quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Motos, caminhões: perigo!

Numa viagem ao sul, deparei-me com mais de uma dezena de acidentes pela estrada. Mas havia um detalhe: todos, sem exceção, envolviam somente um veículo, que acontecia ser sempre um caminhão. Geralmente era uma saída da estrada que provocava o derrubamento da carga. Ou capotamento. Mas sempre um caminhão sozinho. Sozinho, claro, sem contarmos a clássica desculpa da “fechada”.

Ontem, pela Bandeirantes (considerada, não sei por quem, a melhor estrada do país), um caminhão pedia passagem insistentemente pela pista da direita, num ponto em que há quatro pistas. Ou seja, ele estava muito, muito rápido. Principalmente se considerarmos que a velocidade máxima ali é(ou deveria ser) de 90km/h para caminhões. E sem contar que isto aconteceu bem na frente do posto dos policiais rodoviários.

Por falar neles, parece que a era dos radares os livrou dessa tarefa incômoda de fiscalizar. SUVs, caminhões, carros de passeio já não parecem se importar com o posto de guarda. Mais intimidante é o radar. Assim, ninguém mais respeita senão o “multador” automático.

Na própria Bandeirantes, uma das vias mais monitoradas do Brasil (há câmeras em quase toda a extensão) ninguém parece preocupado com os abusos do volante: as imagens não são utilizadas para punir. Quando acontece um acidente de grandes proporções, a surpresa é geral. Mas não deveria ser.

Ontem, na cidade de São Paulo, uma SUV passou por cima de um motoqueiro, matando-o. O motorista da SUV diz que foi um acidente, e que não parou por medo dos outros motoqueiros. É verdade que motoqueiros xingam com veemência quem, a seu critério, lhes barra a passagem. E é verdade que, em acidentes, esses motoqueiros, unidos em multidão, intimidam e até mesmo agridem os motoristas envolvidos, independentemente de culpa. E é verdade também que alguns motoristas manobram sem a devida atenção a essa praga urbana causada pelo veto de Fernando Henrique Cardoso a um artigo de lei que ele sancionou. Além disso, alguns realmente não se incomodam, como eu mesmo presenciei várias vezes. Mas o resultado é cruel para o motociclista, Qualquer acidente é grave, no mínimo. Apesar disso, não é pequena a velocidade com trafegam a centímetros de outros veículos, muitas vezes entre dois caminhões. E, de sua rapidez no trânsito surge a grande armadilha: qualquer descuido é fatal.

Acreditei no que disse o motorista da SVU. E acreditei que o motoqueiro foi vítima. Mas o motoqueiro faleceu, não há lição nessa história, ao menos para ele.

No país do “dois pau prá eu” a educação de trânsito é um luxo. Um luxo que mata mais que muitas guerras. O custo de um motoqueiro por dia parece pequeno numa cidade de milhões de habitantes. As famílias, entretanto, contam seus membros individualmente. Qualquer um faz falta. Não importa de quem é a culpa.

Mas o pedágio está pago. E o IPVA também!

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