sábado, 29 de novembro de 2008

Violência contra a mulher: covardia imperdoável

Eu sou contra a violência verbal, aquela contida nos nossos processos de comunicação inadequados, em que gritos e ofensas tentam impor alguma coisa. Nem é preciso dizer que considero a violência física um ato de extrema irracionalidade, para dizer o minimo, e a negativa da evolução humana e da tão propagandeada inteligência que deríamos ter.

Em 2006 o presidente Lula sancionou a lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, e que alterou o código penal para tornar mais severa a punição do homem que agride a mulher.

A referida lei tem esse nome em decorrência do caso de maria da Penha Maia Fernandes, vítima de agressões e tentativas de assassinato perpetradas por seu marido. Como conseqüência, ficou tetraplégica, depois de receber ataques com arma de fogo, tentativa de afogamento e eletrocução.

O julgamento levou quase vinte anos, e o marido/verdugo ficou apenas dois anos preso em regime fechado.

Muitas vezes, a mulher não registra ocorrência policial. Em parte das vezes, o medo de relatiação a impede de procurar ajuda. Noutras vezes, a esperança de que tenha sido a última vez. É conhecida, pelo caso de Patrícia Hearst, a Síndrome de Estocolmo, em que a vítima nutre sentimentos pelos seus algozes (como no casos de seqüestros), e se apaixona por ele (ou o perdoa). Mesmo aqui, psicológos defendem o medo como motivador, pois dirige a ação no sentido de auto-preservação.

Uma amiga alterou seu perfil do orkut para contar a história abaixo:

Como ajudar uma mulher vítima de violência ?
Presenciei no início desta madrugada uma mulher sendo espancada pelo marido e violentada em seguida, chamei a polícia e nada, os outros moradores do prédio fizeram o mesmo, e nenhuma patrulha apareceu. Os gritos da mulher podiam ser ouvidos de longe e a seqüência de maus tratos durou mais de 3 horas.
E a polícia mantém seu comodismo, afinal, se morrer, é menos uma... Então aparecem na TV como heróis da fatalidade!
Porteiros por sua vez, não podem fazer nada: É problema interno... Nem o síndico pode se meter...
É problema interno, até acontecer com alguém da sua família! Todos os moradores circunvizinhos ouviram, era o show dos horrores de camarote em suas janelas. A polícia informou que recebeu 19 chamados para atender o caso, que por sua vez, não foi atendido. Então me pergunto: Seria policial o agressor e por isso seus comparsas não apareceram com suas decadentes fardas? Especulações a parte, o fato é que houve negligencia e a mulher esta lá com seus ferimentos no corpo e na alma, vítima da impunidade e do medo.
Não acredito que nada possa ser feito!

Vejamos: foram 19 chamados para atender ao caso, e a polícia não apareceu.

Foram 3 horas de violência, o que garantiria uma atendimento da polícia, por mais lerda que fosse. Ao mesmo tempo, imagine 3 horas de tortura e violência.

A mulher vai prestar queixa? Não sei. Temo que não. Em casos assim, por medo ou amor distorcido, essas mulheres procuram em seu comportamento motivos para fundamentar a agressão que sofreram. Infelizmente, assumem a culpa da covardia do animal que se diz macho. Não nos enganemos, ninguém tem culpa pela ignorância alheia.

A polícia é co-autora. Se dezenove chamados não a convenceu de que havia um crime em andamento, o que poderia convencê-los? Se, avisados, não compareceram, permitiram a seqüência da barbárie. E a indefesa mulher indefesa continuou.

Vizinhos? Não recomendo que se metam, a não ser por acionar as autoridades. Já há casos suficientes de defensores agredidos por, pasme, marido e mulher nesses casos. Mas se acionar a autoridade não produz resultados, o que fazer? Não sei.

Sei que a violência é a manifestação da falta de inteligência para argumentar. E falta de inteligência para reconhecer a razão alheia. E falta de inteligência (por paradoxal que seja) para perceber que animais irracionais é que se valem da força bruta. Nós, seres pretensamente evoluídos, valemos-nos é da força retórica, dos ataques verbais, dos requintes da tortura psicológica, que eu já acho de ignorância mostruosa.

Infelizmente, a barbárie continua. E continuará. Até que a polícia aja, e a lei possa ser aplicada. Mas, santa utopia, continuará até que o ser humano se livre desses impulsos bestiais que os levam a ser predador de si mesmos. E, nessa predação, deixem os indefesos e fracos como vítimas.

2 comentários:

  1. Sabe Rê, passada a sessão de tortura, a pior cena que presenciei e a que mais me revoltou, foi ver o cara examinando o corpo da moça (moça digo, pois tem no máximo 20 anos e ele tem bem mais, sei lá quanto) olhando as marcas deixadas, levantava suas pernas como se boneca fosse e a cada toque dele se ouvia um “sai daquiii”. Ele a olhava e olhava, e fazia gestos como quem se desculpa, e colocava a mão na cabeça como um “pobre coitado”, fez isso por muito tempo até ir à cozinha que é em frente a minha e pegar um saco, voltou ao quarto, cenário dos horrores para colocar algo que na lógica parecia ser gelo, e passava aquilo em várias partes do corpo dela e depois gesticulava muito como que discutindo, provavelmente tentando convencê-la de que foi a culpada por ter sido violentada por ele, como se ela o tivesse obrigado a tal comportamento por não o ter obedecido ou coisa assim.
    Quando percebi que nada acontecia, que a polícia não apareceria, liguei 22531177, o disque-denuncia e pasma fiquei com o primeiro bom atendimento. E o rapaz, em plena madrugada, muito gentil orientou-me, disse que depois das 18 horas nenhum policial pode, nem mesmo com mandato de segurança adentrar qualquer residência se o morador não permitir e que ao se tratar de condomínio, muitas vezes eles realmente não aparecem. E disse que comunicaria a delegacia mais próxima (que revoltantemente é incrivelmente próxima) que era um caso de estupro e que falaria de forma enfática para sensibilizar os policiais... Disse ainda que quando não é a vítima que registra a queixa, eles também não dão muita importância ao fato.

    Então o que me resta? O que nos resta?
    Fiquei ótima então em saber que se precisar da polícia no meu apartamento eles não aparecerão, pois se trata de um condomínio. (O que tem uma coisa com a outra?) Tenho que me mudar? Morar onde para ser socorrida pela policia numa emergência?

    Outra coisa, estupro já é o ápice de uma barbárie, precisa enfatizar para tentar quem sabe sensibilizar a polícia? Entendo neste caso, que seja então, coisa banal ne? Perai, que vou dar uma violentadinha numa mulher ali rapidinho e já volto!

    E a chave de ouro: Se a vítima não ligar pedindo socorro eles não dão muita importância... Ah! Ótimo! Então se você por acaso presenciar alguém sofrendo agressão, tortura e coisas do tipo, não ligue para a polícia! Vá até o local, peça licença ao homem das cavernas, peça também que ele espere um minutinho e então coloque o telefone no rosto da vítima para que ela peça socorro!?? Isso se ela estiver viva ainda! Caso contrário, ela terá de prestar queixa por psicografia.

    ResponderExcluir
  2. Silêncio não cabe em situações como essa.
    A omissão é criminosa, por permite a ação. Cada vez mais, precisamos nos comportar como uma teia social, não como pessoas que, por necessidades e circunstância, e somente por isso, interagem nesta nossa vida.

    ResponderExcluir