sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Talvez explique

É comum a idéia de que não nos lembramos naquele em quem votamos para as eleições não majoritárias (vereadores e deputados). Por que será?

Vejamos: as notícias que vêm das Câmaras (municipal, estadual e federal) não têm sido das mais auspiciosas.

Não se ouve dizer que os nossos representantes tiveram longos embates verbais em defesa do povo. Ou da moralidade. Ou dos bons costumes.

Infelizmente, é mais comum ouvirmos falar de escândalos. Ou de votações em causa própria. Ou inércia. Ou de conchavos. Ou…

Dificilmente vemos atuações que vão além de projetos de nomes de ruas e de datas comemorativas. Muitas homenagens aos amigos, muitas discussões sobre o nada. Mas não vemos a concretização da ação precípua desses nossos representantes: a lei.

Que seja lei nova, ou revista, ou alterada, ou cancelada. Mas que atuem sobre a lei, isto é que esperávamos. E o que temos? Nomes de ruas e praças.

Assim, quem pode, em são consciência, dizer que esses (nem sempre) simpáticos inoperantes (como se referiu a Mafalda, de Quino, em relação à ONU), fazem falta? Como dizer que a Rua, em vez de se chamar Rua Sete, ou A, ao se chamar Fulano de Tal, interferiu de maneira positiva em nossas vidas? Ou como o fato de agora comemorarmos o dia do Aparador de Galhos de Árvore muda nossa perspectiva de futuro?

A proximidade das eleições municipais está sendo um prato cheio para humoristas, no país da piada pronta do José Simão. São tantas as esquisitices, para dizer o mínimo, que o folclore se forma já na campanha. Vivo fosse, Stanislaw Pontepreta teria vasto material para seu Febeapá (Festival de Besteira que Assola o País).

Então, se o caminho para a eleição tem essa característica; se não conseguimos ver em prol de que atua nosso representante; se as notícias são sempre do pior naipe, alguém tem dúvidas do motivo pelo qual não
nos lembramos daquele em quem votamos?

Seria uma amnésia conveniente?

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