quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A idéia torturante da anistia a torturadores

O poder é esmagador. Literalmente quando aqueles que o detêm o utilizam para subjugar aqueles que não são seus aliados. Essa prática, a de torturar fisicamente outros seres humanos, não deveria pertencer ao mais inteligente animal da Terra. Ao contrário, é demonstração de bestialidade cabível somente em irracionais. Mas, pensando bem, irracionais foram aqueles que praticaram a tortura no Brasil.

Abdicaram da racionalidade ao enfrentar seus opositores não com idéias, mas com a força bruta. Não satisfeitos, e impunes, torturaram também, a granel, aqueles que, mesmo sem apresentar oposição, não lhes eram prezados. Assim, opositores e desafetos eram as vítimas comuns. mas opositores a quê? Desafetos de quem? A tudo e de todos, parece ser a resposta mais acertada. A depender daquele de quem emanava o poder, qualquer um poderia ser desafeto ou opositor.

O ser mais inteligente desarmou com a força bruta as idéias que lhes eram inconvenientes. E seus donos. Covardemente, encurralou a pessoa no pior medo: o da morte. Na pior das situações: a da impotência de reação. Retirou a dignidade, humilhou, feriu, marcou, matou. Em nome de quê, mesmo?

Todos, sem distinção, estavam sujeitos a serem a próxima vítima. Bastava ter uma idéia, ou bastava incomodar alguém.

Quando a prática acabou (se é que acabou, nada parece afiançar isto), os mais notórios pretendiam-se intocáveis. Sim, torturaram, mas e daí? São águas passadas, parece ser seu raciocínio.

Como disse o Ministro da Justiça, emendado pelo Ministro da Defesa, quem vai decidir é o Supremo Tribunal Federal. O lado triste: que seja preciso que uma instituição diga que uma prática tão covarde seja crime imprescritível. Deveria ser senso comum que há covardias que exigem punição. E o lado bom: que haja uma instituição, num estado de direito, a quem incumba esse papel. E que, gostemos ou não, cumpra-se a lei. Ou as leis, e de acordo com sua hierarquia, que é a discussão presente.

Lembremos-nos de Nuremberg, e rechacemos o argumento de que todos somente cumpriam ordens. O crime é contra a humanidade!

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