quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A ética marginal

Um ladrão furtou um carro e percebeu que havia nele uma criança dormindo. Ligou para a polícia para reclamar do pai (a notícia completa está aqui).

O ladrão não se preocupou em cometer um crime, mas se incomodou demais com o desleixo dos pais. Mais: revoltou-se. Ameaçou de morte o pai se isso voltasse a acontecer. A ética desse ladrão é, no mínimo, interessante: agir contra o patrimônio de uma pessoa é desculpável; deixar de proteger a criança não.

Tempos difíceis, estes em que vivemos. O ladrão dá lição de moral. A delegada do caso disse que ele teve "bom-senso". Mas furtou o veículo.

Parece uma nova espécie de moral: o patrimônio pode ser reposto. A vida não. O ladrão, que não se sabe se é também homicida, ou se pratica algum outro tipo de crime, demonstra que nem tudo é selva na vida fora-da-lei-dos-homens: há uma lei-do-bom-senso (para usar o conceito da delegada). E, esta, inclui inclusive ladrões...

O menino está bem. Ao que parece, acordou somente depois de tudo resolvido, já com os pais. Além de tudo, é um ladrão silencioso... quanta consideração!

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