sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O duplipensamento na eleição paulistana

O duplipensar da Novilíngua é um estado mental em que dois pensamentos excludentes entre si conseguem coexistir, como nos ensinou George Orwell no seu 1984. Algo como existir e, ao mesmo tempo, não existir, justamente por existir.

Pois bem. Se voltarmos o olhar para o passado, lembraremos do episódio da Lurian, a filha do Lula usada por Collor para desestabilizá-lo no debate daquela eleição. Ficamos todos pasmos, e mesmo entre os que não éramos petistas, aderimos à causa por tamanha apelação. Um golpe baixo, baixíssimo.

Ainda no passado, podemos lembrar da sexóloga, que sempre defendeu minorias e crenças, sem prejulgar e, por isto, sem condenar. Já sem o cargo de sexóloga, mas já candidata, desfilou com o marido senador para, depois de eleita, divorciar-se e casar-se novamente. Quem tem alguma coisa com isso? Ninguém. Só interessa a eles.

No presente, o partido daquele que foi injustiçado, que acontecer ser o mesmo daquela que não tinha preconceitos e não teve pejo de desfilar com o marido para depois trocá-lo, ataca a reputação do candidato com a mesma baixeza do episódio Lurian. E, lulescamente, disse que não sabia…

Não sou fã de Kassab. Aquele episódio em que ele enfrenta o manifestante que se dirigiu a ele aos gritos mostra o equilíbrio que podemos esperar. Mas ele não merecia esse golpe abaixo da linha da cintura.

Espero que, no mínimo para respeitar sua história, ambos passem a esgrimir argumentos e plataformas. Chega da política tradicional, é hora de resultados.

O duplipensamento? É que a ação, quando se é vítima, é reprovável. Quando se é autor, é mais que defensável, é necessária… A que ponto chegamos.

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