sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Santa Catarina e a vocação brasileira

O desastre já está demais. Milhares de pessoas sofrendo com a ação da natureza, sofrendo perdas pesadas, materiais e pessoais. Perdas irreparáveis.

A população brasileira mostra sua solidariedade, e envia auxílio ao povo catarinense. Como leniente, basta. Mas e o futuro?

Não há, em nossa experiência no Brasil, acontecimento que nos permita concluir que as coisas serão rapidamente recuperadas. E por “rapidamente” quero dizer que seja no tempo necessário, que será longo. A vocação brasileira é de demorar mais que o necessário e admissível para resolver os problemas. O PAC é um excelente exemplo disso. Mais? o Fome Zero, que prometia acabar com uma das maiores ameaças ao ser humano, satisfazendo uma de suas necessidades mais básicas. O Fome Zero perdeu-se em falatórios, em retórica, em bravatas. Nosso presidente, por suas declarações, já mostrou ser adepto das bravatas. Que elas não se apresentem justo agora, num momento de tragédia nacional.

Nos momentos de maior necessidade (e comoção), temos visto nossas autoridades com muito discurso e pouca (quando existe) ação. Nas tragédias dos vôos Gol 1907 e TAM 3054. o bater de cabeças foi constrangedor e irritante. O maior gesto do governo foi o top-top dos assessores, torcendo muito e agindo nada. Se Macunaíma pudesse se manifestar, acho que parafrasearia a si mesmo: “muito discurso e pouca ação, os males do Brasil são!”

Ah, mas a Petrobrás já recebeu seus bilhões de reais, o presidente já voa num jato novinho, a Oi-Telemar já pode comprar a BrT. O Banco do Brasil já adquiriu a NossaCaixa, os esforços para a Olimpíada no Brasil continuam em marcha acelerada. Afinal de contas, prioridade é para isso, não é mesmo?

O vídeo abaixo é dos que se multiplicam pela web, e mostra uma estrada sendo destruída pelas águas. Não impressiona tanto quanto a queda de uma casa, mas dá para ter uma idéia da força com que age (achei no blog Procurando Vagas, que é uma de minhas paradas diárias).

 

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