terça-feira, 30 de setembro de 2008

Tragédias despercebidas

Dia destes, saindo de Campinas, deparo-me com o trânsito parado. Mais: várias viaturas policiais, mais um helicóptero, concentradas em determinada área, obviamente procurando alguém. Só consegui pensar que aquilo poderia me atrasar.

Em outra rodovia, uma batida intrigante: um caminhão, grande, ao contrário na pista, bateu de frente com um pequeno carro. Como é que o caminhão estava naquela posição sem capotar, exatamente na direção contrária a que deveria estar? Parecia que o motorista ainda estava preso nas ferragens. Só lembro de ter pensado que era uma sorte ter sido na pista contrária.

Saindo de São Paulo, num dos metrôs, uma aglomeração de policiais e populares. De passagem, vejo um corpo estendido no chão, como na música do João Bosco. Deu para ver o sangue em sua cabeça, que ninguém tentou esconder. Após um pequeno atraso, sai dali pensando que iria chegar cedo em casa.

Três tragédias, ao menos para três pessoas. E, no dia-a-dia leve, levinho, pensei no trânsito, nos horários, em mim, enfim. Talvez não tenha sido errado. Se fôssemos nos preocupar com cada tragédia desta vida, não existiria senão preocupação. Nossas tragédias pessoais já tomam muito de nossas vidas, e temos de viver. Os passantes, observamos com curiosidade, não com empatia. A dor é do outro, outro que se preocupe com ela e se ocupe dela.

Que vida, essa nossa. Aquilo que nos arrebata em nós nos enche de indiferença nos outros. Aquilo que nos prostraria não causa senão irritação e aborrecimento quando não nos diz respeito.

Sei, é a vida. Mas estou pensando: precisava ser? Deixamos nossa humanidade para trás quando nos tornamos elementos da multidão, se é que tal existe?


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