segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A democracia autoritária

http://www.istockphoto.com/file_thumbview_approve/7108416/2/istockphoto_7108416-toy-monkeys.jpg Não há mais a polícia nas ruas em nome dos governos. Exceto aqueles que “cumprem decisão judicial” e entram em confronto com a população. Mas a perseguição patológica da ditadura, cuja autoridade é o bem maior para seus acólitos, acabou.

Também não existe mais censura. Isso se considerarmos correta a afirmação do ministro, a de que “não é censura quando decidido pelo judiciário”. Mas impede-se de publicar a notícia, mas não é censura.

os amigos do poderoso não mandam mais nas capitanias hereditárias. Exceto quando a polícia e a mídia os acusam de malfeitorias, e provam-nas. O poderoso, com seus poderosinhos, finge apurar, finge indignar-se. Ou nem isso. Diz que não é errado, “todos fazem”, é preciso provar. Ou culpam o perene Goldstein dos males públicos brasileiros, a conspiração das mídias para desestabilizar seja lá quem for.

Enquanto o governo aprimora seus mecanismos de cobrança (aparelhamento da Receita Federal, Nota Fiscal Eletrônica, ressarcimento eletrônico ao SUS), impede a publicação dos gastos de políticos detentores de cargos.

Enquanto a lei que reforma o código civil levou mais de vinte anos para ser aprovada, o reajuste dos funcionários da câmara federal leva pouco menos de quinze… minutos.

A garota vai presa por pichar uma parede, assim como o desempregado que roubou alimentos para sua família. Presos. Cadeia, aquela superlotação, que assusta e provoca pesadelos, mas nos pobres. O ex-ministro está em prisão domiciliar, e roubou milhões, apareceu em fotos no seu apartamento na praia, e ao lado de carros caríssimos.

O companheiro, qualquer companheiro, está isento de culpa. Quer tenha posto dinheiro na cueca, quer tenha contratado o namorado da neta ilicitamente. Podia ser um passeio de Land Rover, podia ser a fabricação de um dossiê. Podia até mesmo ser a propina institucionalizada, o pagamento mensal, em prestações nada suaves, para fazer sabe-se lá o quê.

O fato é que essa nossa democracia está ferida de morte. Aliou-se a más companhias, drogou-se, prostituiu-se, e nem pode escrever um livro, de título Democracia F., drogada, prostituída.

Seus defensores agem como aqueles pais que estupram a própria filha, e se acham nesse direito. Flagrados de calças na mão, ousam desafiar a inteligência dos cidadãos, negando o óbvio, pois afinal de contas “as imagens não dizem nada”. São os fiéis depositários que vendem o bem sob sua garantia, pegam-no de volta para vender novamente.

Nossa democracia é a ditadura cordial, no sentido de não mais haver o nível de violência empregado pelos militares. Violência há, embora não física. A maior delas é a violência contra a moral, cidadã em coma há muito tempo, em estado vegetativo e sobrevivendo apenas por aparelhos. E nossa inteligência, já tão cansada de apanhar, de ver coisas que nunca são a verdade – a menos que divulgadas pelo Miniver (o Ministério da Verdade) e apóiam o sonho megalomaníaco de nossos governantes, segue o mesmo caminho. Já está sem forças para reagir, já entra em estado de hibernação.

E, pior, não podemos nem reclamar. Muitos daqueles que são os culpados diretos por esta situação humilhante foram colocados por nós nos seus cargos. E, se se digo nós, é para aceitar esse jogo da pseudo-democracia, em que a maioria decide. Essa mesma maioria que já celebrou comer um frango por ano (na média), já tem celular em casa (mas não esgoto) e que está encantada com as Olimpíadas e a Copa do Mundo. Essa mesma massa que se une para apoiar o time do coração, mesmo agredir seus jogadores e destruir seu estádio, mas não se revolta contra o assalto a mãos desarmadas de que somos vítimas. Essa mesma maioria que ao médico não vai, pois não tem onde ir. Mas vai ao hospital, para morrer, ao menos de raiva, quando percebe que prédio há, negligenciado, velho, sem manutenção, não não há médico, nem equipamentos. Nem solidariedade.

Essa maioria que se sensibiliza com a novela, que assiste ao Big Brother Brasil, mesmo sem ter a teletela do Winston, mas observando os candidatos a famosos em suas explosões emocionais nos dramas fabricados pelo circo. Nem é preciso o pão.

Nossa democracia é o exemplo mais perfeito de que é possível ser sem ser. É o autoritarismo escolhido: nós escolhemos quem vai nos oprimir.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Representação política e o golpe dos precatórios

http://www.sxc.hu/pic/m/i/il/ilco/1232948_cat_eye.jpg O poder legislativo institucionalizou o calote. E isso porque sua ligação com o executivo, que é o maior interessado, é mais que promíscua. Todas as eleições têm “legisladores” candidatando-se a “executivos”. Vereador querendo ser prefeito, deputado estadual querendo ser prefeito ou governador, deputados e senadores querendo ser prefeitos ou governadores ou presidente da república. É a estes que incomodam as contas a pagar.

Ou melhor, as contas a pagar a cidadãos que precisam do dinheiro. Ou, no mínimo,merecem-no. Diferem essas dívidas públicas das demais porque nestas não há excesso, não há sobrepreço. É a decisão do judiciário que se concretiza. Em outras palavras, menos eufemísticas: não há um pedaço para o político.

Pessoas que se beneficiam (grifo de ironia) de precatórios são pessoas que tiveram, por exemplo, bens desapropriados. É uma justa reparação, embora tardia já hoje.

Com a lei, o cidadão terá de esperar mais para receber o que lhe é direito, mas não precisará de meias e cuecas para esconder o dinheiro, já que é legal o seu ato.

A alegação de que estados e municípios têm dificuldade para pagar essas dívidas não encontra eco nos escândalos do Brasil. O dinheiro dos mensalões, mensalinhos, DEMsalão e outros escândalos bastaria para quitar várias delas. A verba destinada à propaganda oficial, somada à dos cartões de crédito corporativo, mais despesas de viagens inócuas, inúteis, seriam suficientes para amenizar a vida de muitos dos que têm a receber dos governos.

É irônico, sarcástico, agressivo e revoltante que uma medida desse grau de crueldade tenha se originado daqueles que são, teoricamente ao menos, os representantes do povo. Aqueles que deveriam por ele zelar, em seu nome decidir, e em seu benefício agir. São os mesmo que somente legislam em causa própria (para comparar: mais de vinte anos para aprovar o código civil, menos de quinze minutos para aprovar aumento salarial na câmara dos deputados). E, dizendo agir em nome do bem comum, com o cinismo que já caracteriza a atuação política em todos os níveis.

E, mais irônico ainda, a defesa vem da Ordem dos Advogados do Brasil, que promete ir ao STF para derrubar a medida. Os advogados, que ganham nos litígios, querem que o STF desfaça o mal. E os políticos, que deveriam proteger o cidadão, querendo encurralá—lo para se locupletar.

Nosso sistema de representação está falido. E, pior, baseado na nossa falência pessoal. Pois é a ameaça de falência financeira que faz com que o cidadão, cansado de trabalhar para pagar seus impostos e sobreviver, faliu moralmente. O moral, registre-se. Pois não há mais ânimo para lutar, pois não há perspectiva de vitória.

Estamos encurralados pelos nossos salvadores. Que sina!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Males de metrópole – acidentes de trânsito

http://www.sxc.hu/pic/m/b/ba/ba1969/1201945_stop_sign.jpg Há coisa de minutos, presenciei um acidente de trânsito, de pequena monta, felizmente. É uma daquelas coisas a que todos estamos sujeitos nas nossas incursões pelo trânsito, certo?

Errado!

Chamou minha atenção, antes do acidente, a velocidade com que circulava uma Kombi. E foi acompanhando visualmente sua trajetória é que testemunhei o acidente. Ultrapassando pela direita, sem se importar com o carro ao seu lado, ele simplesmente virou à esquerda. A motorista do outro carro não teve tempo de reagir. A colisão foi inevitável (da ótica da vítima).

O motorista da Kombi ainda tentou explicar à vítima porque ela estava errada. Cheio de argumentos, em momento algum ele disse que virou sem prestar atenção, ou que sua velocidade era inadequada. Dei meus dados para a vítima, no caso dela precisar de testemunha.

O fato é que esse tipo de comportamento inadequado no trânsito, como o empreendido pelo motorista da Kombi, é impune. No auge da discussão, com cada lado com suas razões, o normal é que cada um assuma seu prejuízo e ponto final. Ou seja, a imprudência sai barato para o infrator, e a vítima, por menos que gaste, paga caro pela desconsideração alheia.

No trânsito das Marginais, em São Paulo, a situação é idêntica. Pressa e impaciência dirigem a imprudência, que é a grande causadora de acidentes de trânsito. Os motoqueiros, quando se veem vítimas de acidentes, revoltam-se por isso (não que ache que eles têm razão sempre). Mas os motoristas que, sem atentar para os riscos, mudam de faixa abruptamente, são um perigo já para os carros, que dizer das motocicletas?

Quando ouvimos aquelas notícias de acidentes de caminhões que emperram o trânsito, podemos apostar em imprudência de algum dos motoristas envolvidos, quando não de todos. Pelas estradas, experimente ficas a 110 km/h à frente de um caminhão. É arriscar-se demais, embora o limite de velocidade para eles seja de 90 km/h.

O acidente que testemunhei não teve feridos ou mortes. Mas a imprudência nem sempre é tão benevolente. Os mortos pela imprudência alheia são muitos, e não precisaríamos passar por isso. Mortes desnecessárias e gratuitas, junto às tantas que já temos de suportar. Isto tem de acabar.

 

(Acabo de receber um telefonema da vítima, em processo de registro de ocorrência. Disse a ela que não concordo que essa imprudência saia impune. Acredito em mobilização e conscientização. Vou fazer minha parte, se vier a ser chamado para tal, e espero que a vítima tenha sua justa satisfação).

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Quando o compromisso é maior

Repito um caso que contei aqui: minha filha foi viajar e me pediu, antes de decidir:

- Se eu precisar, você vai me buscar?

- Claro que sim, minha filha.

E ela foi.

Numa manhã, ela me ligou, chorando, querendo que eu fosse buscá-la. Nem pensei duas vezes. Saí de casa, fui à farmácia, tomei uma injeção e lá fui eu. A injeção? É que eu tinha acordado com uma crise de rins daquelas de prostrar. Mas, já freguês, sabia como eram essas crises. Fui, almoçamos, e voltei. Cento e sessenta quilômetros para ir, outro tanto para voltar. Ao chegarmos, deixei-a na casa de minha mãe e, aí sim, fui para o hospital.

Mais que uma demonstração de amor paternal (ou imbecilidade, como me disseram uns e outros), foi o respeito ao compromisso, Se ela precisasse, eu a buscaria. E assim foi.

Repito a história para dizer que a palavra dada é, para mim, lei. Se falei que faço, farei. Com as devidas ressalvas, claro (a dor poderia ser uma dessas ressalvas. Não foi porque era suportável). Mas o ânimo geral, o que impera, é o de que, se me comprometi, farei tudo o que estiver em meu alcance para cumprir o prometido.

Pode parecer platitude. E é. Mas também é como encaro as coisas. Vejo amigos e conhecidos que assumem compromissos sabendo que não conseguirão cumprir. outros, assumem acreditando que poderão, mas vão desistindo pelo caminho, quando as coisas parecem conspirar contra.

E este é o ponto.

Stephen Covey professa que somente respeitamos compromissos com outras pessoas quando temos o hábito de honrar aqueles assumidos com nós mesmos. Se não conseguimos honrar estes, como esperar que honremos os demais? É um hábito que, devidamente alimentado transforma-se num valor. Passa a incorporar nosso credo, passa a ser importante componente de nossas vidas, como o é a honestidade, a responsabilidade, a credibilidade.

Quando o compromisso que assumimos representa essa valor, e não meras palavras, ele tem força de lei. Ou deveria ter.

Este conjunto de platitudes aqui reunidas é para reafirmar minha crença no respeito aos compromissos assumidos.

Tenho dito.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Dramas modernos

http://www.istockphoto.com/file_thumbview_approve/1915242/2/istockphoto_1915242-wrong-way-traffic-sign.jpg Cena 1: há um acidente envolvendo uma moto e um carro. O motociclista discute com o motorista, puxa uma arma, dá um tiro no rosto do motorista e foge. O motociclista era um policial militar.

Cena 2: um policial militar aborda algumas pessoas num ponto de ônibus. Um deles, também policial militar, discute com ele. Trocam tiros. Um deles morreu, o outro foi para o hospital.

Cena 3: o homem é baleado, a polícia persegue os ladrões, consegue cem anos de perdão, e os libera. O homem baleado morreu.

Alguma coisa está errada. A sensação de poder que a arma dá aos policiais, ao que parece, não é tratada pela corporação como problema. Depois todos temos de nos estupefazer com cenas como as acima.

A sociedade também não está encarando esse problema. Ao omitir-se com relação às condições de segurança, avaliza o papel do estado, que já se provou mais que equivocado. O policial ganha pouco, não tem o preparo adequado, não tem o ferramental adequado. Dizer que sua preparação psicológica não pé adequada é desnecessário, perto de tantas outras deficiências que já vivem.

Já a sociedade lembra-se das políticas de segurança quando é vitima de assaltos e outras violências. Não se lembra de questionar o presidente da república e os governadores antes do mal se efetivar. As promessas de campanha, sempre etéreas demais, não são nem possíveis de implementação. As armas dos bandidos, de alto calibre, colocam as dos policiais em condições semelhantes a estilingues: eficácia restrita. Mas nós, da sociedade, não bradamos como no gol do time, exigindo o controle da entrada e venda dessas armas.

Nem temos coesão social (sociedade??) para articular um movimento pela segurança. Somente quando alguém da classe média é morto é que a família a amigos se unem para clamar por “justiça”, não a legal, mas a psicológica. E, desse mesmo meio, destacam-se aqueles que compram drogas da mesma quadrilha que matou o(s) amigo(s). Ou seja, justiça, sim, desde que eu possa continuar com meus vícios?

O policial emerge de uma massa que procura empregos, tem família para cuidar. tem seus sonhos e frustrações. Não é menos merecedor de críticas, quando corrupto, que o político que se deixa vender por trinta dinheiros. Mas também não é merecedor de mais. Só são resultado do mesmo meio, e não estamos saneando esse meio.

A sociedade, estupidificada por razões muitas, vê-se refém de sua inércia. Que agrava sua estupidificação.Enquanto não houver a revolta social contra tais comportamentos, eles imperarão. E continuaremos a enterrar nossas vítimas. Vítimas do mal e do que deveria ser o bem.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

As Olimpíadas no Rio de Janeiro

Quando tivermos hospitais, equipados e com pessoal qualificado, e em número suficiente para atender à população, seria ótimo ter uma Olimpíada no Brasil.

Quando a educação tiver verbas suficientes para tornar o conceito de cota racial uma lembrança; quando o Brasil todo tiver infraestrutura de saneamento; quando o Brasil tiver transportes públicos de acordo com a necessidade das necessidades, e com a dignidade que o cidadão precisa, seria ótimo ter uma olimpíada no Brasil.

Quando, enfim, o Brasil se fizesse pelas mãos de empreendedores sociais, ou políticos de fato, seria ótimo ter uma olimpíada no Brasil.

Porque não há dúvida que as olimpíadas geram divisas e visibilidade, geram empregos que, mesmo sazonais são bem vindos. Claro que há o lado bom das olimpíadas. Mas o lado ruim é por demais devastador para a população, mesmo que esta não sinta.

Basta ver as verbas estimadas e as efetivamente gastas no jogos Pan Americanos no Rio. Basta ver a sanha dos políticos em torno do PAC. Basta ver a sanha aumentada para o pré-sal. Onde há verba, há político. Como onde há obra há verba, temo que uma olimpíada vá construir piscinas que serão utilizadas somente uma vez, ficando depois para a posteridade somente um buraco. Aliás, como a própria Transamazônica, que não passou de um tiro n’água.

Por isso, torço, uma torcida real e verdadeira, pela não escolha do Rio de Janeiro. Porque mesmo que façamos uma belíssima festa, com certeza estaremos alimentando a farra das viagens, o desvio de verbas, os apadrinhamentos, as propinas, infelizmente tão praxe nesse tipo de empreendimento no Brasil.

Que o Brasil tome rumo, antes de sediar festas tão deletérias. É pedir muito?

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Crescimento pessoal e estagnação

Algumas pessoas se empenham muito no crescimento pessoal. Dedicam-se com perseverança, identificam seus pontos a melhorar, atuam sobre eles, realmente melhoram. Parabéns.

Mas a teoria da Entropia é cruelmente verdadeira.Assim como o universo tende ao caos, nossas ações e comportamentos tendem, com o tempo, a (de)cair para algumas indesejadas e indesejáveis. A intolerância volta, insidiosamente, a se estabelecer, assim como a irritabilidade, a soberba… Comportamentos que nos incomodam nos outros, mas que são invisíveis para nós mesmos. Isto acontece com todo mundo, em maior ou menor grau, mas ninguém escapa.

A não ser que, num processo de dúvida sistemática, aquele processo em que nos questionamos de maneira habitual, querendo descobrir se somos o que desejamos ser, ou o que planejamos ser. Surpreendentemente, muitos daqueles que têm comportamentos que eles mesmos consideram disfuncionais, sabem-se possuidor dos mesmos comportamentos. Mas mantêm-nos, como uma decisão de vida. Ou porque estão cansados, ou porque acham que são assim, ou …

É, de fato, uma questão de decisão pessoal. Escolhemos o que queremos ser. Nem sempre planejamos, mas sempre escolhemos, ou menos por omissão. E estas escolham carregam as suas próprias hipocrisias: se achamos indesejado o comportamento, por que optamos por ele?

O ser humano é muito complicado. Vive de elucubrações, além dos fatos. Interpreta um olhar como sendo uma investigação, uma espionagem, uma forma de controle. Quando pode ser apenas um olhar.

O ser humano tem o dom da comunicação. Comunica-se através de palavras, rudimentares ou sofisticadas, mas permite que sua mente coloque palavras naquelas que ouve. Ouve intenções, segundas ou terceiras, duvida do real significado das palavras que ouve, doura aquelas que profere. Ou seja, carrega da significados a palavra que já deveria ter um próprio, e por isso acha que todo mundo faz o mesmo.

O crescimento pessoal é o esforço das pessoas para se livrar desse tipo de excrescência comportamental. É o esforço real e sincero para que suas ações, inicialmente aquelas que se relacionem exclusivamente a si mesmos, tenham significado real. É o esforço para se livrar dos preconceitos, dos resquícios de regras absurdas que paradigmas errados nos impõem, e para nos adequar ao nosso próprio código de conduta.

E, finalmente, crescimento pessoal é aquele esforço, contínuo e inacabável, de nos fazer mais objetivos em relação às pessoas que nos cercam. Crescemos como pessoas quando aceitamos que o homem, como ser gregário, não só vive em sociedade: com ela progride, material, intelectual e espiritualmente.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Fatores de risco à saúde

Recebi um depoimento de uma amiga que me emocionou. Tratava da perda de pessoas queridas levadas pela câncer. Quantas pessoas conhecemos que tiveram o mesmo fim trágico?

Todos sabermos que vamos morrer. Mas é da natureza humana acreditar que ainda irá demorar para chegar nossa hora. Assim sendo, até que tomemos um susto bem grande relacionado à nossa saúde (ou à falta dela), pouca ou nenhuma importância damos ao nosso estilo de vida e fatores de risco ambientais ou genéticos.

Na verdade, preocupamos-nos com nossa saúde apenas em tese, pois acreditamos-nos imortais. O fato de comprarmos seguros de vida e plano de saúde é uma concessão que se faz a essa vida imprevisível que temos, nunca uma preocupação saudável com algo muito vital, perdoando-me o (fraco) trocadilho.

O câncer leva de nossas vidas mesmo pessoas que deveriam se saber doentes,como médicos e profissionais da saúde. O fato é que a doença é um dragão que ninguém quer enfrentar. Tanto que todos celebram quando morre de ataques fulminantes, pois “não sofreu”.

Começa aí a manifestação do egoísmo. Pois nossa falta, quero acreditar, será sentida por alguém sempre, e que sofrerá com nossa ausência o que não queremos sofrer com o seu tratamento.

No caso daquela minha amiga, não sei os antecedentes das pessoas. Sei daqueles que o câncer levou de mim. Pré-disposição genética, hábitos pessoais e fatores ambientais nunca foram tema de preocupação. Os métodos de investigação preventiva idem. E perdemos as pessoas porque perdemos a corrida.

No relatório Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas) de 2009, o tema da auto-investigação é tratado. E nos as respostas do porquê tantas pessoas morrerem precocemente, de doenças que se pode evitar.

Do relatório (os destaques são meus), sobre tabagismo:

A freqüência de adultos que fumam variou entre 9,8% em Maceió e 21,0% em São
Paulo. O hábito de fumar se mostrou
mais disseminado entre homens do que entre
mulheres
em todas as cidades, embora as diferenças segundo gênero tenham variado
muito de cidade para cidade. Por exemplo, em Macapá o hábito de fumar foi cerca de
três vezes mais freqüente entre homens do que entre mulheres (24,7% e 7,7%, respectivamente)
enquanto em Porto Alegre a diferença por gênero foi discreta (21,8% de
fumantes no sexo masculino e 17,5% no sexo feminino). As maiores freqüências de
fumantes foram encontradas, entre homens, em São Paulo (27,7%), Macapá (24,7%)
e Boa Vista e Campo Grande (23,5%) e, entre mulheres, em Porto Alegre e Rio Branco
(17,5%), Belo Horizonte (16,5%) e Florianópolis e Curitiba (15,4%). As menores
freqüências de fumantes no sexo masculino ocorreram em Recife (11,9%), Salvador
(12,5%) e Maceió (13,5%) e, no sexo feminino, em São Luís (4,4%), João Pessoa (6,4%)
e Palmas (6,6%).

Pois bem, o tabagismo é, comprovadamente, um dos maiores causadores de câncer consumidos por vontade própria pela população. Ainda assim, 21% dos adultos no Brasil fumam. Um quinto da população,mais de um para cada cinco indivíduos adultos. Expõem-se ao risco de câncer e ainda mais, com um evidente e comprovado declínio das condições físicas (para a prática de atividades físicas, por exemplo). Espera-se que uma pessoas dessas vá fazer exames e consultas preventivas? Não, a não ser que ele considere o fumo como um problema. Antes de chegar a essa condição, essa pessoa não pode ser ajudada simplesmente porque não quer ajuda.]

Isto para destacar aquelas pessoas que brincam de roleta russa com o câncer. Há aquelas, e imagino que seja o caso de da minha amiga, que se expõem e adoecem sem saber. E, sem motivos para buscar prevenção, descobrem tarde demais a doença.

Trato aqui da cultura do povo. Já escrevi, no Efemérides e no Muita Saúva, daquelas pessoas que fogem do profissional de saúde por medo das revelações. Também escrevi alhures que eu e minha filha somos o contrário: buscamos opinião e avaliação especializada SEMPRE que nos sentimos doentes. É é justamente porque sabemos que um fará muita falta ao outro, e a muitas outras pessoas que nos rodeiam, que me perdoem a falta de modéstia. O fato é que a investigação de problemas corriqueiros pode nos levar ao diagnóstico precoce de muitos males tratáveis.

O medo deveria, então, ser o de simplesmente não reagir, por não saber, ao avanço de um mal que pode nos levar. E, levando, traz o sofrimento para os que ficam. Isso é evitável.

 

Obs.: publicado no Efemérides assim como no Muita Saúva.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Encontros e desencontros

Fernando Sabino, numa de suas crônicas, conta uma viagem a Londres, e, revisitando os lugares conhecidos, disse que tinha medo de virar a esquina e dar de cara com o jovem que ele fora há vinte anos. Compreensível.

Os anos se acumulam em nós. Em alguns, somente na aparência. Em outros, na experiência, na forma de interpretar o mundo, no comportamento.Os primeiros tentam apagar a marca do tempo: cosméticos, plásticas, subterfúgios para parecer o que não é mais.

Dos outros, há os que, apesar da experiência acumulada, não passa disso mesmo: acúmulo. É como se fosse a gordura de vida. Fatos e mais fatos que não se transformam em sabedoria, que não se traduzem em melhoria. Não ligam para a aparência, não ligam para a vida. Esta passa, somente isso. E esperá-la passar, é tudo que fazem.

Mas há outros, que fazem questão de escarafunchar cada evento vivido. Porque aconteceu, quais as consequências, qual a motivação. O resultado de tal aprofundamento, aí sim, é a sabedoria. Não aquela do princípio dor-prazer, que faz com que o gato escaldado tenha medo de água fria. Mas o tipo de sabedoria que nos permite escolher que tipo de reação vamos ter. E, talvez mais importante, que tipo de ação vamos escolher.

Pessoas deste último tipo são pessoas que riem das dificuldades. Que, ao enfrentar problemas, vão logo dando uns tapas neles, para que se reduzam ao seu tamanho real, e para mostrar quem manda ali. São pessoas que não choram o leite derramado, mas, rindo dele, ainda fazem com o próximo leite não se derrame.

Estas pessoas, mais raras, são aquelas que temos vontade, necessidade e prazer de chamar de amigos. Mas deveria ser mais: deveria ser uma meta de todos nós.

Mas, para ser meta, precisa mexer conosco. É preciso que cada acontecimento nos provoque alegria profunda, ou tristeza. É preciso que nos machuquemos, ou que nos regozijemos. É preciso sentir, enfim, cada evento que nos afeta. E sentir de tal modo que nos faça agir ou reagir, mas não nos faça inertes.

A inércia comportamental está ligada a fuga ou a zona de conforto. Quem foge não encara o problema. Quem está na zona de conforto não quer sair dali.  De qualquer forma, tranca seu coração àquilo que lhe incomoda.

Os outros permitem-se sentir. Pois é o sentimento que lhes transforma no princípio ativo de que trato aqui. E, em assim sendo, deveria ser parte de todos nós. Mas não é. Parafraseando L.F. Veríssimo: droga, não é!

Pela culatra: compra de equipamentos possivelmente roubados

http://www.istockphoto.com/file_thumbview_approve/8321821/2/istockphoto_8321821-9mm-pistol-isolated-on-white-with-clipping-path.jpg Os táxis são, pelas características de sua ocupação, alvo fácil para bandidos. Que praticam roubos e latrocínios com a maior tranquilidade, já que o táxi serve, inclusive, como elemento de fuga.

Num táxi, percebi que o player de CD era bem sofisticado. Acontece em alguns táxis, que primam pelo bom atendimento aos seus passageiros. Comecei a perguntar sobre características do aparelho.

Com poucas respostas, ele não conhecia nem o funcionamento básico. Só sabia que podia escutar músicas direto do pen drive. Conforme a conversa evoluiu, ele me disse quanto pagara pelo aparelho. E comentou:

- “Deve ser roubado”.

Sim, deve ser. E o que faz ali, no painel do táxi? Cujo motorista com certeza sabia ao menos da suspeita de ser roubado, dado o preço que pagara. Mas, ainda assim, comprou o equipamento.

A consequência é aquela que todos conhecemos: porque há quem compre, ladrões continuam a roubar esses aparelhos. E se só roubam, está ótimo. Quer dizer, comparado à alternativa, que é o latrocínio. O motorista não sabia (acredito eu) se o aparelho era produto de latrocínio, em vez de roubo.

Sua profissão já é muito visada. Quantos colegas seus terão morrido no trabalho? Ainda assim, ele tem a coragem (ou a grave omissão) de estimular o crime. Criminoso, pois sabe ser mercadoria roubada. Irresponsável, por compactuar com isso. Cúmplice, ao dar mercado para os produtos.

Por isso mesmo, alimenta a rede de roubos e latrocínios. E, não tenho dúvidas, vai sinceramente consternado ao enterro de seus colegas de profissão, achando que a vida não é justa e que “ninguém faz nada”.

Que tal se começarmos nós: não aos objetos roubados!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Criatividade: afinal, quem quer que sejamos criativos?

http://www.istockphoto.com/file_thumbview_approve/5830377/2/istockphoto_5830377-small-plant.jpg Em sua coluna diária na CBN, dia destes Max Gehringer falava da questão da criatividade. Que todos, em entrevistas de empregos, precisavam responder afirmativamente à questão “ser criativo”, mas que em sua carreira nada lhe era permitido em termos de criação.

É verdade. O ambiente corporativo suporte poucas inciativas criativas/criadoras. Com algumas exceções, claro. Por exemplo, a 3M tinha (não seis e ainda está ativo) um programa de Inovação, que garantia a seus participantes a defesa de suas idéias e, caso implementadas, a participação nos lucros. Tanto que, na época em que conheci o programa, mais de 70% de seus produtos eram produtos novos.

Se não se pode criar, afinal de contas para que se pede criatividade?

Infelizmente não é só no ambiente corporativo. No meio pessoal, muitas pessoas são conservadoras a ponto de não permitir senão raras ocasiões em que se pode criar: no que comer, no que vestir, no que dar/receber de presente. Onde comer (há um circulo de restaurantes que frequenta), a que shows assistir (sim, embora se possa ir a muitos shows, normalmente são de um/poucos cantores/as, ou são de um determinado gênero).

Isso é natural. Gostamos daquelas coisas que já estão identificadas, e frequentamos o que exprime esse gosto.

Mas se a vida pessoal é assim, como ser diferente no ambiente corporativo? Pois este é uma extensão de nossos credos pessoais, é o mundo em que colocamos em prática o que professamos na vida. Há poucas pessoas que, tendo um ordenamento ético, aceita trabalhar em empresas com ordenamento contrário. Contrário, ressalte-se. Pois o diferente ainda é aceito. Mas o ponto é que as pessoas levam seus comportamentos para a empresa, interagem com a cultura local e mesclam-se ambos os componentes.

A criatividade, por ser a exata expressão da pedra na água, faz com que a normalidade seja abalada. E, dias corridos, ninguém quer abalar nada que não seja absolutamente necessário.

O pedido das empresas por criatividade parece passar um recado claro: você precisa ser criativo, e eu preciso cercear sua criatividade.

Não, não por maldade das empresas. É a vida, no seu rumo inexorável. Àqueles poucos que ainda criam, precisamos agradecer.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Para brasileiro ver – cartão vermelho para Suplicy

Onde andava o senador? Dormia? Enquanto o senado protagonizava uma das maiores vergonhas da história recente do país, ele andava quieto. Como quieto ficou nos episódio dos arquivamentos. Nos episódios, enfim, em que o PT rasgou sua história, e apadrinhou atos que em sua história jamais caberiam.

De repente, o senador acordou. Deu cartão vermelho para Sarney, depois que o jogo (combinado) acabou.

Senador: seria melhor ter ficado calado.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Nossa caminhada

http://www.istockphoto.com/file_thumbview_approve/185127/2/istockphoto_185127-lane-direction-sign.jpgÀs vezes, é bom parar e pensar: estamos indo aonde queríamos? Estamos indo como queríamos? Estamos indo na velocidade em que queríamos?

Muitas vezes, a caminhada, em si, toma o espaço do destino. E este passa a ser somente um elemento a mais, quando deveria ser o motivo. Mas com seus balizadores, que são nossos valores. Assim, chegar é importante. Mas como chegar também é.

Se descartamos, ao longo da jornada, aquelas coisas em que acreditávamos, algo mudou: nossa percepção dos valores, ou nós mesmos.

Pode ser algo circunstancial. Explicado por Maslow, na pirâmide das necessidades. Muitas vezes, a necessidade de comer fala mais alto que qualquer outra, fazendo com que se justifiquem alguns pecadilhos. E isto não é uma digressão vazia: o direito penal trata, por exemplo, do furto famélico, aquele motivado pela fome, como sendo uma ação escusável. Assim como trata a legítima defesa.

Mas nossa caminhada, que é nossa, longe do direito penal, tem a ver com nossos valores. Aqueles que nos levaram, tempos atrás, a decisões sobre o futuro, consolidando-se a cada passo. Trata de nosso posicionamento sobre ética, honestidade, sinceridade, verdade. Trata-se de hierarquizar nossas crenças, com uma raciocínio como este por exemplo: “hei de vencer, mas não a qualquer custo”. Piegas? Pode ser. Mas verdadeiro.

“Quem te viu, quem te vê”, deveria ser uma reflexão sobre nossas ações. Sobre o que fazemos, por que fazemos, para quem fazemos. Deveríamos ter um mapa,. como defende Covey, para que, em momentos de dúvida ou abalo, parássemos e consultássemos nossos passos em relação aos nossos valores.

Mas, de novo Maslow, mas transmutado pela vida e suas vicissitudes e idiossincrasias, o que define nossas ações é o conjunto de nossas necessidades. Mas, satisfeitas as necessidades de segurança e alimentação, as mais básicas, as que se sobressaem e dominam são as de cunho financeiro. Amealhar riquezas, não importam os meios, são o que mais vemos.

No velho clichê de que “da vida nada se leva”, cabe também a reflexão de que “na vida, tudo faz falta”?

Prefiro acreditar que não. E prefiro caminhar, mesmo só, pelos caminhos que escolhi. Pois falta mesmo, nesta vida, faz o compromisso com valores.

Ou não, caetaneando.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Record e Globo: tudo a ver

Nessa briga entre Record e Globo, é bom que fiquemos atentos: há o componente financeiro em jogo. Dessa forma, não é possível acreditar sem reservas em nenhum dos lados.

O destaque que está se dando às denúncias contra os integrantes da TV Record e da Igreja Universal, é verdade, não foram iniciadas pela Globo. Mas ela tem dado destaque desproporcional em relação aos demais veículos. A TV Record, que reage, como era de se esperar, não faz por menos: seus repórteres fazem não reportagens jornalísticas, mas de revista: como se fosse uma revista de variedades, trata amenamente dos assuntos, justamente personalizando o que deveria ser impessoal.

Nessa briga, será que há razão?

Somos um país de massa, onde o presidente não lê “…porque dá sono”. A fonte das notícias é, essencialmente, a televisão. Claro, porque é veiculada antes da novela, esta sim a grande campeã das preocupações nacionais. Mas é bom lembrar o que aconteceu na eleição de Fernando Collor de Mello para presidente da república. Quem foi que editou as imagens do debate? Quem interferiu na eleição, fazendo não jornalismo, como era de se esperar, mas campanha velada?

A Globo tem prestado grandes serviços ao Brasil. Mas prestou aquele desserviço na eleição. O que nos deixa a pergunta? o serviço só é prestado se não conflita com interesses da emissora?

A Record tem mostrado imagens amenas de seu cotidiano. Não mostra o que é ruim, assim como a concorrente. A Síndrome de Ricúpero, portanto, não é privilégio de ninguém.

Para mostrar a volubilidade da notícia, o vídeo abaixo (que achei no Kibeloco), mostrando que, contra argumentos, não há fatos!

 

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Dia dos pais

Todo dia dos pais vem aquela necessidade de escrever sobre o tema. E, todos os anos, minha grande tendência é adiá-lo.

Algumas coisas se cristalizam pelas mais estranhas motivações. O Dia dos Pais e o DIa das Mães me parece ser uma dessas coisas.

Em nosso dia-a-dia, temos múltiplas oportunidades de demonstrar o carinho por nossos pais. E, no entanto, não o fazemos, ou fazemos pouco. Aí, por uma convenção social nacional, num determinado dia, depois de termos lotado shoppings centers e congestionado ruas, vamos alegremente a um almoço, entregamos um presente, beijos, abraços, pronto! Está homenageada(o) nossa mãe/pai.

Parece-me muito pouco e muito superficial.

Menos festivo e mais efetivo seria convivência respeitosa, alegre, colaborativa com aqueles a quem devemos nossa vida. A presença nos termos de relacionamento afetivo e efetivo, sem presentes físicos, e sem o almoço em domingo dito especial teria muito mais força que aquele dia, específico, escolhido para a festividade.

Parece-me que o dia, daí sua estranha motivação, foi criado para superar nossa capacidade de demonstrar afeição e gratidão àquelas pessoas que nos são caras. Esta nossa grande incapacidade de abrir o coração e acreditar. Esta nossa grande capacidade de evitar momentos emocionais.

Assim, embora tenha milhares de palavras sobre o assunto, vou calar. Para ver se descubro como eu mesmo posso superar as dificuldade que meu dedo aponta.

sábado, 15 de agosto de 2009

Informação, o Princípio da publicidade e o Diário Oficial da União (e outros)

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência…

 

http://www.istockphoto.com/file_thumbview_approve/3297423/2/istockphoto_3297423-megaphone.jpg A informação é essencial. Em nosso cotidiano, deparamos-nos com diversas situações em que é vital que tenhamos conhecimento das coisas, até para defesa de nossas vidas, como é o caso recente da gripe A H1N1. Jornais, revistas, blogs, sites especializados têm se esforçado para que a notícia chegue o mais rápido possível, da forma mais direta e inteligível aos seus leitores, prestando, dessa forma, um serviço hoje indispensável.

Para auxiliar nessa tarefa, contam essas fontes com ferramentas poderosíssimas, como o site Google, amplamente conhecido, e que agrega tecnologia e inteligência de busca. Suas formas de alcançar as notícias são carregadas de matemática, lógica e algoritmos intrincados. Os resultados são conhecidíssimos, com a informação ao alcance dos dedos em milissegundos. E sua atualização é, também, em milissegundos.

A Constituição Federal prevê a publicidade não à toa. O cidadão precisa saber o que acontece na esfera legislativa. Não as picuinhas e os escândalos somente, mas as leis que foram aprovadas e/ou alteradas. Não se admite, no ordenamento jurídico brasileiro, a alegação de desconhecimento da lei. Daí que sua divulgação é essencial, e a hora do Brasil nas rádios está aí para provar.

Todas as lei federais são publicadas no Diário Oficial da União. o site é o http://portal.in.gov.br (da Imprensa Nacional).

Lanço aqui um desafio: tente achar um assunto de seu interesse no DOU (Diário Oficial da União).

Conseguiu? Ou somente teve respostas de sites que reproduzem o DOU? Aposto nesta última alternativa. Pois o DOU não tem amigabilidade (termo de informática que expressa a facilidade com que o usuário interage com o produto) nenhuma. É um artigo (em pdf), um enorme artigo, onde se pesca o que se deseja saber. A União e sua Imprensa Nacional parecem obedecer ao princípio da maneira mais burocrática possível: “está lá, procure se quer saber”

Hoje os mecanismos de atualização de notícias já têm até forma de notificação instantânea: saiu um assunto de interesse (filtros), há um aviso por e-mail, até mesmo SMS. Há os agregadores de notícias, que trazem as informações até o interessado, na forma de RSS (padrões de comunicação e envio dessas notícias), tendo já mecanismos bem famosos para leitura, como o Google Reader, que permite até separar por assunto as novidades.

Mas o DOU não tem RSS, não permite que mecanismos de buscas o acessem para pescar as notícias interessantes. Está lá, mas inacessível, a não ser com muita boa vontade. mas é preciso tão pouco, somente agregar tecnologia já de domínio público e abundante.

Mas não é o caminho escolhido. O caminho é afunilar o acesso? Não, nem é esse, na minha opinião. É somente o caminho mais fácil, o que dá menos trabalho, o que cumpre estritamente o que diz a regra. “Está publicado”.

Privatizemos o DOU, e em dois dias a informação será pública. Com um custo baixíssimo. Quer apostar?

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O golpe de estado necessário

A democracia tem suas regras, e todos, querendo ou não, aderimos a elas. Pois é a elas que precisamos recorrer para dar um golpe de estado. Democraticamente.

Sarney e o senado ontem afrontaram o Brasil. O primeiro, com seus contos da carochinha, na tentativa inverossímil de defender-se do indefensável. E utilizando argumentos que não negam algumas irregularidades, ao contrário, as confessam. E os senadores do conselho de ética arquivaram sumariamente quatro das denúncias contra o presidente da casa. Um escárnio.

Precisamos do senado? Acho que não. Pois os doutos senadores não têm feito senão defenderem-se de acusações, além da adoção dos atos que lhes interessam. Participação efetiva na legislação, nas grandes discussões de interesse nacional, não, o senado não tem feito. mas o senado está aí, previsto pela carta Magna, e vamos ter de seguir com ele.

Precisamos, então, dar o golpe contra esses coronéis e os capitães emergentes que representam o que há de pior na política. Precisamos dizer não àqueles que ontem menosprezaram nossa inteligência. Precisamos afastar da política esses senhores que acham que cinismo é meio de vida. E precisamos pautar o que o Brasil quer e tem de prioridade.

Assim, pelo poder do voto, que seja negado o poder àqueles que ontem deram uma banana para o povo, que se lixaram para a opinião pública.

Mas, paradoxalmente, esse é o voto que levou, sucessivas vezes, esses mesmos senhores ao poder. O presidente derrubado está lá, naquela casa, pelo voto do povo de seu estado. Como estão lá diversos daqueles que, em meio a denúncias, afastaram ou esconderam-se. E, sinal dos tempos e da moral distorcida, antigos inimigos agora se unem contra a opinião pública e publicada.

O caso é que o golpe de estado necessário depende do indivíduo, aquele que usufrui das bolsas tantas do governo. E que acha que, se o governo mudar, perdem-se as bolsas. É aquele povo que ainda se reporta ao coronel local para ajudar a comprar a farinha, o peixe, o feijão. É, enfim, o primeiro subornado, oficialmente subornado, e que, portanto, quer garantir é sua necessidade básica.

A revolução não vai acontecer. Os acusados não serão punidos, nem perderão o poder. O PT vai se mimetizar com os demais partidos, e saberemos que são todos da mesma laia.

And the winner is

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O Vice- Presidente José Alencar e sua luta contra o câncer

O vice-presidente José Alencar acaba de falar à Rede Globo. E disse que queria que todo brasileiro pudesse ter o mesmo tratamento que ele vem tendo. faz sentido.

Os políticos, quando necessitam, vão aos hospitais da rede privada. Einstein, Sírio, hospitais desse porte. não enfrentam filas, não precisam de guias de atendimento.

O vice-presidente está sob tratamento experimental. Nos Estados Unidos. Privilégio de poucos. Mas, como ele mesmo disse, deveria ser de todos.

Fácil. É só estabelecer que, a partir de agora, todos os detentores de cargos públicos se tratem no SUS. Alguns terão excelente atendimento. Outros padecerão nas filas. Outros morrerão. Quem sabe, assim, a saúde pública ganha a atenção dos decisores.

Ao vice-presidente, votos de melhoras. E de vitória. E que essa epifania, a de que todos deveriam ter tratamento semelhante ao seu, se transforme em sua batalha pessoa, e se concretize em ações contra esses desmandos que assistimos pelos poderes em Brasília. E que essa seja a indignação, não aquela dirigida aos ataques de um contra o outro. Que os verdadeiros problemas venham à tona, e afoguem as mesquinharias pessoas, símbolo da pequenez das pessoas, mas alçadas a crises nacionais.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O leão, o antílope e a cobra

Quem imaginaria que três inimigos figadais, com histórico de enfrentamento mútuo, predadores por vocação, um dia se entenderiam em função de um objetivo comum?

Rudyard Kipling, no seu The Jungle Book, no episódio da Grande Seca, imaginou todos os animais da floresta, independente de serem caçadores e caçados, lado a lado no que restava de água no rio, em momento de suspensão de hostilidades, ou melhor, uma trégua. Mas, findo o período de necessidades, sabiam todos, os ataques reiniciar-se-iam.

Claro que a premissa de Kipling era a de que os momentos de necessidade faziam com que os demais interesses seriam esquecido,ao menos relevados. Assim, o tigre vilão Shere Khan toma água ao lado dos antílopes e zebras, que tremiam somente pela lembrança dele.

Kipling construiu nessa obra uma interessante teia de moral e valor. Que se reproduzem, distorcidamente, na política brasileira. Quando três políticos poderosos, com histórico de enfrentamento, se unem contra outro que provocara um deles, evoca essa união entre predadores. Moral distorcida, valores mais financeiros que axiológicos, a selva está em crise. A falta não é de água, é de credibilidade. Então, para salvar a maioria, que todos se unam para o que se fizer necessário.

O ex-presidente do senado (que renunciou ao cargo), ao lado do ex-presidente da república (que tentou renunciar ao cargo, mas foi defenestrado), ambos ao lado do atual presidente do senado (do qual se cobra renúncia), contra aquele que é sempre lembrado como pilar ético da casa. A julgar pela ameaça do ex-presidente da república, ética controversa.

Talvez seja mesmo o caso de gritar, cara pintada ou não, pelas ruas deste Brasil: precisamos deste senado? Ou os animais criados por Kipling têm mais noção do que seja moral e valor?

domingo, 2 de agosto de 2009

Cebola social: a queda de Sarney

http://www.istockphoto.com/file_thumbview_approve/5271791/2/istockphoto_5271791-red-onion.jpg Tudo indica que Sarney vá abandonar a presidência do senado. Já era tempo, ou melhor, já passara do tempo. Mas a guerra foi ganha (ou será) graças a uma parcela bem distinta de nossa sociedade: a imprensa. Que vem fuçando, vasculhando, denunciando. Enquanto isso, a população…

Em Brasília, um político defenestrou-se com uma acusação de espionar votos secretos. Foi punido com o governo do DF. Outro político, defenestrado por atos suspeitíssimos, foi punido com um cargo de senador. Muitos outros casos da espécie, em que um político, pego em flagrante, volta ao poder pelo voto direto da democracia brasileira. O que permite concluir: ou o povo gosta mesmo é de ser roubado, ou não faz idéia do que está acontecendo. Ou não liga.

Há, em nossa sociedade (a brasileira), uma cebola que estratifica as camadas. Mas cada camada, diferentemente da cebola, é diferente. E há razão de ser.

No centro, estão escondidos aqueles que não sabem o que acontecem. E/ou não se importam. É aquela população que, explicaria Maslow, estão preocupados com suas necessidades mais básicas, sendo a participação político-social ainda muito distantes de seu cotidiano. Estão na batalha para sobreviver, para alimentar-se, para proteger-se. Ou, diria Maquiavel, já se encontram de vida ganha, protegidos, obesos, circo garantido. E, por isso mesmo, não querem se envolver em questões comezinhas, mas não suas. São a parte da população empurrados ao centro da cebola pela bolsa-família, que garante a comida e a novela. Não estão preocupados com os escândalos dos senadores.

Mais externamente, estão aqueles com certo interesse no que acontece no Brasil. Contabilizam seus “gastos” com impostos, mas acham que não recebem de volta os benefícios. Ficam indignados com o governo e seus escândalos, mas não têm força social e ânimo para reagir. Gostariam de um país melhor, mas não se lembram em quem votaram para vereador ou deputado. Não sabem o nome do vice (qualquer vice), mas sabem o escândalo da vez. Na ameaça de ter de contar com o bolsa-família, e sem ter condições de pleitear o bolsa-papai (ou bolsa-vovô), seguem na luta como podem. E tome novela das oito.

A seguir, aqueles que se envolvem mais. Em discussões, ao menos. Mandam e-mails para seus representantes, não importando se votaram neles. Manifestam-se, xingam, exigem. Até que chega a hora de trabalhar, e daí abandonam tudo. Estão com a vida em andamento, financiamento de carro e apartamento, estudos inacabáveis, compromissos e metas mil. O Brasil é importante, mas a vida precisa seguir. E, afinal, essa é a regra da democracia: se não estiver gostando,muda nas próximas eleições. Nos escândalos, indignam-se. E balançam a cabeça. Não tem jeito, mesmo.

Depois, estão formadores de opinião. Jornalistas, catedráticos (uns poucos), algumas exceções religiosas (já não adianta reclamar ao bispo, ocupado com outras coisas). Estes sim, batem, rebatem, pisam e repisam. Ao menos até a próxima onda de escândalos. Aí, porque tudo é questão de foco, indignam-se com as novas denúncias. Mas fazem um barulho dos diabos com seu espaço na mídia. Não se sabe se fazem isso por cidadania, ou porque seu emprego o exige. O fato é que as punições e quedas se dá por conta de sua atuação. Deveriam fornecer o material para indignação das outras parcelas da cebola, abaixo de si. Mas aquelas, já se sabe, tem memória curta, conforme um ser que se lixa para sua opinião. Por enquanto, esta é a parcela da cebola que é ativa. É graças a ela que as coisas acontecem. Mas ela tem um grave problema: uma defesa incondicional do estado de coisas em que vivemos, especialmente uma tal democracia. Talvez todos gostássemos dela, mas precisaríamos vivê-la. Ainda não é o caso.Esta camada é a fronteira da lei. A lei chega só até aqui.

Na camada mais externa da cebola, estão aqueles que decidem os rumos. Estão acima da lei. Acima da moral. Acima dos bons costumes. Não há coerência, e a palavra que vale é a última proferida. Uns são uma metamorfose ambulante, outros pedem que esqueçam o que escreveu. Meliantes são aloprados, os atos são válidos se todo mundo faz. A democracia é um conceito, do tipo do zero kelvin: inatingível. Se eu não votei, não tenho culpa, não é problema meu. Todos são amigos, mesmo os inimigos, ao menos na hora de livrar a cara. Leis são reescritas, ou reinterpretadas. Atalhos existem, caminhos são para os outros. Coerência não é imprescindível, imprescindível é a manutenção do poder. Esta camada da cebola tem um desejo nada secreto que todas as demais camadas se fundam na central, aquela que não se importa. Daí, suas ações deixam de importar a qualquer um. Quem sabe a imprensa, subjugada, seja aquela mesma que, num estado qualquer, reescreva as notícias para engrandecer seu patriarca, no mais verdadeiro Ministério da Verdade orwelliano.

É a cebola precisa mudar. Pois do jeito que está, é de chorar.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Os guerrilheiros eleitos

Estamos em guerra. uma guerra sem balas e barulhos de explosões, é verdade, mas em guerra.

O inimigo, veja só, é eleito por nós. A cada quatro anos, algumas vezes oito, vamos a locais previamente definidos, portando nossas identificações, e escolhemos aqueles que queremos que nos massacrem.

O exército muda pouco, e muda menos ainda sua técnica. Que é bem simples, parece a armadilha que encurralou os americanos no Vietnã: é uma guerrilha.

Inteligente, ágil, articulada. Mina os nossos principais pontos de necessidade. Esgota os recursos da saúde, o que impede a proliferação de hospitais, esses inimigos do establishment. Pois os doentes precisam de ajuda, os não doentes (ou curados, ou pretensamente curados, ou mal curados…) não precisam do assistencialismo de ninguém. Tirando recursos da saúde, tornam o adversário fracos, sem ânimo, gado de manobra.

E, inteligentes mais ainda, minam os recursos da educação. Pois que ainda há os que acreditam que chuva pode ser mandada por lei, veja só, os quase-analfabetos, e os quase alfabetizados ainda procuram por sub-empregos, os quais podem ser supridos, vejam só, pelo inimigo… Sem educação, não há articulação, não há argumentação, não há antítese. E viva o estamento!

E, mais uma vez, brilhantes, manipulam os meios de comunicação, qual criação orwelliana. Ministérios da Verdade há muitos, chamados ora de televisão, ora de repetidoras. E vemos, nas conversas de pai e filho (não de quaisquer, mas de próceres da república), o quão importante é ter uma repetidorinha, que seja.

E os inimigos, que somos nós, que temos papais e vovôs, na maioria das vezes, para o sacrifício da vida corrida, preocupada com o futuro, temos de nos preocupar com empregos, coisas que são propriedade de família lá dos inimigos.

Esses inimigos eleitos, por mim, por você, por nós, que defendem a democracia como se fosse um conceito, utilizam-na como um meio de vida. Válido, se sua preocupação fosse o bem comum. Desprezível, já que a locupletação é seu maior objetivo.

Cerram-se em fileiras de blindagem, chama a mídia, para defender uns aos outros. Mas esvaem-se em desculpas na hora de exercer suas nobres atividades. Mobilizados e bem mobilizados, agem somente de terça a quinta, ao menos à luz. Mas impõem-nos suas ações em todos os dias do ano.

Cada qual um O´Brien ainda orwelliano, transformam com cada um de nós, com capacidade ímpar, em pattyhearsts, pois somente e síndrome de Estocolmo justifica ainda os procurarmos nos momentos de necessidade. Não, minto. É sua tática de guerrilha: sem saúde, sem educação, mal informados, acham,os que eles nos salvarão. E, dançando, caminhamos para a boca do dragão.

Que os dragões me perdoem, não quis ofendê-los.

domingo, 19 de julho de 2009

A biografia de Sarney

Senador Sarney:

O senhor, que um dia foi surpreendido com a cadeira de presidente da república, graças a uma tragédia pessoal de Tancredo Neves, registrou em sua biografia fatos memoráveis: primeiro presidente civil no pós-ditadura, foi aquele que promoveu a primeira eleição direta para presidente no pós- militarismo. Foi também aquele que convocou a Assembléia Nacional Constituinte, que tinha um certo Luiz Inácio dentre seus eleitos, e que fez promulgar a Constituição Cidadã, epíteto que lhe deu Ulysses Guimarães.

Reconheçamos que o senhor, que nem recebeu a faixa do ex-presidente, talvez por não utilizar perfume de cavalo, esteve em situação para lá de melindrosa: deixariam os militares as coisas seguirem seu rumo natural, ou natural seria outra intervenção?

Mas a transição foi feita, veio Collor e os resultados todos sabemos.

O que não sabíamos, senador, e que nunca poderíamos supor, por causa da “liturgia do cargo” (lembra-se desta expressão? Finíssima, refinadíssima) é que o senhor se afundaria, poucos anos depois, em escândalos que nos fariam esquecer aquela sua participação tão importante na história do Brasil.

Pois, convenhamos, benefícios a netos, netas, namorados e namoradas, filhos, etc., não parecem combinar com a biografia de um homem com seu passado. Pior, não combina com uma pessoa com seu patrimônio, que podia dar os mimos do seu próprio bolso, em vez de nos impingi-los secretamente como o fez.

Ou, dando-lhe o beneplácito de um voto de confiança, assumamos, para fins de exercício de raciocínio, que o senhor nada sabia. Surpreendente, pois envolve tantos de seu relacionamento, que nos faz pensar que o senhor é, sim, vítima de um complô, não da mídia, mas de um complô de sua própria família. “Até Tu, Sarney?”, é que o senhor poderia dizer a cada um dos beneficiados (às suas costas, nesta linha de raciocínio). Pois parece mesmo que seus parentes o querem destruir, querem vê-lo mal falado, querem vê-lo em palpos de aranha, sabe-se lá em vingança a que tipo de conflito familiar, e que por ser familiar não nos cabe questionar.

Mas senador, se for este o caso, lamento dizer que não precisamos do senhor na presidência do senado. Pior (ou melhor, a depender do ponto de vista: para a bactéria, a penicilina é uma doença): não precisamos do senhor no senado. Senão vejamos: o senhor não sabia que recebia uma verba a título de auxílio-moradia. Coisa boba, é verdade: pouco mais de três mil reais. Não sabia da contratação de um neto seu, nem de sua substituição por uma quase-nora. Não sabia da(s) sobrinha, não sabia do mordomo (talvez por ser Secreta?). Não sabia dos desmandos de sua fundação, nem sabia que o senhor tinha ingerência nas ações dessa fundação. Paremos por aqui, pois o raciocínio se baseia no seguinte: o senhor não sabia de coisas básicas e óbvias, que aconteciam debaixo do seu bigode, que, embora vasto, não é tanto assim que impedisse sua visão. Se coisas banais não lhe são claras e perceptíveis, para que precisamos do senhor na condução de assuntos nacionalmente importantes? Para que precisamos de sua ação como presidente do senado, coordenando ações de pessoas que (teoricamente) decidirão os rumos da nação? Se os rumos da nação dependessem de uma simples constatação em um holerith (como no caso do auxílio-moradia), estaríamos muito mal representados, senador, lamento dizê-lo.

E agora vem o senhor dizer que vai silenciar. Merecemos respostas. Não que vamos exigi-las, pois somos brasileiros, e os brasileiros não tem essa cultura. Mas merecemos. O silêncio nos desqualifica, nos ofende, nos torna ignorados. O silêncio, senador, o alinha com aqueles que sua investidura na presidência da república buscava combater: aqueles que têm medo da verdade, e se escondem atrás de censuras e atos que perdoam a violência.

Por isso tudo, senador, clamo, reclamo, conclamo e imploro: renuncie. Volte para o Amapá, ou maranhão, ou seja lá para onde for. Mas renuncie. Abra sua vaga a quem quer, de fato, ajudar o Brasil.

Renuncie.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Pela culatra – aviões II

Na sala de espera do aeroporto, o funcionário da companhia aérea chama várias vezes o cidadão, que não aparece.

Depois de várias tentativas, pede para retirar a bagagem do dito cujo, já que ele não respondia às chamadas.

Tudo pronto, ele aparece. Com argumentos mirabolantes, com ameaças várias, com tentativas de “furar o bloqueio” e ir correndo para o avião, que já estava de portas fechadas.

Por fim, o avião reabriu as portas e o cidadão embarcou. Estressou comissários e os passageiros, ameaçou usar a força, não explicou convincentemente o que o atrasara. E, imagino eu, vai sair criticando a companhia aérea pelo ocorrido.

Pergunto: onde está a responsabilidade dessa pessoa? Onde está a consideração com os outros passageiros? Qualquer que sejam seus problemas, pessoais ou com a companhia aérea, pessoas que nada tinham com o assunto se viram envolvidas caso.

É o triste caso do “farinha pouca, meu pirão primeiro”. No caso, depois que eu resolver meus problemas, o mundo pode voltar a girar…

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Eriberto França – caso raro?

Foi graças ao testemunho de Eriberto França, o motorista, que Collor iniciou a descida da rampa do planalto. Trabalhador, daqueles que acordam cedo, com sua vida nada fácil, honrou-a dizendo o que vira pelos porões da república.

Sandra Oliveira, secretária, foi outro exemplo que contribuiu com a queda de Collor, ao denunciar as maquinações da Operação Uruguai.

A pergunta é: onde estão os brasileiros envolvidos nestes atuais escândalos? Será que foram todos cooptados pelos criminosos, e por isso mesmo não denunciam as impropriedades do poder?

Ou será que têm medo de que suas vidas sejam reviradas, como pareceu acontecer com o caseiro do ministro?

Infelizmente não se pode afirmar que há vantagens em ser honesto.

Uma senhora já idosa (73 anos) foi condenada recentemente a prestar serviços comunitários por ter um papagaio em casa. Um papagaio! Um crime hediondo, e já há oito anos é assim. Por não ter dinheiro para pagar multa, vai aos trabalhos forçados, quer dizer, comunitários. E o servidor do Ibama, na tv, declarou que é assim mesmo, é preciso dar o exemplo. O papagaio será solto. A dona de casa irá prestar os serviços comunitários. E ninguém mais terá papagaios em casa, por causa da efetividade do exemplo.

O ex-presidente da república que tem mordomo pago pelo governo que contrata parentes sem concurso e sem transparência; que tem casa não declarada à receita; que age como dono de capitania hereditária, este sim, dá um belo exemplo à pátria. E, também já de idade, diz que não sabia que recebia auxílio-moradia, que dava para pagar várias das multas das idosas.

Seus assessores nada sabiam? Ou sabiam e calaram?

Faltam eribertos e sandras no Brasil. Enquanto isso, mãos ao alto!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

A efemeridade da vida

Por mais que seja longa, a vida é sempre efêmera. Havia sempre uma coisa coisa a mais, sempre mais um passo, uma palavra. Mas não importa mais, já não está lá.

Viver cada dia como se fosse o último é uma boa política. Isso implica em comportamentos escolhidos, dirigidos.

Dizer às pessoas o que sempre quisemos dizer. Mas nada de dizer as coisas ruins de forma ruim. E sim dizer coisas boas, mesmo que sejam de coisas ruins.

Ser gentil, mesmo que contrastando com a agressão. Sorrir, mesmo que contra uma carranca. Agradecer, às vezes por nada, mas pelo fato de sabermos agradecer. Encarar o problema, até mesmo aqueles que nos tiram o sono. Ajudar as pessoas, porque o tempo, que nos impede sempre, pode ser escasso, muito mais que intuímos.

Olhar as pessoas nos olhos, enxergar mais que carne, enxergar menos histórias. Procurar qualidades e extraí-las, mesmo que a fórceps.

Fugir do lugar comum, vender soluções, não comprar problemas (desculpe os lugares-comuns). Enfim, ser autista, ser bobo alegre, fazer o que as crianças fazem, mordendo os dedos, olhando o céu, e não se importando com o resto.

Apesar de efêmera, a vida custa a passar para algumas pessoas. Que procuram o lado negativo, o pior cenário, o defeito, qualquer que seja. Vêem a vida para trás, lamentam o passado, lamentam o futuro, não têm presente. Esperam os dias passarem, nem vêem os segundos e minutos, enxergam somente a luz e o breu.

Na hora crucial, tenho dó dessas pessoas, como teria dó de mim mesmo, se a mim fosse dado ir ao meu próprio velório: está descansando, parece dormir, está em paz. Não, não estou. Tenho assuntos inacabados, tenho discursos por fazer, há os carinhos que devo, há as gentilezas que não fiz. Há as broncas que preciso dar, e há as que preciso receber. Há as atenções adiadas, e que agora se impõem. Há os planos, iniciados, abandonados. Há os iniciados e quase terminados. Há os sonhos, que não tiveram oportunidade de virar planos. Há, enfim, uma vida inteira, por mais paradoxal que seja.

Mas consumimos a nossa com aquelas coisas que não somam, que não alegram, que não brilham. Mas parece que isso faz parte…

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O Little Brother: a vigilância ineficaz

No livro 1984, Orwell nos amedronta com o telão que nos persegue em todos os cantos, divulgando as mensagens do partido e, ao mesmo tempo, vigiando-nos. E basta uma esgar, mesmo involuntário, para que os acólitos dos O’Brian governamentais persigam a população, desaparecendo com os mais “perigosos”.

Em nosso mundo real, de 2009, as câmeras não trazem a propaganda do partido, mas vigiam. E são úteis, na medida em que identificam autores de crimes, elucidam comportamentos criminosos, etc. Neste ponto, uma crítica: em plena época de alta tecnologia, ainda há aqueles que gravam as imagens “em casa”, em vez de transmiti-los para arquivamento on-line longo dali. O resultado é que os ladrões evitam a identificação roubando também o micro que os gravou. Mas é uma questão de tempo, isto se aperfeiçoará.

Do outro lado, há câmeras totalmente ineficazes. Ou quase, se considerarmos que para alguma coisa servem (sabe-se lá que coisa!). Como exemplo, as câmeras das estradas paulista. Existem em profusão, e acompanham praticamente todos os trechos entre São Paulo e Campinas, por exemplo. Mas bastam quinze minutos de passeio nessas estradas para que deparemos com motoristas, de carros, caminhões e ônibus, sem falar das SUV, fazendo mil e uma barbaridades, mesmo sob as câmeras. Quer dizer, alguém vê, mas ninguém pune. Estas câmeras devem ser o Little Brother, pois não agem nunca.

Chegando a São Paulo, onde as câmeras proliferam para acompanhar os problemas de trânsito, parece que as agressões às regras recrudescem. Ultrapassagens pelo lado direito, trânsito pelo acostamento, altas velocidades, mudanças repetidas de pista (costuras) são o que há de mais comum. E, se as câmeras tivessem alguma serventia para melhorar as estatísticas de trânsito, isto não aconteceria.

Aliás, culpo as câmeras por pura preguiça. Nesta semana, um SUV, em alta velocidade, ultrapassou vários carros pela pista da direita, bem em frente a uma viatura da polícia rodoviária, que não fez absolutamente nada.Se não faz nada ao vivo, fará alguma coisa em frente a um monitor? Duvido.

Mas câmeras e gravações lá estão, basta um pouco de vontade para identificar quem são esses transgressores. Mas parece que vontade não está disponível no almoxarifado: há um vídeo no Youtube, com um Porsche em alta velocidade pela via Anhanguera, chegando a quase 200 km/h, em cenas que também devem ter sido captadas pela empresa concessionária. Mas nada aconteceu com o jovem infrator.

E depois se assombram com tantos acidentes em nossas ruas e estradas…

domingo, 5 de julho de 2009

Volte, Lula!

Quando Lula era oposição, o PT era o partido que mais primava pela ética. Era o que mais gritava contra desmandos, abusos, malversações. Era o Grilo Falante do Brasil, e o Brasil se modificou por isto.

Não é exagero. Quem se lembra do episódio da Operação Uruguai sabe que a secretária Sandra Fernandes foi levada depor pelas mãos de Eduardo Suplicy, do… PT. Diz ainda lenda que Sandra teve um contato inicial com Henrique Pizzolato, então conselheiro do Banco do Brasil e do qual veio a se tornar diretor na gestão do… PT.

E há casos, muitos mais, em que a sigla PT foi decisiva para limpar um pouco do grande mar de lama do Brasil. Mas, nos últimos anos, numa transformação inglória, o PT vem amuando sua voz. O PT parece, e os fatos comprovam, gostar daquilo que antes combatia. Dólares na cueca, Land-Rover, leis pret-a-porter, mensalinhos e mensalões…

Volte, Lula! Volte enquanto é tempo. Volte para realinhar o PT com as grandes causas, com a moralidade, com o Brasil que esteve no seu discurso de oposição. Como disse Sérgio Motta para FHC: “não se apequene”, saia desse nojento jogo partidário. Depois de sua luta, mesmo a despeito de suas derrotas eleitorais, você, que sempre esteve disposto a brigar, compre mais essa briga. Enfrente aqueles que acham que dinheiro público é árvore, enfrente aqueles que insistem em se locupletar às nossas expensas. Lute, Lula, pela ideologia que só o PT tem (ou tinha?).

Ou não. Fique no seu devaneio de que tudo está bem. Conviva com a certeza de que o Bolsa Família resolve todos os problemas, e que o povo vai manter sua memória por isso. Continue engolindo sapos barbudos para manter o que você chamou de governabilidade, que é só um eufemismo para possibilidade. Possibilidade de eleger sua sucessora, e com isso fazer de conta que é você mesmo que se elege.

O Brasil não precisa disso. O Brasil precisa de poderes fortes (pleonasmo?), mas temos só casas (Câmara e Senado), nada de força, nem de poder. Aliás, o poder de mentir, esconder, tergiversar, prevaricar, procrastinar, o lado obscuro da força. E, desculpe a platitude, nunca antes na história deste país um presidente teve tanto apoio para fazer tais mudanças. E tudo leva a crer que não fará. Por que, Lula, por quê?

Reverta a mutação, deixe o PT ser o PT de ontem. Volte, e seja o Lula de ontem e de amanhã, mas esqueça o Lula de hoje. O Brasil agradecerá.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Regras, obediência e sensatez

O filme I… como Ícaro retrata, numa de suas passagens, a célebre experiência de Stanley Milgram sobre obediência e autoridade. A experiência mostra como a autoridade mitiga o poder de julgamento de pessoas em relação seus próprios atos, mesmo que eles prejudiquem outras pessoas.

E sempre que me deparo com aquelas pessoas que seguem as regras de forma inflexível, sem parar para analisar o sentido mesmo da própria, chego à conclusão de que Milgram foi genial na experiência.

A desculpa dos soldados nazistas de que cumpriam ordens é um grande exemplo dessa abdicação de sensatez. É a mostra da adesão pura a regras estabelecidas, sem a necessária ação de julgar.

O direito, com sua pretensa inflexibilidade e cegueira, ensina o quão necessário é pesar cada caso. O juiz decide de acordo com o convencimento que o processo lhe dá. A lei estabelece procedimentos que não se podem mudar, mas estipula outros em que o entendimento entre as partes é que impera. Em outros casos, o juiz pode decidir de acordo com o objetivo da lei, em vez das letras insensíveis. É o que deu base ao surgimento do direito alternativo. A avaliação do caso segundo a teleologia da norma, atendendo mais aos princípios gerais que aos ditames das palavras perpetualizadas.

Para seguir fielmente cada letra de normas e leis, não é necessário pessoas. Basta um programa de computador, ou um ser humano destituído de julgamento. Para obedecer ao sentido que estabelece a regra, aí sim, precisamos de pessoas preparadas. Preparadas e com sensibilidade e inteligência, e prontas para aplicá-las.

A norma é necessária, claro, Regras, normas, padrões. Mas elas não existem isoladas de outras condicionantes. As quais, devidamente pesadas e valoradas, devem ter o poder de moderar aquela, para mais ou para menos. Dessa forma, adequando-se de forma orgânica às situações e demandas, a norma/regra tem capacidade de ser justa e necessária ao mesmo tempo.

Mas só assim.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Os escândalos do Congresso em 2009

 

Do site da Uol:

Os escândalos que envolveram o Congresso Nacional no ano de 2009. No site acima há, ainda, a matéria do jornalista Fernando Rodrigues sobre o assunto.

Assunto, aliás, que deveria ser do maior interesse da população. O que, infelizmente, não acontece. Lembro, ainda com estupefação, do final do último BBB, em que muitas pessoas se programaram para estar em casa para assistir. E, no dia seguinte, claro, os comentário do dia eram dominados pelo resultado. O mesmo não acontece com nossos representantes na democracia. Não os acompanhamos, não exigimos. Não nos indignamos mais. Delegamos essas manifestações para os jornalistas. Que, ainda bem, cumprem muito bem seu papel.

 

Escândalos de 2009 do Congresso Nacional

  • 01.Verba indenizatória secreta na Câmara e no Senado
  • 02. Castelogate, o deputado Edmar Moreira e sua segurança privada
  • 03. Agaciel Maia, diretor-geral do Senado, e sua mansão
  • 04. Horas extras nas férias para funcionários da Câmara e do Senado
  • 05. Chico Alencar (PSOL-RJ) contrata correligionário
  • 06. Diretor do Senado usava apartamento funcional para família
  • 07. Sarney utiliza seguranças do Senado no Maranhão
  • 08. Nepotismo terceirizado
  • 09. Tião Viana empresta celular à filha em viagem ao México
  • 10. Diretores no Senado: eram 181
  • 11. Assessora de Roseana Sarney também era diretora
  • 12. Renan emprega sogra de assessor no Senado, filho na Câmara e contrata aliado com verba indenizatória em Alagoas
  • 13. Filha de FHC trabalha de casa para senador
  • 14. Diretora de comunicação do Senado em campanha
  • 15. Deputado Alberto Fraga (DEM-DF) contrata empregada doméstica
  • 16. Deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) contrata empregada doméstica
  • 17. Deputado José Paulo Tófano (PV-SP) contrata empregada doméstica
  • 18. Tasso Jereissati (PSDB-CE) e os loucos por jatinhos
  • 19. Gráfica do Senado imprime material de campanha
  • 20. Funcionários do senador Adelmir Santana (DEM-DF) prestam serviço a vice-governador
  • 21. Ministro Hélio Costa (PMDB, Comunicações) usa serviço de secretária paga pelo seu suplente no Senado, Wellington Salgado (PMDB-MG)
  • 22. Terceirização irregular no Senado
  • 23. Deputado Fábio Faria (PMN-RN) pagou viagens para Carnatal, inclusive para Adriane Galisteu
  • 24. Ministros-deputados usam passagens da Câmara
  • 25. Deputados fazem viagens internacionais pagas pela Câmara
  • 26. Câmara e Senado perdoam todos os delitos da "farra aérea", fingem cortar gastos e ensaiam reduzir passagens para familiares
  • 27. Viúva do senador Jefferson Péres (PDT-AM) recebe sobra de passagens em dinheiro
  • 28. Ministros do Supremo Tribunal Federal entram na cota de passagens da Câmara
  • 29. Senador Gerson Camata (PMDB-ES) acusado de uso de caixa dois
  • 30. Delegado Protógenes Queiroz voou com passagens do PSOL
  • 31. Membros do Conselho de Ética usaram passagens e ajudam financiadores de suas campanhas
  • 32. Fernando Gabeira (PV-RJ) deu passagens para família ir ao exterior e contratou mulher com verba indenizatória
  • 33. Michel Temer (PMDB-SP), presidente da Câmara, também usou passagens para "familiares e terceiros"
  • 34. Ministro do TCU Augusto Nardes (ex-deputado) voa na cota do deputado Otávio Germano (PP-RS)
  • 35. Câmara pagou 42 passagens para ex-diretor do Senado João Carlos Zoghbi e família
  • 36.Senado paga motorista de ministro Hélio Costa (Comunicações) em BH
  • 37. Ciro Gomes (PSB-CE) reage à reportagem sobre passagens com xingamentos
  • 38. Gabinetes da Câmara negociam bilhetes de deputados com agências
  • 39. Senadores têm seguro saúde vitalício para a família
  • 40. Senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) usou assessor do Senado para compras particulares
  • 41. Ex-diretor de RH do Senado João Carlos Zoghbi usava empresas de fachada
  • 42. Deputado Eugênio Rabelo (PP-CE) usa cota aérea com time de futebol
  • 43. Deputados "clonam" prestação de contas
  • 44. Deputado Geraldo Resende (PMDB-MS) pagou com verba indenizatória advogado que atuou em sua defesa no TSE
  • 45. 117 ex-deputados tiveram passagens aéreas pagas pela Câmara
  • 46. Senador Magno Malta (PR-ES) passou quatro dias em Dubai com dinheiro do Senado
  • 47. Senadores Alvaro Dias (PSDB-PR), Geraldo Mesquita (PMDB-AC), Paulo Paim (PT-RS) e Osmar Dias (PDT-PR) usaram cota para voos ao exterior
  • 48. Senador Renan Calheiros (PMDB-AL) cedeu passagens a primo e a 2 assessores
  • 49. Senador Eduardo Suplicy (PT-SP) deu passagem para namorada ir ao exterior
  • 50. Senadores vivos 'ganham' ruas e avenidas em reduto eleitoral
  • 51. Funcionário preso do Senado recebeu salário por 5 anos
  • 52. Senado pagou 291 passagens para ex-senadores e até para dois senadores já mortos
  • 53. Câmara paga piloto de avião de ministro Geddel Vieira Lima (PMDB, Integração)
  • 54. Câmara paga 8 voos para investigado pela PF que é colaborador do empresário Fernando Sarney
  • 55. STF abre processo contra deputado acusado de atentado violento ao pudor
  • 56. Auxílio-moradia para comprar apto. E para quem não precisa: deputados Alexandre Silveira (PPS-MG) e Rita Camara (PMDB-ES) e senadores Gerson Camata (PMDB-ES), José Sarney (PMDB-AP), João Pedro (PT-AM), Cícero Lucena (PSDB-PB) e Gilberto Gollner (DEM-MT)
  • 57. Efraim Morais (DEM-PB): 52 funcionários fantasmas e carro oficial para uso particular
  • 58. Servidor do PMDB no Senado que ganha R$ 15 mil mensais dá expediente em loja de móveis
  • 59. Funcionário envolvido em operação da PF é indicado para comissão no Senado
  • 60. José Sarney tem amigos, aliados e parentes contratados pelo Senado
  • 61. Senado usa mais de 600 atos secretos para criar cargos
  • 62. Senado indeniza empresa suspeita de irregularidade com R$700 mil
  • 63. Deputados ignoram regras da Câmara para pagar alimentação
  • 64. 350 funcionários do Senado têm salário maior que o de ministros do STF
  • 65. Valdir Raupp (PMDB-RO) aprova concessão de rádio que tem como sócio seu assessor
  • 66. Neto de Sarney opera no Senado crédito consignado, que é alvo da PF
  • 67. Fernando Collor (PTB-AL) usa verba indenizatória para vigiar Casa da Dinda e comprar quentinhas
  • 68. Nova diretora de RH do Senado entrou no emprego em trem da alegria
  • domingo, 28 de junho de 2009

    Sinergia e desinteligência

    Não é raro vermos alguém com comportamentos altamente disfuncionais, que claramente levarão a um total comprometimento de resultados, seja em curto, seja em longo prazos.

    São pessoas que, em avaliação crua da situação, concluem pela desinteligência, em vez da sinergia. Ou seja, adotam a política do ”farinha pouca, meu pirão primeiro”. Algumas vezes, essas pessoas se dão bem. No mais das vezes, viram adubo.

    A natureza, em sua perfeição, dota os seres de características de simbiose, onde a coexistência não só é indicada, mas é uma condição de sucesso. A simbiose permite que dois seres compartilhem suas vantagens, um minorando as desvantagens do outro.

    Neste nosso mundo competitivo e predatório, a simbiose é a exceção da exceção. É aquela condição somente possível a pessoas altamente disciplinadas, no sentido da compreensão dos processos da vida. Pois é preciso enxergar muito adiante, para se entregar à simbiose. Mais: é preciso confiança e desapego, características quase que excludentes nos ambientes em que estamos inseridos.

    Pois bem, a sinergia desejada e esperado em nossas interações, que é a simbiose raciocinada e racionalizada, afasta-se cada vez mais, na medida em que cada um de nós age e pensa como indivíduo como única alternativa de vida. Quando enxergamos no outro, seja no campo pessoal como no profissional, um concorrente às nossas próprias aspirações, quer realmente ele seja, quer não, nossa única alternativa é a concorrência alienada. E, nesse caminho, vamos causando resultados de vendavais: destruímos relacionamentos, futuros, pessoas, possibilidades. Deixamos de somar, e dividimos.

    Dividir para conquistar? Não neste caso.

    terça-feira, 23 de junho de 2009

    Senado, parte 663

    Mesa Diretora do Senado anula apenas 1 dos 663 atos secretos

     

    É muito escárnio…

     

    O Senado e a síndrome da China

      Fui assaltado recentemente. Por alguém desconhecido, que nunca vira antes e que nunca (espero) tornarei a ver. Assaltos fortuitos nos deixam com a sensação de que o acaso nos escolheu. Um azar, ter sido escolhido por aquele bandido. Mas e quando o assalto acontece cometido por alguém que escolhemos? Só mesmo na esfera pública.

    Os assaltos a que estamos sendo submetidos são de pessoas que deveriam nos representar, nos proteger, zelar por nós. Em vez, cuidam dos próprios interesses. Compromisso só mesmo com as próprias famílias. E nem podem,os dizer que chagamos ao fundo do poço, pois estamos errando sistematicamente quando dizemos isso: sempre somos arrastados mais e mais profundamente. É a edição nacional da Síndrome da China, em que o poço não acaba nunca…

    Os senadores acusados se defendem com um cinismo revoltante. Um deles chegou a admitir que tinha pedido o “favor”. Com dez parentes já enumerados como beneficiários dos atos secretos, dizer que não sabia é, no mínimo, moluscal. O presidente faz escola…

    Elio Gaspari, na sua coluna deste domingo, alertou para o ensurdecedor silêncio da ala ética. Onde estão aqueles que sempre tomam a palavra contra os desmandos dos colegas? Silêncio!

    Não precisamos desse senado. Talvez precisemos, sim de um senado. Mas esse, com os escândalos e desmandos todos, está caro demais para benefícios de menos. O Senado deveria ser o contraponto à câmara dos deputados, sua regulação. Em vez disso, é a extensão. É a perpetuação no poder daquela mesmo grupo de sempre, e que tenta, sempre e sempre, se perpetuar mais, se é que é possível o conceito.

    O Brasil precisa, por sua população estabelecer as regras de funcionamento da casa. E, junto disso, estabelecer que os assuntos de seu direto interesse não sejam por eles nem mesmo avaliados, como questões salariais. Ou dias de trabalho. Ou ressarcimento de despesas de viagem. Ou pagamento de empregados particulares. Ou…

    sexta-feira, 12 de junho de 2009

    Dia dos namorados

    Recebi o texto abaixo sabe-se lá de quem, neste dia em que os casais se esfalfam em busca de vagas nos restaurantes e celebram rosas que logo secarão nos vasos. E o texto hoje será um hit na internet, já que pulula de site em site, prolífero.
    De minha parte, reafirmo o que sempre digo: não estou à procura. Se aparecer, bem. Mas não será por necessidade ou carência que iniciarei um relacionamento. O que parece incomodar muita gente de meu círculo pessoal, já que sempre tem alguém querendo me apresentar “uma pessoa”. mas é o tipo de encrenca que achamos sozinhos, sem precisar de ajuda.
    Encrenca?
    Na maioria das vezes, sim. Claro, é uma forma de não sair da zona de conforto. Mas também uma forma de fugir daqueles relacionamentos danosos, que causam somente prejuízos.
    Enfim, quando bater, bateu.


    Artur da Távola
    Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namoro de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.
    Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas, namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado, não é que não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter um namorado.
    Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar.
    Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas: de carinho escondido na hora em que passa o filme: de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
    Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d'agua, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos e musical da Metro.
    Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo, e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e de medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras, e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada, e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da janela.
    Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria: Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. Enlou-cresça.


    Update: corrigida a autoria, conforme comentário da Bellatrix.