refletiu a verdade dos fatos. O Best Blogs fez sua parte. E, de forma muito transparente, apresentou o problema a todos os que por lá passavam, permitindo inclusive opinar sobre o melhor caminho. Parabéns ao BBB, mas vou olimpicamente ignorar o resultado da votação. Na categoria Metablogs, o vencedor é o  Blogger’SPhera, declara meu lado ditador. Hoje, no almoço, vou celebrar com meu scotch preferido a existência ainda de pessoas como a Rô, que, desinteressadamente, ainda se dispõem a ajudar os incautos, como eu.

Ah, breve dados sobre minhas redes. Sim, no plural, porque sou atrevido e megalomaníaco…

Update: Saúde!

IMG00189 (Foto de celular…)

sábado, 24 de janeiro de 2009

Orkut e privacidade

O Orkut, como rede social, claro que tem o propósito de dar visibilidade às pessoas inscritas. Assim, se queremos privacidade, é melhor ficar longe do Orkut.

Mas uma certa privacidade é possível, desde que tenhamos os cuidados necessários: adicionar somente pessoas conhecidas, não divulgas informações “sensíveis”, apagar recados já lidos, permitir visibilidade somente para amigos, e por aí vai.

Mas, mesmo com esses cuidados, a privacidade que se tem é somente relativa. Repetindo: se o que se pretende é privacidade total, melhor ficar de fora.

Pois bem, eu sempre fui muito reservado, o que causa reclamações até mesmo de minha família. Pois a minha privacidade me é cara, e eu curto minhas vitórias, como minhas derrotas, no mais calmo dos sigilos. Se não por outro motivo, que seja ao menos para dar menos oportunidade de que haja intromissão nos meus caminhos e preços.

Minha inscrição no Orkut foi para achar velhos amigos e amigos velhos. Achei vários. Trocamos mensagens, atualizamos dados, etc. Mas chegou a um ponto em que comecei a achar que minha privacidade se esvaia, mesmo com os cuidados tomados. Aí… bem, chegou a hora de sair.

Aos velhos amigos e amigos velhos, assim como os novos, devo mandar um convite para uma rede social que estou montando. Mas esta terá um propósito específico, e é mesmo provável que monte mais de uma, devido justamente a essa especificidade. Até lá, escondo-me novamente, querendo acreditar que isto bastará para ter minha privacidade de volta.

Para aqueles que não têm como se comunicar comigo, vou criar (brevemente, espero) uma área de e-mail aqui neste blog. Aí, migramos para as novas redes.

Aos amigos do Orkut, uma até breve, com um pedido de desculpas pela súbita desaparição. Continuo aqui, neste cantinho, chutando ícones e dando meus palpites…

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Desapegos

Atenção: cenas de pieguismo explícito a seguir, Fuja enquanto é tempo…

Enquanto assisto a Eli Stone, aquelas cenas tão conhecidas: finais, recomeços, desesperos… Difícil não se envolver com atmosfera tão familiar. A crueza da situação, a luta para vencer a inércia, a batalha para manter seu moral em pé… É, recomeçar não é fácil.

E nem é ara qualquer um. É para aqueles que são princípio ativo, aqueles que acreditam em seus valores. Aqueles para quem a vida tem um sentido além da própria vida. Não, não é para qualquer um…

Há uma “piada” sobre Bill Gates. Diz a lenda que ele joga uma flecha ao acaso, e sua assessoria sai correndo para colocar o alvo onde ela irá cair. Visionário?

A verdade é que fazemos nossos futuro. Começamos ao escolher os caminhos. Quando escolhemos um, pagamos, ou nos dispomos, a pagar os preços dessa escolha. Nem sempre os preços estão claros, algumas vezes estão nas letras miúdas. Mas o preço existe, e está lá. É inerente ao caminho, à escolha.

E mais: fazemos nosso caminho ao decidir. Decidir não somente o rumo, mas a atitude. “O Fracasso jamais me surpreenderá se minha decisão de vencer for suficientemente forte”, é o que professa Og Mandino. Atitude! Faz a diferença.

Mas o que mais faz a diferença é a aceitação. SE o que “mão tem remédio, remediado está”, o jeito é seguir em frente. Engolir a mágoa, respirar fundo, ir em frente. Para onde? Talvez, no início, somente para a frente. E, talvez depois, para “uma frente” mais definida. O importante é continuar sempre, não?

Na história de Mowgli (a de Kippling, não  a versão açucarada e falsa da Disney), há um tempo para os lobos pararem e lamberem as feridas. Sim, ir para a frente, parar um pouco, lamber as feridas, e seguir em frente…

É preciso ser desapegado. A vida passa, nós ficamos, Com as cicatrizes, as lembranças das vitórias a nos motivarem, as das derrotas a nos educarem. Mas ficamos. Ou vamos, sei lá…

Vamos!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

PT: ideologia, responsabilidade e o asilo político

O PT, que é o governo, concedeu asilo político a Cesare Battisti, condenado na Itália à prisão perpétua por quatro assassinatos. O assunto repercutiu mal na Itália, que ameaça mandar chamar de volta seu embaixador no Brasil.

Ou seja, o governo se meteu onde não foi chamado. Se foi instado, é porque o terrorista (assim chamado na Itália e por parte da mídia nacional) está preso em Brasília. Na avaliação do governo, não houve defesa suficiente para o réu.

É de se perguntar se no caso dos boxeadores cubanas entregues às forças de Fidel tiveram essa oportunidade de se defenderem. Por que os casos são diferentes?

Não sei dizer, nem sei dizer se alguém sabe. Os iluminados levados ao poder pelo PT, imbuídos do autoritarismo contra o qual combatiam, fazem o que entendem, na sua particular interpretação da lei. Nem mesmo um incidente internacional, como esse com a Itália, é motivo para preocupações. Preocupados estão em defender ideologias e posições companheiras, à custa sabe-se lá de quê.

Mal estamos se nossos representantes não sabem priorizar. Pior estamos se nem sabemos avaliar se nossos governantes não sabem priorizar. E pior estão (ou estarão) aqueles que, a exemplo daquele tão amaldiçoado, lavarem as mãos.

E se o Cacciola tivesse do poder de Mõnaco a mesma complacência que os companheiros deram ao terrorista italiano? Nossas autoridades ficariam caladas?

Ah, sei. Não se fosse na Bolívia. Nem na Venezuela. Pobres de nós, que nem ideologia temos…

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Lula, Obama: fome e crise

Quando assumiu, Lula tinha uma bandeira clara e decisiva: o fome zero. Além, claro, dos dez milhões de empregos que ele prometeu e nunca se preocupou em cumprir.

Obama assume com uma bandeira que lhe foi imposta: a solução da crise financeira iniciada ali, nas subprimes. Embora não tenha prometido nada da dimensão do Fome Zero, espera-se o programa Crise Zero, mas o americano cobra mais que o brasileiro: é bom que os resultados apareçam.

Obama assume com o olhar mundial sobre si. Já estaria, pelo fato de ser o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, que não é conhecido pela tolerância em questões raciais. Martin Luther King que se faça psicografar… Mas a crise sublinhou o olhar mundial: o primeiro presidente negro tem de encarar a mais grave crise global de todos os tempos. Aparentemente, Obama está tranquilo.

Mas Lula está mais tranquilo. Seu Fome Zero, mais os dez milhões de empregos e mais o PAC foram, sabe-se agora, pura bravata. Bravata de candidato, que diz o que quer para chegar à presidência e fazer o que for possível. E nós, brasileiros da gema, toleramos esse tipo de comportamento.

Assim, enquanto a fome, o PAC e os empregos são tratados com a melhor das motivações macunaímicas (O Magri pode, eu também posso?) – ai, que preguiça!, a máquina dos Estados Unidos vai se movimentar. Quem sabe cria um vácuo a ser aproveitado no Patropi, livrando Lula da trabalheira?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Qual é seu plano de saúde?

Você tem plano de saúde? Quanto paga por ele? O que ele oferece de cobertura? O atendimento é bom? Vale a pena pagar o tanto que você paga?

Ou você não tem plano de saúde? É atendido(a) pelo SUS, enfrenta filas, falta de estrutura, as consultas nunca acontecem logo, as cirurgias idem? Às vezes nem atendimento você tem?

No primeiro caso, duvido que as pessoas achem que pagam pouco pelo plano de saúde. E duvido que achem que a cobertura é compatível com o que pagam. O segundo caso é triste, e é verdadeiro. O setor público, fora algumas heróicas exceções, está às moscas (e baratas, ratos, formigas…).

Mas só para o cidadão comum. Eu, você, os vizinhos, etc. O presidente, quando passa mal, é levado para o Einstein, O Sírio ou o INCOR. De primeiro mundo. Que não atendem (de portas abertas) o SUS. E atendem somente os planos de saúde mais caros. Pouca gente, diria eu.

Mas a Câmara dos Deputados, em Brasília, resolveu o problema. Dos seus, claro. Ou está tentando. Leia aqui, na Folha. Quem é que vai se preocupar com gastos, se os pedidos de ressarcimento são quase todos atendidos na íntegra? (A briga é por causa da mudança de sistema, mas isto é outra história).

O caso é que os deputados e o presidente não enfrentam filas. Não pagam valores absurdos (quando pagam, são reembolsados). Não ficam pelos corredores (deputado não entra em fila de avião, que dirá de hospital?), em macas improvisadas. Não esperam intermináveis meses pela consulta. Não sofrem as agruras que mortais pobres e remediados sofrem para cuidar da saúde. É de se espantar que não se preocupem com ela?

Nossos representantes (legislativos, executivos e judiciários) deveriam ser obrigados a utilizar os serviços públicos. Andar de ônibus e metrô, ir à escola pública, ser atendido no SUS. Aí, sim, seriam os melhores serviços do país. Alguém duvida?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Pela Culatra - Aviões

Sentado num lugar estratégico, assisti ao “arranjo” das malas num voo longo e com conexões. É de enervar qualquer monge. As malas são jogadas, normalmente de frente para o chão, explicando os arranhões frequentes. E, se há a etiqueta “frágil”, parece não fazer diferença para esse pessoal. Todas as malas são iguais, e culpadas de alguma coisa, a julgar pela forma como são tratadas.

Da indignação, veio a reflexão. Também há os comportamentos indesejados dos passageiros.

A iniciar pelo despacho das malas. Há uma norma que rege tamanho e peso da bagagem de mão. Solenemente ignoradas pelos passageiros e companhias aéreas. Já presenciei passageiros que, impedidos de embarcar com malas de proporções maiores que as autorizadas, fizeram belas baixarias. A consequência dessa liberalidade/abuso é que o espaço do compartimento de bagagens interno se consome rapidamente, obrigando as pessoas a viajarem com seus pertencer embaixo do banco, quando autorizados pelos comissários. Por que os passageiros embarcam assim? Para sair mais rápido do aeroporto, sem precisar esperar pelas bagagens. Ótimo para uns, péssimo para outros, mas quem se importa? Farinha pouca…

Nas filas, ao menos nos aeroportos mais modernos, onde há os fingers, sempre há a solicitação de fazer duas filas, permitindo embarque primeiro dos passageiros mais ao fundo. Mas a fila raramente é obedecida. Todos embarcam, e as companhias não barram. O resultado é o congestionamento do corredor, atrasando ainda mais a acomodação. Ah, e há os que ainda têm de acomodar as malas, o que nem sempre é possível, pelo tamanho…

A do celular é a regra  mais desobedecida. Já vi passageiros falarem ao celular com a aeronave ainda em processo de aterrisagem. A consciência de evitar acidentes parece não ser maior que a necessidade de avisar que chegou.

E, finalmente, a hora do desembarque. Com o avião ainda taxiando, há muita gente que não só solta seu cinto de segurança como levanta-se e tira sua mala do compartimento. Se há um imprevisto no processo, essa pessoa pode se ferir e a outras pessoas. Como são muitas as que fazem isso, de novo a conscientização não parece ter sentido. A cultura já é essa…

Essas pessoas são as mesmas que gritam e exigem seus direitos quando se sentem lesadas. Cobram, muitas vezes devidamente, o que não lhes satisfaz no serviço. Mas esquecem de olhar para seu comportamento, e analisar como ele se reflete nas outras pessoas. São parte do mal, embora não o determinem. É um gol contra, com trocadilho…

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Pela culatra

Envolvido nos atrasos da Gol no final do ano de 2008, claro que ficamos revoltados pelo acontecido. Mas há alguns comportamentos (que vou listar depois) dos passageiros não ajudam a melhorar a situação.

E, pelas estradas, mas comportamento disfuncional. Pelas ruas, restaurantes, todos se acham cidadãos com direitos, mas sem deveres. Sem querer defender os erros daqueles que nos impingem momentos desastrosos, acredito que nossa parte deve ser feita. Mas, no país em que “ se todos fazem” não tem problema, como defendeu nosso presidente no caso do caixa 2 das campanhas, como resolver?

No grito solitário e calado e mudo deste blog, crio uma nova TAG, a “Pela Culatra”, para relatar esses comportamentos. Quanto mais não seja, servirá para desabafo eletrônico das frustrações tantas a que aceitamos goela abaixo.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Direitos? Que direitos?

Contei aqui a história do que considerei o abuso de um hotel. Pois bem, semanas depois, ao dar entrada em outro hotel (internacional, conceituadíssimo) me foi solicitada a apresentação de um cartão de crédito. Para uma pré-autorização, que, disseram-me, seria cancelada na saída, quando eu pagasse a conta. Bovinamente entreguei o cartão de crédito.

Na saída, uma balbúrdia de pessoas ao mesmo tempo fechando a conta, a cada uma era explicado que o cancelamento daquela pré-autorização era automática. Nem mesmo teríamos o comprovante dessa transação, justamente por ser automática.

Qual não foi minha surpresa ao constatar, na fatura do cartão, um lançamento daquele hotel, em valor muitas veze superior ao da pré-autorização. Fui ao hotel, e tentaram me convencer de que a culpa era minha, com alegações que nem chegam perto da verdade.

Depois de muita discussão, prometeram-me, desde que lhes apresentasse uma documentação, cancelar o lançamento.

Vejamos:

  • a autorização prévia seria cancelada automaticamente e não foi;
  • o valor lançado era sete (7) vezes maior que o autorizado (para cancelamento);
  • paguei a conta com cartão de débito, à vista, portanto;
  • havia valores lançados referentes a contas de telefone celular, logo para mim, que ando com dois celulares e só falo por eles;
  • tentaram me convencer de que o valor estava cobrado justamente.

Nada, em momento algum, me convencerá de que foi um erro humano. Seria, sim, se o valor lançado fosse aquele pré-autorizado. Nunca um valor multiplicado por sete. A fatura dizia que era um lançamento manual no cartão de crédito. Ou seja, alguém interagiu com o processo para que esse resultado surgisse.

Ainda estou aguardando a comprovação do cancelamento. E, em seguida, vou procurar os meios legais para ver se cabe punição à empresa. Mas ficou provado o seguinte: o consumidor está a pé, num mundo corrido com foguetes.

À luta!