segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Sobre o fumo

Há uma matéria na Filha de São Paulo deste domingo (07/09/2008) que fala que o governo estadual condena o fumante. Mas não o ajuda. Baseado na vontade de editar uma lei que impeça o fumo exceto ao ar livre e em casa, o jornal constatou que há muita dificuldade em conseguir ajuda nos hospitais e ambulatórios estaduais para largar o vício. O tom é de acusação.

Num primeiro momento, o argumento é o seguinte: fuma quem quer. Sabendo dos perigos, assume os riscos se escolhe o caminho das tragadas. Assim como os usuários de demais drogas (lícitas ou ilícitas), ao escolher manter o vício, escolhe, ao mesmo tempo, pagar por todos os preços conseqüentes. Certo?

Em termos.

Num segundo momento, ímpeto refreado, é preciso lembrar o seguinte: ao governo, neste caso, não cabe punir, não importa qual seja o ânimo do governador. Se o governo se interessa pela matéria, não pode ser por capricho pessoal. Há que haver o interesse social, o motivador que, esperamos, sempre esteja no ânimo das ações dos governantes. Qual seria, então, o interesse?

Justamente a saúde. O custo das doenças causadas pelo fumo é enorme. Tratamentos pesados, financeira e emocionalmente, estão na conta do fumo. Isto sem contar os custos dos fumantes passivos, que não contabilizados nessa conta. Bem, esse é o caso: se o fumo causa uma disfunção financeira que interesse ao estado, interesse-se por ele e proponha uma solução. Ok, não precisa ser duro assim. Mas o caso é: se a motivação é diminuir os custos médicos, por que não analisar se há benefícios em aconselhamentos e ações positivas para os que querem largar o vício? Se para cada real investido em programas desse tipo evitarmos, ao longo tempo, dois ou mais reais de tratamentos, o custo já terá valido pena. Se, além disso, a qualidade de vida de ex-fumantes melhorar em decorrência dessa "interferência", aí se encerra a discussão. Porque ainda não há métrica para avaliar o benefício da melhoria desse item: a qualidade de vida.

O caso é que a motivação ainda é policialesca. Proibimos o fumo, abruptamente, depois de termos crescido (muitos de nós, ao menos), vendo a indústria glamorizá-lo. Socialmente, o debate entre fumantes e não fumantes, depois dessa "proposta" do governador, virou uma guerra santa. Cada qual avocando seus direitos como se concretos já fossem.

Eu não fumo, nunca fumei. Não gosto que fumem perto de mim. Mas tolero. Se me incomodo, de desloco. Quer fumar? Fume, pague os preços. Quer parar de fumar? Como posso ajudar?

Num raciocínio puramente financeiro, espero que o governo (todos) estabeleça essa ajuda aos que querem largar o vício. Pode influir no valor dos impostos que pago, ou ao menos na sua destinação. Num raciocínio mais humano, (também) espero que o governo ajude os que querem parar de fumar. Pode influir na vida das pessoas que me cercam. O que influir na minha própria. Ou seja, tudo posto, é somente egoísmo meu. Conclusão: por egoísmo, gostaria que o fumo fosse definitivamente banido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário