sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A hora das eleições

Dia desses resolvi assistir ao horário eleitoral gratuito. Triste, muito triste.

Nosso sistema eleitoral é cruel. Mas basta criticá-lo para vir o patrulhamento ideológico. É cruel e mal concebido, isso é fato.

Um desfile de rimas de nomes com números, algumas músicas sem talento, os indefectíveis bonequinhos animados… e foi só. As propostas, vagas a ponto de não serem nada, ao mesmo tempo em que eram tudo.

- Vou defender a ecologia…

- Vou lutar pela saúde…

- Vou defender você…

- Vou colocar os bandidos na cadeia…

- Vou construir escolas…

E, agora, ao final dos mandatos dos que saem (ou não), como aferir se as propostas de campanha deles foram implementadas? E, afinal, como é que eu queria que fosse? Para eles se manifestarem, todos e de forma completa, seria necessário utilizar o dia inteiro, de muitos e muitos meses. Algo assim como a teletela que tanto entediava Winston (em 1984).

Por outro lado, um debate na cidade de São Paulo foi cancelado porque a emissora queria limitar a participação aos cinco mais bem colocados. Ficaria inviável, era a alegação. Por outro lado, como conhecer as idéias dos chamados nanicos?

Afinal de contas, pergunto novamente, qual é a grande contribuição desses políticos em nossas vidas? Acho que não precisaríamos de representantes para dar nomes a ruas e praças. ou para homenagear sabe-se lá quem. Podíamos ser auto-suficientes nisto. Sem ajuda.

Insisto: qual é a contribuição desses representantes?

Claro, os cargos majoritários são diferentes, porque… porque… Por quê, mesmo?

Na maior capital do país, uma história de vingança e traição. Uma tragédia grega. O sobrevivente pode não sobreviver à sobrevivência…

Enfim, o voto é obrigatório. Às vezes acho bom, noutras acho terrível. Terrível que a democracia, que tanto defende a liberdade de expressão nos obrigue a manifestar nossas vontades (ou falta delas) na urna. Mas, se não fosse assim, como ficaria nosso sistema eleitoral? Quantos votos seriam realmente apurados? Ou seria só mais um fim-de-semana para passarmos cinco horas na descida da serra?

Pelé estava errado, não é que o brasileiro não saiba votar. Ele não quer…


Um comentário:

  1. Renato
    as vezes tb assisto o programa eleitoral gratuito e discordo muito de vc. Não, não é triste, é hilário, muito hilário. Candidatos a vereadores prometendo trazer universidades federais, baixar o preço da gasolina e por ai a fora. Qanto ao resto, concordo com todo o texto.
    abraços
    dig

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