domingo, 30 de novembro de 2008

Círculo das preocupações

No post sobre a violência contra as mulheres, reproduzi o testemunho de uma amiga que viu o ocorrido. Indignada, além do relato, promete ela outras medidas.

O caso é: o que fazer? Quais medidas seriam efetivas para que o problema seja eliminado?

Stephen Covey, na imagem abaixo, nos mostra o que odemos fazer de fato e o que, apesar de constar em nosso rol de preocupações, está fora do nosso alcance imediato.Círculo Covey

Mas ensina que, se não está podemos trabalhar para que fique ao alcance de nossa ação.

Alguns exemplos são simplórios. É o caso de nossa ação em relação a um superior, a quem conquistamos pela presteza e assertividade de nossas ações, o que o torna interessado em nosso modo de ser. Já um caso em envolve cultura e sociedade, como o das agressões a mulheres, o caminho é muito mais longo.

O caminho é o da conscientização, seja o lá o que isto quer dizer. (Sempre que precisaríamos de alguma inteligência no ato, dizemos que falta conscientização. Isto é de um reducionismo ignorante).

Como fazer com que o animal macho perceba que sua ação de agredir é errada? Será que realmente é preciso? A inteligência que lhe proporciona o dom da fala não deveria suprir essa falta? Ou seja, não é óbvio que a violência é errada?

Sempre que vejo um pai ensinando o filhinho ainda pequeno a fazer gracejos para as mulheres penso que nossa inteligência superior é bem estúpida. E, quando a criança repete o que lhe manda dizer o pai, todos acham muita graça, riem muito, e passam a mensagem ao garoto de que ele está agradando. Idem para aquelas brincadeiras de palavrão. É engraçado ver a criança falando palavras chulas que ele nem tem condições de entender? É engraçado ver crianças dizendo obscenidades que só muito tempo depois ele compreenderá?

Qual é o papel da mãe nisso? Acha engraçado? Ri junto? Faz vista grossa?

O comportamento é socialmente aceito. O pai espera que o filho nseja macho, que seja mulherego, que diga palavrões. E os palavrões são, na maioria das vezes, aplicados em situações em que há irritação, aborrecimento. Ou seja, é a manifestação verbal da discordância. A própria violência verbal.

Criamos nossos monstros. Ensinamos, ou deixamos ensinar, o que é a raiz de nossos problemas. Ninguém se preocupa com a mensagem, só com o conteúdo. Quando, entretanto, crianças são jogadas das janelas, esquartejadas, assassinadas sem piedade, por adultos mal-formados, ou seja, manifestando ainda aquelas crianças que, na birra, extrapolam, todos nos assustamos. Assustamos-nos com o fruto do que plantamos. E regamos ao longo da vida.

Se queremos aumentar nossos círculo de influência nessa área, como professa Covey, temos de começar a plantar as sementes certas. Não espermos muito do “pau que nasce torto”. Tratemos, pois de consertar o futuro.

sábado, 29 de novembro de 2008

Violência contra a mulher: covardia imperdoável

Eu sou contra a violência verbal, aquela contida nos nossos processos de comunicação inadequados, em que gritos e ofensas tentam impor alguma coisa. Nem é preciso dizer que considero a violência física um ato de extrema irracionalidade, para dizer o minimo, e a negativa da evolução humana e da tão propagandeada inteligência que deríamos ter.

Em 2006 o presidente Lula sancionou a lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, e que alterou o código penal para tornar mais severa a punição do homem que agride a mulher.

A referida lei tem esse nome em decorrência do caso de maria da Penha Maia Fernandes, vítima de agressões e tentativas de assassinato perpetradas por seu marido. Como conseqüência, ficou tetraplégica, depois de receber ataques com arma de fogo, tentativa de afogamento e eletrocução.

O julgamento levou quase vinte anos, e o marido/verdugo ficou apenas dois anos preso em regime fechado.

Muitas vezes, a mulher não registra ocorrência policial. Em parte das vezes, o medo de relatiação a impede de procurar ajuda. Noutras vezes, a esperança de que tenha sido a última vez. É conhecida, pelo caso de Patrícia Hearst, a Síndrome de Estocolmo, em que a vítima nutre sentimentos pelos seus algozes (como no casos de seqüestros), e se apaixona por ele (ou o perdoa). Mesmo aqui, psicológos defendem o medo como motivador, pois dirige a ação no sentido de auto-preservação.

Uma amiga alterou seu perfil do orkut para contar a história abaixo:

Como ajudar uma mulher vítima de violência ?
Presenciei no início desta madrugada uma mulher sendo espancada pelo marido e violentada em seguida, chamei a polícia e nada, os outros moradores do prédio fizeram o mesmo, e nenhuma patrulha apareceu. Os gritos da mulher podiam ser ouvidos de longe e a seqüência de maus tratos durou mais de 3 horas.
E a polícia mantém seu comodismo, afinal, se morrer, é menos uma... Então aparecem na TV como heróis da fatalidade!
Porteiros por sua vez, não podem fazer nada: É problema interno... Nem o síndico pode se meter...
É problema interno, até acontecer com alguém da sua família! Todos os moradores circunvizinhos ouviram, era o show dos horrores de camarote em suas janelas. A polícia informou que recebeu 19 chamados para atender o caso, que por sua vez, não foi atendido. Então me pergunto: Seria policial o agressor e por isso seus comparsas não apareceram com suas decadentes fardas? Especulações a parte, o fato é que houve negligencia e a mulher esta lá com seus ferimentos no corpo e na alma, vítima da impunidade e do medo.
Não acredito que nada possa ser feito!

Vejamos: foram 19 chamados para atender ao caso, e a polícia não apareceu.

Foram 3 horas de violência, o que garantiria uma atendimento da polícia, por mais lerda que fosse. Ao mesmo tempo, imagine 3 horas de tortura e violência.

A mulher vai prestar queixa? Não sei. Temo que não. Em casos assim, por medo ou amor distorcido, essas mulheres procuram em seu comportamento motivos para fundamentar a agressão que sofreram. Infelizmente, assumem a culpa da covardia do animal que se diz macho. Não nos enganemos, ninguém tem culpa pela ignorância alheia.

A polícia é co-autora. Se dezenove chamados não a convenceu de que havia um crime em andamento, o que poderia convencê-los? Se, avisados, não compareceram, permitiram a seqüência da barbárie. E a indefesa mulher indefesa continuou.

Vizinhos? Não recomendo que se metam, a não ser por acionar as autoridades. Já há casos suficientes de defensores agredidos por, pasme, marido e mulher nesses casos. Mas se acionar a autoridade não produz resultados, o que fazer? Não sei.

Sei que a violência é a manifestação da falta de inteligência para argumentar. E falta de inteligência para reconhecer a razão alheia. E falta de inteligência (por paradoxal que seja) para perceber que animais irracionais é que se valem da força bruta. Nós, seres pretensamente evoluídos, valemos-nos é da força retórica, dos ataques verbais, dos requintes da tortura psicológica, que eu já acho de ignorância mostruosa.

Infelizmente, a barbárie continua. E continuará. Até que a polícia aja, e a lei possa ser aplicada. Mas, santa utopia, continuará até que o ser humano se livre desses impulsos bestiais que os levam a ser predador de si mesmos. E, nessa predação, deixem os indefesos e fracos como vítimas.

Estudo sobre acidentes de motos

Na Folha On Line, em 29/11, uma matéria sobre acidentes com motos. Feito pela Associação Brasileira de Medicina do Tráfego, indica que há 25 acidentes com motos pode dia na cidade de São Paulo, no Fórum Desafio em Duas Rodas - Convivência entre Automóveis e Motos nas Grandes Cidades.

Segundo esse estudo, as causas dos acidentes são:

image

Mais:

Sobre a região do corpo agerada:

  • 95% dos acidentados têm o cérebro atingido;
  • 73% têm os membros atingidos.

Hospitais:

  • 65% das Unidades de Tratamento Intensivo são ocupadas por acidentadas no trânsito;
  • 73% daqueles acidentados envolvem motociclistas.

Tipo de motociclista, para cada cinco mortes:

  • quatro envolvem motociclistas usam a moto para ir ao trabalho ou se divertir;
  • uma envolve motoboy.

Já relatei por este blog acidentes que presenciei. E já expus minha posição. Entre carros parados, as motos  trafegam em altas velocidades. Se há um movimento de um carro que afete uma moto, esta tem um tempo curtíssimo para reagir. E oss movimentros dos carros são inevitáveis.

Sobre esses movimentos, ainda, há a reação, sempre violentas, dos motociclistas que se sentem afetados. Mas eles surgemdo nada, muitas vezes de outras faixas de direção, e não dão muito tempo para vê-los, que dirá evitar as manobras.

Já presenciei, inclusive, acidentes entre motos. Uma atrapalhando a outra, da mesma forma que reclamam que fazem os carros. A imprevisibilidade dos movimentos acaba potencializando a quantidade de acidentes ocorridos. E já vi, também, motos fora da “faixa de rolagem” das motos, aguardando uma brecha para entrar. É tão sensível essa relação que mesmo entre eles há problemas.

Os dados sobre hospitais são preocupantes. Quer dizer que o dinheiro dos hospitais, já tão escasso, destina-se a vítimas de acidentes evitáveis. E, se evitáveis, o dinheiro é desperdiçado, além das conseqüências pessoais aos motociclistas.

Relembro que houve um item da lei barrado por Fernando Henrique Cardoso, justamente a que disciplinava a forma de condução das motos entre os carros. A alegação era a de que perderiam as motos a agilidade que se espera. Agilidade e acidentes/mortes, eis a decisão tomada. Já sabemos quem domina essa relação.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Pro Teste e PROCON

Contei aqui o caso que achei um abuso num hotel. Nem sempre, entretanto, saímos ganhando essas batalhas em que somos o punho, e as empresas são a ponta de uma grande faca.

Em outro hotel, uma exigência: uma pré-autorização no cartão de crédito, com o valor das diárias programadas. Ao sair, mesmo que pagando com o mesmo cartão de crédito, cancela-se a pré-autorização para aprovar o valor total de novo. Várias pessoas reclamando, e a explicação padrão: - É assim que trabalhamos.

- Ok, pelo menos me dê o comprovante do cancelamento da pré-autorização.

- Impossível, nossos sistema não está preparado para isso.

- E como tenho certeza de que foi cancelado?

- Nós nunca tivemos problemas com isso.

Parecia um falando grego, o outro japonês.

O resultado é o seguinte: não vamos mais àqueles hotéis. É pouco? Sim, acho que sim. Mas é necessário.

Por outro lado, há associações que se preocupam com esse tipo de ação e cutucam, sempre com grande poder de persuasão, aqueles que desrespeitam o consumidor. O PROCON é um exemplo já incorporado. Mas a Associação Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor - http://www.proteste.org.br) merece destaque. Preste atenção: sempre que há recall, aumentos de planos de saúde, alterações legislativas, eles são ouvidos. Ou se fazem ouvir. E os resultados dessa associação, séria, aos poucos se impõem como incontestes.

Não terceirizemos a reinvindicação dos nossos direitos. Mas contemos com gente séria a nos auxiliar. Vai pôr a boca no trombone? Chame ajuda.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Dura lex, sed latex

Pros pobres, é dura lex, sed lex: a lei é dura, mas é lei. Pros ricos, dura lex, sed latex: a lei é dura, mas estica.

Fernando Sabino

 

No meio dessa confusão econômica mundial, já li várias vezes nomes de grandes empresas: Citibank, General Motors, JP Morgan, e por aí vai. Em manchetes, todos recebendo ou pedindo dinheiro. Ao/do governo, claro. Ainda não vi, uma vez sequer, Joe, o Encanador, nas manchetes (Joe foi o personagem utilizado pelo candidato derrotado McCain para personificar o americano). Pois bem, ele existe, e aos milhões.

Enquanto essas empresas socorridas pelo governo recebem seus bilhões de dólares que fariam corar nosso PROER, seus dirigentes continuam intocados, com seus milhões de dólares de bônus recebidos pelos serviços prestados. Intocados pois ainda andam em seus helicópteros ou jatinhos, e suas Mercedes descansam em paz nas garagens das mansões. Mas os joes americanos (e outros pelo mundo, inclusive no Brasil) não têm a mesma sorte: sua casa foi tomada (motivo da crise: financiamentos hipotecários. as pessoas físicas perderam suas residências, as pessoas jurídicas receberam dinheiro do governo). Ao mesmo tempo, enquanto a crise se alastra e atinge a produção de automóveis, mais e mais pessoas físicas, atingidas pela mesmíssima crise, com dificuldades para pagar seus financiamentos, receberam também dinheiro do governo para honrá-los. Espere aí… Não, não receberam. Continuaram quebrados, e estão tendo seus carros arrestados. Obama está protelando o auxílio às montadoras, mas ele virá. Já aos donos dos carros…

No Brasil, tente abrir ou fechar uma empresa. Os regulamentos são muitos, e rigorosos: não há exceções. Exceto…

Antes: você já teve problemas com a Receita Federal? Ou com o IPTU? O presidente da república ou o prefeito de sua cidade receberam você em audiência para ouvir suas queixas? Ajudaram?

Felipão, o ex-técnico da seleção canarinho (nossa, que coisa velha!!!), foi visitar Lula. Cortesia? Não, problemas a Receita. Pediu uma ajudinha. Será que influenciado pelo exemplo que deu nosso governo, ao articular mudanças na lei para a operação Oi-Telemar-Brasil Telecom? Os mortais, ao abrirem aquela empresa lá de cima, são engessados pelas leis e regulamentos. Os mais-que-mortais recebem mudanças nas leis que os atrapalham… mas peça uma audiência para pedir ajuda…

No Brasil, pessoas já estão devolvendo automóveis financiados. A crise, aquela marolinha, já tem surfista se aproveitando dela. Mas como Joe, o encanador, não merece manchetes, não nos preocupemos com ele. Preocupemos-nos com os dirigentes/governantes que permitiram que essa crise se instalasse. Pobrezinhos, devem estar tão preocupados…

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Colhemos o que plantamos

Todos nós conhecemos aquelas pessoas “difíceis”. Eufemismo para “estouradas”. São pessoas que se dizem autênticas, que dizem que são francas, falando exatamente o que pensam. Mas, pensando ou não, conseguem ser, no mínimo, inconvenientes. No mais das vezes, agridem e ofendem seus interlocutores.

Os grossos que me perdoem, mas gentileza é fundamental.

A pergunta é: o que pretendem essas pessoas com esse comportamento?

Pode ser a reafirmação do que acreditam ser. Com palavras duras, destemperadas, mantêm comportamento que lhes acompanhou durante boa parte da vida. Não conseguem ver o reflexo de suas ações nas outras pessoas. Ou, vendo, não conseguem mudar. Ou, ainda, mesmo vendo, não vêem motivos para mudar.

Pode ser insensibilidade mesmo. As palavras fluem sem crítica, sem consideração pelo que representarão ao interlocutor. Ou sejam, falam sem pensar. Se ao falar não pensam, não têm mais motivos para pensar depois. De novo, não vêem motivos para mudanças.

E pode ser uma escolha. Pode ser somente a manifestação de um poder, seja de fato, que reflita um cargo ou uma posição social, ou a obtenção de poder, justamente pela ferinidade das palavras. Poder fugaz, obtido pela agressão verbal pura.

Ninguém precisa ser assim. E quando digo “precisa”, quero dizer “escolhe”. Algumas vezes, somos mesmo mais agressivos ai falar. Mas naquelas situações em que a porção animal vem à tona, é o nosso rosnar social. Mas ser assim todo o tempo, aquele animal feroz e indomável, já não é mais socialmente necessário.

A essas pessoas que se comportam como se as palavras fossem vãs, as conseqüências. São pessoas que são evitadas. Suas conversações não se mantêm, porque seus interlocutores temem a próxima explosão. São alijadas de processos mais delicados, onde a comunicação é ponto sensível. São rotuladas como difíceis, porque realmente são, e carregam esse estigma pela vida afora.

Veja: não custa nada ser amável, ser gentil. Não custa refrasearmos para não sermos duros. Não custa escolher as palavras, para não ter de rechaçar reações. Não custa ser civilizado, e ser civilizado é uma grande ajuda ao bom dia que sempre desejamos a todo mundo.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Vale a pena

Achei no Blogger'SPhera, reproduzo abaixo por valer a pena. Veja que a letra não é a original de Stand By Me (Ben E. King/Jerry Leiber/Mike Stoller).

sábado, 22 de novembro de 2008

O NossoBanco do Brasil

Olhando aqui de longe, de bem longe, estava imaginando o porquê do interesse do Banco do Brasil pela NossaCaixa. Não consegui, nesta minha ignorância, identificar um motivo sequer.

Até que o Molusco Lá explicou: o Banco do Brasil precisa ser o maior banco do Brasil. Ah, bom!

Mas… por quê, mesmo?

Aí o presidente do banco aprofundou a explicação: “não se consegue imaginar o Banco do Brasil, com esse nome, não estando no bloco da liderança. Ah, bom!

Mas, de novo… por quê, mesmo?

O custo da operação foi/será de R$ 5,386 bilhões de reais. Merece um destaque: BILHÕES.

Eu, mero mortal, preciso comparar esse valor com coisas que conheço. Vamos lá, o que é possível comprar com esse dinheiro?

  • 2.445.958.220 quilos de arroz (agulhinha tipo 1, a R$ 2,20 o quilo);
  • 2.895.698.925 litros de leite (Integral, a R$ 1,86 o litro);
  • 769.428.571,4 quilos de pão (francês, a R$ 7,00 o quilo);
  • 26.930 ambulâncias (ao custo aproximado de R$ 200.000,00, segundo dados do GDF);
  • 3.590.667 salários de policiais civis em início de carreira (assumindo-se como R$ 1.500 o valor individual, projetado daqui);
  • e por aí vai…

O ponto é: o Brasil vai muito bem, obrigado. Com índices de aprovação altíssimos, o Molusco Lá se despreocupa com o Brasl real (o de verdade, não o da moeda). nas escolas públicas, professores ora são agredidos, ora agridem; nos hospitais, o sucateamento é o padrão, e até que outra série de mortes aconteça, o fto está longe dos noticiários.

Mas a preocupação dos nossos mandatários é manter um banco federal como o maior do país. E, triste, sem conseguir explicar (e convencer) exatamente por quê.

Se me lembro bem, a movimentação pela privatização dos bancos estaduais tinha como bandeira a falta de gestão, bem como o apadrinhamento que era regra. E, se me lembro bem também, o Banco do Brasil já foi pilhado comprando muitos ingressos de um show que não interessa a ninguém. É preciso lembrar que há cargos e salários envolvidos, e que o dinheiro do governo federal é fruto do nosso trabalho.

Como vão ficar os indicados pelo governador no novo banco? Como vão ficar os indicados pelos partidos no NossoBanco? E a concorrência, como vai ficar? Alguém se lembra de Itaú e Bradesco em dificuldades por não serem o maior das américas? Alguém imagina que Itaú/unibanco, agora os maiores, vão ter taxas mais competitivas e melhor atendimento do que antes, somente pela mágica de ser o maior?

Infelizmente o que comove nosso presidente é um delírio. Deveria sofrer um choque de Buda, e ver nossos mortos, nossos idosos, e nossos doentes. Mas a origem (pobre do presidente) é delével, e o futuro é moldável (plante agora para colher depois).

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Escolha suas batalhas

A fez um comentário sobre o texto do Abuso ao Consumidor que me leva a complementá-lo.

A criação dos Juizado Especial Cível (antes chamado de pequenas causas) alavancou uma ação direta pelo que as pessoas consideram seus direitos. Um pouco antes, o Código de Defesa do Consumidor já estabelecera a inversão do ônus da prova em alguns casos, o que não foi pouco. Quer dizer que se você alegar um fato (crível, com um mínimo de verossimilhança), a empresa é que tem de provar que o fato não ocorreu. Vendo a justiça agir em seu favor, e, melhor, de forma rápida, os cidadãos se animaram e as ações nessa esfera têm crescido a cada ano.

Um pouco do ânimo com o PROCON diminuiu em função da procura, por paradoxal que seja. Em minha cidade, as filas são enormes, e somente quem realmente tem paciência é que enfrenta a briga por seus direitos. Ou seja, aumentou a procura, a celeridade que se verificou no início sofreu um revés.

As recentes decisões do governo (a lista de não inclusão em telemarketing, as regras para cancelamento de serviços e reclamações) mostram que há deputados preocupados com o assunto. E que, cada vez mais, poderemos contar com dispositivos que nos auxiliem em nossa inglória batalha por nossos direitos.

O que quero dizer é que, quando escolhemos uma batalha dessas, muitas vezes nossa avaliação recai sobre a possibilidade de ganhar de fato. E o tempo que se despenderá até que isso ocorra.

Sabemos todos que há abusos por parte das empresas. E sabemos que devemos reagir. Mas, continuo acreditando, nossa cultura nacional nos define nesse ponto. E, na medida em que reagimos, as gotas no oceano que somos, vamos chegar a um momento em que vamos, de forma concreta, influenciar essa cultura no sentido inverso.

A União não faz somente açúcar e álcool…

Ah, e o fato e exigirmos o que é nosso por direito não diminui, em nada, nadica, a essência de nosso caráter e personalidade. Ao contrário.

domingo, 16 de novembro de 2008

Abusos ao consumidor?

No check-in do hotel, um documento para preencher tratava do cofre interno do apartamento. Se eu quisesse utilizá-lo, tinha de pagar R$ 50,00 (cinqüenta reais). Caso contrário, tinha de assinar um termo isentando o hotel de qualquer problema que acontecesse com meus pertences.

Então: ou paga ou a responsabilidade é sua

Desta vez, não briguei. Mas vou apurar, e vou considerar a denúncia do hotel. Pois neste Brasil das saúvas, os abusos só se encerram quando lutamos.

Certa vez, num banco oficial, ao solicitar um serviço, o caixa do banco negou. Disse que só poderia prestá-lo aos clientes do banco. Solicitei ser atendido pelo gerente. Era uma mulher, que só me atendeu porque exigi. E explicou-me que, como exceção, prestar-me-ia o tal do serviço. Ao que respondi, de carteirada, que conhecia profundamente o Manual de Normas e Instruções do Banco Central (o que era verdade), e que não era favor, era dever. Ao que, contrangida, confessou que era o procecimento padrão para evitar o que chamavam de usuários…

Em outra ocasião, também em um banco, o guarda travou a porta giratória. E disse que precisaria revistar minha pasta. Eu disse que tudo bem, mas que ele chamasse a polícia – ou eu o faria – pois, se não tivesse nada, eu registraria uma ocorrência para processar a instituição.  gerente mandou autorizar minha entrada. (Nada contra a porta giratória com seus detetores de metal. Mas, repito: o guarda acionou o travamento, não foi detectado nenhum metal pelos sensores. Daí minha intransigência).

Enfim, este tipo de briga é inglória. Nunca a ganharemos, consumidores. Ao menos neste estado de mobilização que estamos. Veja que eu mesmo, indignado como estou, não reagi na hora. Acho que o histórico nos desanima. Nunca ganhamos…

Ânimo. Uma hora ganharemos…

sábado, 15 de novembro de 2008

Blog a la Carte e BloggerSPhera - II

Ainda estou impressionado com o problema do Blog a La Carte. O que leva uma pessoa a querer roubar uma blog? Ainda mais um blog com um sentido de ajuda e, mais, ajuda gratuita?

Quando eu era tecnocrata, “aprendi”, por força do ofício, vários tipos de fraude, inclusive virtuais, s quais combatíamos, claro. Como objetivo, havia sempre o vil metal: a apropriação de quantias de dinheiro. Objetivo claro, definido, embora ilegal.

No caso de um blog (ou uma página de internet), o que se pretende? Qual é o objetivo? Não consigo chegar a solução melhor que a comparação desse ato àqueles de vândalos que, sem ter  mais o que fazer, resovem depredar o bem alheio. Sem objetivo, senão extravasar a irracionalidade animal.

Dormíamos de janela aberta até que ladrões passaram a se valer disso. Como resposta, janelas trancadas. E, como o ser humano aprende, passo a tomar cuidado com também este bem intangível que é o blog. O exemplo da Rô infelizmente alertou. Há pessoas que podem fazer esse tipo de maldade. E passo a trancar a janela deste espaçozinho.

Que, a bem da verdade, não passa de um lugarzinho para minha bobagens pessoais. Mas o Blog a La Carte era diferente. Útil, com conteúdo, de ânimo para auxiliar.

Um crime.

Anote: http://bloggersphera.blogspot.com/, o BloggerSPhera. A vida continua, nasce um outro espaço. Útil, como sempre. Espero que não haja mais problemas. Infelizmente, esperar é tudo que nos resta.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Ilhado

No hotel, a conexão wi-fi está em “fase de ajustes”. Eufemismo para “não funciona nem com reza brava”…
Minha placa da Vivo não conecta. Insisto, pode ser só preguiça. Clico, ela diz que não dá. Clico, clico, clico… cansei.
No celular, a conexão não ajuda. As páginas não cabem na telinha…
Tecnologia é bom, mas cria uma dependência…

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Esfingenianas…

Música intrigante, de letra tão genérica que, ao não dizer nada, diz muito. Ahn? Não disse coisa com coisa? Ah, tudo bem. Uma amiga diz que sou mais misterioso que a esfinge…

 

Letra:

Overkill

Men At Work

I cant get to sleep
I think about the implications
Of diving in too deep
And possibly the complications
Especially at night
I worry over situations
I know will be alright
Perhaps its just imagination
Day after day it reappears
Night after night my heartbeat, shows the fear
Ghosts appear and fade away
Alone between the sheets
Only brings exasperation
Its time to walk the streets
Smell the desperation
At least theres pretty lights
And though theres little variation
It nullifies the night
From overkill
Day after day it reappears
Night after night my heartbeat, shows the fear
Ghosts appear and fade away
Come Back Another Day
I cant get to sleep
I think about the implications
Of diving in too deep
And possibly the complications
Especially at night
I worry over situations
I know will be alright
Its just overkill
Day after day it reappears
Night after night my heartbeat, shows the fear
Ghosts appear and fade away

Overkill (tradução)

Men At Work

Composição: Men At Work

Exagero
Não consigo pegar no sono
Eu penso nas implicações
de mergulhar tão fundo
E possivelmente as complicações
Especialmente à noite
Eu me preocupo com situações que
Eu sei que se resolverão
Talvez seja só minha imaginação
Dia após dia reaparece
Noite após noite a batida do meu coração demonstra o medo
Fantasmas aparecem e somem
Sozinho entre os lençóis
somente traz irritação
É hora de caminhar nas ruas
Sentir o cheiro do desespero
Pelo menos há luzes bonitas
E embora haja pouca variação
Ela livra a noite
do exagero
Dia após dia reaparece
Noite após noite a batida do meu coração demonstra o medo
Fantasmas aparecem e somem
Volte outro dia
Não consigo pegar no sono
Eu penso nas implicações
de mergulhar tão fundo
E possivelmente as complicações
Especialmente à noite
Eu me preocupo com situações que
Eu sei que se resolverão
É somente exagero
Dia após dia reaparece
Noite após noite a batida do meu coração demonstra o medo
Fantasmas aparecem e somem

As letras são do Letras de Músicas.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Motos, caminhões: perigo!

Numa viagem ao sul, deparei-me com mais de uma dezena de acidentes pela estrada. Mas havia um detalhe: todos, sem exceção, envolviam somente um veículo, que acontecia ser sempre um caminhão. Geralmente era uma saída da estrada que provocava o derrubamento da carga. Ou capotamento. Mas sempre um caminhão sozinho. Sozinho, claro, sem contarmos a clássica desculpa da “fechada”.

Ontem, pela Bandeirantes (considerada, não sei por quem, a melhor estrada do país), um caminhão pedia passagem insistentemente pela pista da direita, num ponto em que há quatro pistas. Ou seja, ele estava muito, muito rápido. Principalmente se considerarmos que a velocidade máxima ali é(ou deveria ser) de 90km/h para caminhões. E sem contar que isto aconteceu bem na frente do posto dos policiais rodoviários.

Por falar neles, parece que a era dos radares os livrou dessa tarefa incômoda de fiscalizar. SUVs, caminhões, carros de passeio já não parecem se importar com o posto de guarda. Mais intimidante é o radar. Assim, ninguém mais respeita senão o “multador” automático.

Na própria Bandeirantes, uma das vias mais monitoradas do Brasil (há câmeras em quase toda a extensão) ninguém parece preocupado com os abusos do volante: as imagens não são utilizadas para punir. Quando acontece um acidente de grandes proporções, a surpresa é geral. Mas não deveria ser.

Ontem, na cidade de São Paulo, uma SUV passou por cima de um motoqueiro, matando-o. O motorista da SUV diz que foi um acidente, e que não parou por medo dos outros motoqueiros. É verdade que motoqueiros xingam com veemência quem, a seu critério, lhes barra a passagem. E é verdade que, em acidentes, esses motoqueiros, unidos em multidão, intimidam e até mesmo agridem os motoristas envolvidos, independentemente de culpa. E é verdade também que alguns motoristas manobram sem a devida atenção a essa praga urbana causada pelo veto de Fernando Henrique Cardoso a um artigo de lei que ele sancionou. Além disso, alguns realmente não se incomodam, como eu mesmo presenciei várias vezes. Mas o resultado é cruel para o motociclista, Qualquer acidente é grave, no mínimo. Apesar disso, não é pequena a velocidade com trafegam a centímetros de outros veículos, muitas vezes entre dois caminhões. E, de sua rapidez no trânsito surge a grande armadilha: qualquer descuido é fatal.

Acreditei no que disse o motorista da SVU. E acreditei que o motoqueiro foi vítima. Mas o motoqueiro faleceu, não há lição nessa história, ao menos para ele.

No país do “dois pau prá eu” a educação de trânsito é um luxo. Um luxo que mata mais que muitas guerras. O custo de um motoqueiro por dia parece pequeno numa cidade de milhões de habitantes. As famílias, entretanto, contam seus membros individualmente. Qualquer um faz falta. Não importa de quem é a culpa.

Mas o pedágio está pago. E o IPVA também!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Blog a la Carte e Blogger’SPhera

Para me auxiliar na formatação, resolução de problemas e embelezamento deste espaço, recorro a alguns blogs de especialistas no assunto. O que mais me ajudava era o Blog a La Carte, da Rô, sempre muito atenciosa, com auxílios prontos e precisos. Mas o blog foi “roubado”, e ela, sem conseguir recuperá-lo, teve de construir um novo.

Nesta blogosfera selvagem, ser bom é raridade. Ser ótimo, é para feras. Daí, passo a recorrer ao Blogger'SPhera, novo cantinho da Rô, que, tenho certeza, vai continuar nos auxiliando, pobres mortais tão necessitados de dicas e tutoriais.

Atualizei meus links. Se você é blogueiro(a), visite, vale a pena: http://bloggersphera.blogspot.com/.

 


Decisões a priori

Stephen Covey nos apresenta nos livro Os Sete Hábitos de Pessoas Altamente Eficazes a desconcertante noção de que entre uma ação e a reação que temo,s há um intervalo de tempo que, por menor que seja, nos permite escolher que reação será essa. Assim, a responsabilidade pela (re)ação é nossa, pois utilizamos (ou não) essa tempo para decidir como reagir. Ele menciona Viktor Frankel (criador da logoterapia) como sendo um exemplo (e sua obra confirmará) como é possível manter a disciplina mental mesmo sob as mais árduas condições.

Essa capacidade de escolher as decisões não é, entretanto, fácil de adquirir. Exige força de vontade e disciplina. Mas o progresso é concreto, e os resultados surgem.

Ao longo do tempo, quando nos preparamos para esse comportamento, algumas vezes, entretanto, nos percebemos engolfados pela reação intempestiva, no que Daniel  Goleman chamou, no excelente Inteligência Emocional, de seqüestro emocional.São aqueles situações em que o inusitado nos pasma a ponto de virarmos passageiros de nossas emoções.

Uma vivência que poucos registram é exatamente essa: as ocasiões em que perdemos o controle. Mas é particularmente útil termos ciência dessas situações, para que aconteça nosso preparo.

Aprendi, tardiamente, reconheço, a controlar minhas reações. Foi baseado nesse rol de situações (que eu observei em mim) que pude identificar o que me levava ao seqüestro citado por Goleman. Mas a verdadeira vivência é aquela em que, a priori, escolhemos nossas reações. Como naqueles mantras de algumas técnicas de relaxamento, ou aquelas abordagens de programação neurolingüística, é possível adotar uma linha de comportamento que abranja a todas as situações e evite, o máximo possível, o tal seqüestro.

Em situações mais drásticas, ainda é possível ir além. Por exemplo, numa época de crise no ambiente profissional, um pouco de reflexão leva a resultados excelentes na questão controle, e contamina positiva todo o ambiente. Basta que mentalizemos as situações-problema possíveis e escolhamos a reação para elas. Por exemplo, os resultados não foram os desejados, e vai acontecer uma reunião para analisar as causas. Espera-se, obviamente, uma grande carga emocional em reuniões desse tipo. Se nos preparamos para as situações de conflito com o propósito de não deixá-lo prosperar, o resultado é o mais produtivo possível. E, se antecipamos essas situações, outros subprodutos surgem: diagnóstico da situações, ações necessárias, mitigações, etc..

Mas o mais importante de tudo: acordamos e nos preparamos para que o dia bom. Tomamos a decisão de não permitir que qualquer acontecimento interfira nessa decisão. Escolhemos, como diz Covey, estar no comando de nossas vidas.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Obama e o racismo

Apesar de repudiar a idéia de que a eleição americana tenha cores (Obama foi eleito pelas suas qualidades, contra as deficiências dos americanos), o resultado é uma incógnita em relação ao racismo.

Rejeito a idéia por um princípio moral. Não acredito que o país mais desenvolvido e rico do planeta se deixasse levar por uma idéia tão pequena. Mas a verdade é que os eleitores de Obama são os hispânicos, os jovens e os negros. E parte dos eleitores republicanos. Então, temos duas “minorias”: negros e hispânicos. Claro que eles estão também entre os neo-democratas e jovens. Mas a votação em bloco indica tendência interessante a ser acompanhada.

Mas um negro foi a Harvard. E assumiu o posto mais importante do país mais (atualmente) importante do mundo. Provando que não foram em vão as batalhas de Rosa Parks e de Martin Luther King.

Esperemos que essa posição lhe dê condições de enterrar, de uma vez por todas, a idéia de que possa haver, dentre os humanos, uns que sejam mais ou menos em relação a outros. Noção essa que produziu escravidão, genocídio e humilhações muitas como no caso do apartheid sul-africano.

Em meu sonho à Luther King, não precisamos nos preocupar com a cor de nossas peles, assim como não nos segregamos pela cor dos cabelos ou olhos. Mas a realidade do apartheid se impõe, assim como a bala que feriu o sonho.

Agora, Barack Obama pode mostrar ao mundo que a cor da pele não importa. Importa o caráter, a personalidade. É a grandeza do ser, não a ignomínia do preconceito racial.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A idéia torturante da anistia a torturadores

O poder é esmagador. Literalmente quando aqueles que o detêm o utilizam para subjugar aqueles que não são seus aliados. Essa prática, a de torturar fisicamente outros seres humanos, não deveria pertencer ao mais inteligente animal da Terra. Ao contrário, é demonstração de bestialidade cabível somente em irracionais. Mas, pensando bem, irracionais foram aqueles que praticaram a tortura no Brasil.

Abdicaram da racionalidade ao enfrentar seus opositores não com idéias, mas com a força bruta. Não satisfeitos, e impunes, torturaram também, a granel, aqueles que, mesmo sem apresentar oposição, não lhes eram prezados. Assim, opositores e desafetos eram as vítimas comuns. mas opositores a quê? Desafetos de quem? A tudo e de todos, parece ser a resposta mais acertada. A depender daquele de quem emanava o poder, qualquer um poderia ser desafeto ou opositor.

O ser mais inteligente desarmou com a força bruta as idéias que lhes eram inconvenientes. E seus donos. Covardemente, encurralou a pessoa no pior medo: o da morte. Na pior das situações: a da impotência de reação. Retirou a dignidade, humilhou, feriu, marcou, matou. Em nome de quê, mesmo?

Todos, sem distinção, estavam sujeitos a serem a próxima vítima. Bastava ter uma idéia, ou bastava incomodar alguém.

Quando a prática acabou (se é que acabou, nada parece afiançar isto), os mais notórios pretendiam-se intocáveis. Sim, torturaram, mas e daí? São águas passadas, parece ser seu raciocínio.

Como disse o Ministro da Justiça, emendado pelo Ministro da Defesa, quem vai decidir é o Supremo Tribunal Federal. O lado triste: que seja preciso que uma instituição diga que uma prática tão covarde seja crime imprescritível. Deveria ser senso comum que há covardias que exigem punição. E o lado bom: que haja uma instituição, num estado de direito, a quem incumba esse papel. E que, gostemos ou não, cumpra-se a lei. Ou as leis, e de acordo com sua hierarquia, que é a discussão presente.

Lembremos-nos de Nuremberg, e rechacemos o argumento de que todos somente cumpriam ordens. O crime é contra a humanidade!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Falha nossa!

Por um erro de configuração (vulgarmente chamado de burrice) no FeedBurner, alguns posts deixaram de ser atualizados via Feeds. Agora que a ficha caiu (expressão mais arcaica, né? Nem existe mais a tal da ficha…), consertei lá e voltamos ao normal.

Aos milhões (!?!?) de leitores deste blog, minhas desculpas (nada humildes)…

 

A propósito:

Que diabos é um Feed?

Que diabos é esse tal de Feedburner?

 


A grande festa da democracia

o título é irônico. Cada vez que um espetáculo de eleição acontece, como agora nos Estados Unidos e, recentemente, a eleição para prefeitos no Brasil, esse chavão é repetido à larga. No caso dos Estados Unidos, é quase uma verdade absoluta. No caso do Brasil, é uma quimera.

Mas sejamos justos: a quimera é parcial. Eleições são uma parte do que deveria ser a democracia. O pós-eleição a completa, e este ponto ainda é muito incipiente no Brasil.

Como pós-eleição, entendo que sejam aquelas ações de controle dos nossos representantes. E este é o conceito fundamental: são nossos representantes. Se, sob essa denominação podem votar o que quiserem, da forma que quiserem, em nosso nome, nem tudo deveria ser permitido. É histórica a determinação dos conflitos de interesse. Mas ninguém se declara suspeito em matéria alguma, para não ser telhado de vidro. Ou pedra.

Os nossos representantes, eleitos na grande festa da democracia, votam seus salários. Votam quem, dentre seu grupo, pode ser processado pela justiça. Votam regras de funcionamento da casa onde trabalham (senado e Câmara, por exemplo. Você sabia que a Câmara funciona somente de terça a quinta? Isto fora de épocas de eleições, que “exigem” mais dos representantes).

Na democracia americana, em meio a uma grande crise, o presidente quis baixar um pacote de medidas. Anunciou-o com espalhafato, e o Congresso barrou. Somente numa segunda tentativa, com a percepção do povo de que sem o pacote a situação ficaria muito ruim é que ele foi aprovado. Na semidemocracia da terra de Macunaíma, para responder à mesma crise, o presidente baixou uma medida, com reflexos imediatos, que autoriza os bancos oficiais  (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) a incorporarem outras instituições, inclusive não financeiras. O que o Congresso diz? Por enquanto, nada. Quando estiver no limite do prazo para apreciar a medida provisória é que ele se pronunciará de fato. Mas os atos desse interstício ficarão no vácuo jurídico que é a medida provisória rejeitada pelo congresso brasileiro.

Se não olharmos criticamente nossas instituições não será possível qualquer evolução. E tudo pode ser melhorado. As loas cantadas, quando merecidas, sã justas. Já hoje, entretanto, as loas são anacrônicas, pois baseadas em comparações com a pior época (em termos de liberdade)  do Brasil: a ditadura militar.

Se é verdade que a democracia é a melhor forma de governo do planeta, também é verdade que ela é a pior forma de governo, exceto todos os outros (Winston Churchill).

Precisamos crescer!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A eleição americana

De importância planetária, a eleição americana é o sonho de todo jornalista que tem um mínimo de envolvimento com política. E todos, sem exceção, sempre têm algum contraponto aos fatos e tendências, como parece ser praxe entre aqueles profissionais.

Eu também tenho as minhas (humildes).

Seria uma eleição diferente, de qualquer forma. Do lado democrata, ou um negro ou uma mulher, poderiam inaugurar uma nova fase na política americana. Do lado republicano, nada de novo. Dizer que o escolhido foi o negro é reducionismo barato. E injusto. Foi escolhido um senador inteligente, carismático, sério. Poderia ser uma senadora, inteligente, carismática, séria. Mas foi Barack Obama.

John McCain, se eleito hoje, será o mais velho presidente americano, esta é a novidade que oferecem os republicanos. Sua vice, depois de causar furor benéfico, trouxe as implicações de declarações (e fotos) infelizes. Talvez um quê de má-vontade (da mídia), mas inegavelmente infelizes as situações da vice.

O que eu espero, para o bem de nosso futuro, é que a eleição se dê não por causa de idade e de cor de pele. Não por ser negro, nem apesar de ser negro. Nem por ser mais velho, nem apesar de ser mais velho. Que seja escolha baseada nas qualidades de cada um, aquelas que se pretende existirem num chefe de estado, quando mais no estado mais poderoso do planeta.