terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O bode brasileiro

As coisas no Brasil parecem andar contra a lógica. Quando aconteceu o desastre do vôo 3054 da TAM, foi uma unanimidade que Congonhas estava operando acima do limite. Era impossível andar pelos saguões, os vôos atrasavam, reclamações e tumultos.

Após o acidente, medidas foram tomadas: vôos foram transferidos de aeroportos, horários foram reajustados. E Congonhas parecia avenida em dia de feriado. Vazio, o aeroporto passava uma idéia de bonança…

Atualmente, o caos começa pelo estacionamento. Já cedo, com poucas vagas (ou nenhuma). A não, claro, que você queira utilizar o serviço VIO de valet. Estranhamento, há vagas.

Nos saguões, a volta do movimento. Filas e mais filas. Os vôos que foram transferidos estão voltando, devagar e sempre.

Ninguém é sedentário, se voar a partir de Congonhas.

- Atenção passageiros do vôo XXXX. Anunciamos que a aeronave que fará esse vôo já se encontra em solo, e que seu embarque, quando autorizado, será efetuado pelo portão de número YY.

Nem é preciso dizer que o portão muda, a toda hora. O movimento é o de um filme de pastelão. Todos indo para a direita. Depois, todos voltando para a esquerda. Todos já acostumados com esse vai-e-vem das aeronaves…

O bode estava na sala, e o brasileiro percebeu somente quando o TAM estatelou-se na avenida. Como se fosse uma piada pronta, mas ao contrário, ele foi retirado para que as pessoas parassem de reclamar, mas está sendo recolocado lá. E ninguém percebe o bode. Só se perceberá que ele está lá, de camarote, quando o próximo acidente chamar a atenção para ele.

E nós, passageiros, compramos as passagens e a verdade. O avião ainda está pousando quando vejo pessoas ligando de seus celulares. O avião ainda está taxiando quando os passageiros começam a levantar-se para pegar suas malas, para agilizar a saída. E as malas, quem é obedece aos limites de bagagens de mão?

Nisso tudo, só uma coisa mudou: a VariGol abriu milhagens. E mudou o serviço de bordo, e a vítima foi a Maxi Goiabinha. Mas quem se  importa?

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