terça-feira, 30 de dezembro de 2008

2009

No limiar de 2009, uma crise financeira bate às portas. Mas, ora essa é fácil. A pior é aquela guerra tão esquecida, que há quarenta anos não nos incomoda, mas assusta, e que agora mostra suas bombas. Distante de nós, parece até coisa de ficção, como foram aquelas bombas da primeira guerra do Iraque, comandadas pelo joystick.

O ser humano nunca o será na plenitude enquanto alguns ainda estiverem sob o jugo de tiranos, déspotas, demagogos e outras espécies menos desejadas. Enquanto ainda estivermos um pedaço de mundo sob guerra, a guerra deveria ser contra a guerra em si.

A guerra é a negação da evolução. A guerra é a presunção da bestialidade, e sua manifestação mesma. As agressões, de ambos os lados, precisam parar. Precisávamos, nós que assistimos, calados e confessadamente impotentes, fazer algo. Que fosse o gesto singela da história piegas do beija-flor tentando apagar o incêndio. Mas precisamos fazer alguma coisa.

O quê?

Parece que celebrar 2009  e ignorar a tragédia distante ainda é o melhor caminho. Não, o melhor, não. Talvez o mais cômodo, talvez o mais acessível. Mas nunca o melhor.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Endereço errado

Todos têm o direito de sonhar; e, cada um, o direito de ser o dono se seu sonho…

Fernando Sabino

Ainda de madrugada, acordei, depois de um sonho cheio de pessoas que não conheço, em lugares que não conheço, fazendo coisas que não têm sentido algum para mim. Imediatamente lembrei de Fernando Sabino, mas para imaginar que o sonho que tive era de outrem, e estava extraviado…

Um ano depois…

Depois de um ano do ataque da TV, é preciso dizer que tudo está bem, não houve gangrena, voltei a correr, e as unhas voltram a crescer. Uma delas não a ponto de receber corte, mas cresceu. Apesar do seu aspecto, digamos, macambúzio, o dedo está refeito.

A TV (que não quebrou, a daninha) foi exilada num apartamento de uma praia qualquer, debaixo de cobertores para evitar corrosões.

Que aniversário feliz!!!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

São Pedro e planejamento estatégico

Eu tinha um texto pronto para publicar quando São Pedro errasse a mão e mandasse mais chuva que o necessário, falando de planejamento estratégico, gestão, governança. Mas a tragédia de Santa Catarina me calou, não é assunto para brincadeiras. Mas é preciso dizer algo. Se São Pedro não pode regular as chuvas, precisaríamos ter medidas para que as conseqüências não fossem tão nefastas.

Construir casas em encontas parece ser um atalho à tragédia, como andam insinuando algumas reportagens. Mas parece-me que as pessoas não o fazem por gostar do perigo, senão por necessidade pura. Maslow nos ensina que precisamos satisfazer as necessidades básicas, e este ditado parece explicar o problema:

- Qualquer porto, numa tempestade!

Se a família não tem outra condição, vai para onde? Exatamente, para a encosta. Que pode culpálos pela escolha (ou pela falta dela)?

O problema, sem qualquer oportunismo de crítica, é mais, muito mais social que podemos pensar. Nossas políticas públicas, infelizmente, não se ocupam disso.

Enfim, São Pedro é inatingível. Mas nossos governantes não. Espero que um dia se ocupem disto.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Comerciais de Natal

Em adição aos comerciais que publiquei, outro vídeo interessante, com uma seleção de comerciais de natal. Tem pouco mais de nove minutos, mas vale a pena ver. A seleção é do programa Reclame, da MultiShow

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Quero ver você não chorar

Publiquei aqui uma música que é quase obrigatória nesta época do ano. Aí vai outra.
É do Banco Nacional, e se tornou um clássico, uma das músicas mais tocadas e contagiantes da história da propaganda brasileira. E, todo ano, parece que não é nata se ela não tocar (antes ou depois da Simone).

 

 


 

Ah, achei legal manter a mensagem do Bosco, que editou o vídeo e adicionou informações sobre autoria da propaganda.


Update em 17/12
Notei que as pessoas querem a letra da música. O autor é Edson Borges, o "Passarinho". O nome da Música é "O Natal Existe". A letra abaixo foi retirada do site Vagalume.

Quero ver
você não chorar
não olhar pra trás
nem se arrepender do que faz...

Quero ver
o amor crescer vencer
mas se a dor nascer
você resistir e sorrir...

Se você
pode ser assim
tão enorme assim
eu vou crer...

Que o Natal existe
que ninguém é triste
e no mundo há sempre amor...

Bom Natal um Feliz Natal
muito Amor e Paz pra Você...

pra VOCÊ.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A verdade de cada um

Quando meu avô paterno faleceu, meu pai veio de Blumenau para o funeral. E, daqui, teríamos de viajar mais trezentos quilômetros até o local do enterro.

Atrasamos, claro, e quando lá chegamos o caixão já tinha sido “baixado”. longe da era dos celulares, sem possibilidade de comunicação, os parentes não tinham como saber onte estávamos, eu e meu pai, e um tio decidiu que não podiam esperar. Fiquei muito chateado com esse tio, embora tenhamos tido oportunidade de despedida, pois o caixão foi retirado e aberto.

Achei que faltou sensibilidade ao tio. E fiquei alimentando essa mágoa.

Alguns anos depois, minha mãe me fez ver que eu fizera o mesmo, quando o pai dela faleceu (dois anos após). Um tio que vinha de outra cidade, atrasou-se muito, e eu decidi que tínhamos de prosseguir com o enterro. Nesta caso, não houve possibilidade dele se despedir.

O caso é que eu me posicionei de uma forma no primeiro caso e de outra, no segundo. Quando percebi isto, parecia um daqueles momentos em que nos encontramos com nosso eu, verdadeiramente. Percebi a armadilha psicológica que montamos para justificar nossas ações e ressentimentos. E, a partir dessa percepção, comprometi-me comigo mesmo a praticar mais a empatia: colocar-me no lugar da outra pessoa antes de julgar. No caso, condenar.

Mas a epifania me desnudou uma verdade doída, pois eu pensava que já praticava suficientemente a empatia (chamada de reversibilidade). Não, não praticava como deveria. Era nada mais que arrogância, transformada em verdade por mais e mais arrogância.

Uma vez que tive de me enfrentar (nunca tive um adversário tão chato), compreendi que o que professamos não é exatamento o que praticamos. E não tenho (no meu caso, divorciado há treze anos) quem me alerte para esse tipo de comportamento disfuncional.

Quando eu era tecnocrata, tive dois amigos com quem praticava a provocação dessa auto-observação: Cristina e Carlos Renato. Dois grande amigos até hoje, mas que o tempo e a distância impedem de usufruir mais de sua sabedoria. Tínhamos uma certeza: nossas palavras eram sempre com a melhor das intenções e nunca tivemos problemas com isto.

Em família, ou com amigos próximos, nem sempre isto dá certo. A história às vezes contamina a mensagem, e o resultado  em sempre é bom. Mas a experiência é muito mais proveitosa que muitos daqueles conhecimentos que acabamos adquirindo na vida profissional. Por que aqui o dedicamos a aprimorar nossos relacionamentos.

Queria ter muitos amigos dispostos a perder minha amizade em prol de nosso crescimento. E é o caso daqueles dois. A quem procuro respeitar, praticando sempre aquilo que tornou nossa amizade tão especial.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Marcas do que se foi

Uma música, de uma época ainda romântica, e que pode receber o epíteto de “brega”. Mas que, sem dúvida, marcou época para muita gente e infelizmente foi sendo, aos poucos, substituída pelos “tchans” da vida.

Acredito que as mensagens que passamos têm o dom de contágio, imediato ou em conta-gotas. É uma espécie de programação neuro-lingüística natural. Assim, importante cuidarmos da mensagem que passamos.

O vídeo abaixo é uma dessas mensagens, e nunca será menos que atual.

sábado, 13 de dezembro de 2008

A violência gratuita

Faleceu o torcedor são-paulino agredido por um policial. As imagens foram gravadas pela Rede Record e chocam.

Torcidas têm comportamento multitudinal e extrapolam, na maior parte das vezes. A violência é quase natural, infelizmente, para muitas das manifestações, pela vitória ou pela derrota de seu time. Contra essa violência, a polícia deve agir. A pergunta é: combater a violência com violência (e imotivada, neste caso) surte efeito?

A polícia deveria garantir a paz. Se sua ação é a de agressão contra pessoas desarmadas, ela alimenta esse círculo de violência, tratando de tornar improvável a paz desejada. E, neste caso, o torcedor não faz nada (de acordo com as imagens) senão correr, atarantado, de um lado para outro. Foi agredido pelas costas. Morreu por estar ali e ter sido escolhido como exemplo por um policial.

Que lição nos traz essa história? Gostaria de enumerar muitas lições. Não há como. Não há sentido na morte desnecessária. Quem nos protegerá daqueles que precisam nos proteger?

 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Santa Catarina e a vocação brasileira

O desastre já está demais. Milhares de pessoas sofrendo com a ação da natureza, sofrendo perdas pesadas, materiais e pessoais. Perdas irreparáveis.

A população brasileira mostra sua solidariedade, e envia auxílio ao povo catarinense. Como leniente, basta. Mas e o futuro?

Não há, em nossa experiência no Brasil, acontecimento que nos permita concluir que as coisas serão rapidamente recuperadas. E por “rapidamente” quero dizer que seja no tempo necessário, que será longo. A vocação brasileira é de demorar mais que o necessário e admissível para resolver os problemas. O PAC é um excelente exemplo disso. Mais? o Fome Zero, que prometia acabar com uma das maiores ameaças ao ser humano, satisfazendo uma de suas necessidades mais básicas. O Fome Zero perdeu-se em falatórios, em retórica, em bravatas. Nosso presidente, por suas declarações, já mostrou ser adepto das bravatas. Que elas não se apresentem justo agora, num momento de tragédia nacional.

Nos momentos de maior necessidade (e comoção), temos visto nossas autoridades com muito discurso e pouca (quando existe) ação. Nas tragédias dos vôos Gol 1907 e TAM 3054. o bater de cabeças foi constrangedor e irritante. O maior gesto do governo foi o top-top dos assessores, torcendo muito e agindo nada. Se Macunaíma pudesse se manifestar, acho que parafrasearia a si mesmo: “muito discurso e pouca ação, os males do Brasil são!”

Ah, mas a Petrobrás já recebeu seus bilhões de reais, o presidente já voa num jato novinho, a Oi-Telemar já pode comprar a BrT. O Banco do Brasil já adquiriu a NossaCaixa, os esforços para a Olimpíada no Brasil continuam em marcha acelerada. Afinal de contas, prioridade é para isso, não é mesmo?

O vídeo abaixo é dos que se multiplicam pela web, e mostra uma estrada sendo destruída pelas águas. Não impressiona tanto quanto a queda de uma casa, mas dá para ter uma idéia da força com que age (achei no blog Procurando Vagas, que é uma de minhas paradas diárias).

 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O tribunal sob suspeita

É comum ouvirmos alguém dizendo que “entrar na justiça” contra alguém. Suprema instância, a justiça é quem vai resolver todos nossos problemas, é o Chapolin Colorado de nossa vida mundana.

Um momento! Em primeiro lugar, acionamos o poder judiciário, que vai julgar o caso. Se haverá de ser feita justiça, bem, aí é outra história. os problemas são vários: falta de provas, ou as que existem depõem contra nós. Casos de contratos mal-feitos (ou bem feitos, pela outra parte). Aqueles que assinam sem ler ou sem entender vêem a lei ser aplicada, mas, justiça que é bom, neca.

Mas depositamos uma fé incondicional no poder judiciário. Ele é justo, parece dizer a lógica pleonástica. Quando não nos acertamos com nosso vizinho, com aquele que bateu em nosso carro, com aquele que comprou e não pagou, não adianta apelar para o bom senso. É o judiciário, certo?

No Espírito Santo, a lei é a mesma para todos. Mas a decisão que tomam seus desembargadores está sob suspeita. levantada pela própria polícia federal (nunca antes neste país se viu a policia federal tão ativa em favor da lei). A denúncia é que há um balcão de venda de sentenças. E envolve muita gente.Tudo indica que seja um balcão de atacado, não de varejo. Ou seja, são causas de valores expressivos, não aquelas que nos envolvem, simples mortais. Mas, se há para tais, por que não haverá para outras?

imageA pergunta é retórica e expressa somente uma preocupação. Embora não haja evidências, a credibilidade está se esfarelando. Aquele bastião da moralidade, desnudo, mostra-se, como no Patropi das saúvas, uma grande pizzaria. Para quem pode pagar, claro.

Se a moral contém justiça (não o inverso), falta moral, faltam valores àqueles em quem depositamos nossa fé incondicional. Ou seja, falta conjugar aqueles valores básicos que deveriam fazer com que as ações fossem pautadas no que é certo, não nas vantagens pessoais que nos traz. Vida pública, deveria ser isso, não?

A cada escândalo, esvai-se nossa confiança naqueles que deveriam ser por nós. Onde fica a esperança?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Há sessenta anos, foi publicada a Declaração Universal de Direitos Humanos. O lado bom,temos nossos objetivos. O lado ruim: após sessenta anos, o quão longe estamos de atingir o mínimo de dignidade.

 

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III)
da  Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948

Preâmbulo

        Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,   
        Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum,   
        Considerando essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo Estado de Direito, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra tirania e a opressão,   
        Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,   
        Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla,   
        Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a desenvolver, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos humanos e liberdades fundamentais e a observância desses direitos e liberdades,   
        Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mis alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso,   

A Assembléia  Geral proclama 

        A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.   

Artigo I

        Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão  e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.   

Artigo II

        Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua,  religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

Artigo III

        Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo IV

        Ninguém será mantido em escravidão ou servidão, a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.   

Artigo V

        Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.

Artigo VI

        Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.   

Artigo  VII

        Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.   

Artigo VIII

        Toda pessoa tem direito a receber dos tributos nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem  os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.   

Artigo IX

        Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.   

Artigo X

        Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.   

Artigo XI

        1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.   
        2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Tampouco será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.

Artigo XII

        Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

Artigo XIII

        1. Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.   
        2. Toda pessoa tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.

Artigo XIV

        1.Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.   
        2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos propósitos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XV

        1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.   
        2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.

Artigo XVI

        1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.   
        2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.

Artigo XVII

        1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.   
        2.Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

Artigo XVIII

        Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.

Artigo XIX

        Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

Artigo XX

        1. Toda pessoa tem direito à  liberdade de reunião e associação pacíficas.   
        2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Artigo XXI

        1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de sue país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.   
        2. Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.   
        3. A vontade do povo será a base  da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo  equivalente que assegure a liberdade de voto.

Artigo XXII

        Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.

Artigo XXIII

        1.Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.   
        2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.   
        3. Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.   
        4. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e neles ingressar para proteção de seus interesses.

Artigo XXIV

        Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e férias periódicas remuneradas.

Artigo XXV

        1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.   
        2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.

Artigo XXVI

        1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.   
        2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.   
        3. Os pais têm prioridade de direito n escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.

Artigo XXVII

        1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.   
        2. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.

Artigo XVIII

        Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e  liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.

Artigo XXIV

        1. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, em que o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.   
        2. No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa estará sujeita apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.   
        3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XXX

        Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição  de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

O texto foi retirado daqui.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O bode brasileiro

As coisas no Brasil parecem andar contra a lógica. Quando aconteceu o desastre do vôo 3054 da TAM, foi uma unanimidade que Congonhas estava operando acima do limite. Era impossível andar pelos saguões, os vôos atrasavam, reclamações e tumultos.

Após o acidente, medidas foram tomadas: vôos foram transferidos de aeroportos, horários foram reajustados. E Congonhas parecia avenida em dia de feriado. Vazio, o aeroporto passava uma idéia de bonança…

Atualmente, o caos começa pelo estacionamento. Já cedo, com poucas vagas (ou nenhuma). A não, claro, que você queira utilizar o serviço VIO de valet. Estranhamento, há vagas.

Nos saguões, a volta do movimento. Filas e mais filas. Os vôos que foram transferidos estão voltando, devagar e sempre.

Ninguém é sedentário, se voar a partir de Congonhas.

- Atenção passageiros do vôo XXXX. Anunciamos que a aeronave que fará esse vôo já se encontra em solo, e que seu embarque, quando autorizado, será efetuado pelo portão de número YY.

Nem é preciso dizer que o portão muda, a toda hora. O movimento é o de um filme de pastelão. Todos indo para a direita. Depois, todos voltando para a esquerda. Todos já acostumados com esse vai-e-vem das aeronaves…

O bode estava na sala, e o brasileiro percebeu somente quando o TAM estatelou-se na avenida. Como se fosse uma piada pronta, mas ao contrário, ele foi retirado para que as pessoas parassem de reclamar, mas está sendo recolocado lá. E ninguém percebe o bode. Só se perceberá que ele está lá, de camarote, quando o próximo acidente chamar a atenção para ele.

E nós, passageiros, compramos as passagens e a verdade. O avião ainda está pousando quando vejo pessoas ligando de seus celulares. O avião ainda está taxiando quando os passageiros começam a levantar-se para pegar suas malas, para agilizar a saída. E as malas, quem é obedece aos limites de bagagens de mão?

Nisso tudo, só uma coisa mudou: a VariGol abriu milhagens. E mudou o serviço de bordo, e a vítima foi a Maxi Goiabinha. Mas quem se  importa?