quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Escolha suas batalhas

A fez um comentário sobre o texto do Abuso ao Consumidor que me leva a complementá-lo.

A criação dos Juizado Especial Cível (antes chamado de pequenas causas) alavancou uma ação direta pelo que as pessoas consideram seus direitos. Um pouco antes, o Código de Defesa do Consumidor já estabelecera a inversão do ônus da prova em alguns casos, o que não foi pouco. Quer dizer que se você alegar um fato (crível, com um mínimo de verossimilhança), a empresa é que tem de provar que o fato não ocorreu. Vendo a justiça agir em seu favor, e, melhor, de forma rápida, os cidadãos se animaram e as ações nessa esfera têm crescido a cada ano.

Um pouco do ânimo com o PROCON diminuiu em função da procura, por paradoxal que seja. Em minha cidade, as filas são enormes, e somente quem realmente tem paciência é que enfrenta a briga por seus direitos. Ou seja, aumentou a procura, a celeridade que se verificou no início sofreu um revés.

As recentes decisões do governo (a lista de não inclusão em telemarketing, as regras para cancelamento de serviços e reclamações) mostram que há deputados preocupados com o assunto. E que, cada vez mais, poderemos contar com dispositivos que nos auxiliem em nossa inglória batalha por nossos direitos.

O que quero dizer é que, quando escolhemos uma batalha dessas, muitas vezes nossa avaliação recai sobre a possibilidade de ganhar de fato. E o tempo que se despenderá até que isso ocorra.

Sabemos todos que há abusos por parte das empresas. E sabemos que devemos reagir. Mas, continuo acreditando, nossa cultura nacional nos define nesse ponto. E, na medida em que reagimos, as gotas no oceano que somos, vamos chegar a um momento em que vamos, de forma concreta, influenciar essa cultura no sentido inverso.

A União não faz somente açúcar e álcool…

Ah, e o fato e exigirmos o que é nosso por direito não diminui, em nada, nadica, a essência de nosso caráter e personalidade. Ao contrário.

Nenhum comentário:

Postar um comentário