terça-feira, 16 de setembro de 2008

Gabirus sociais

Há alguns anos ficou famosa a expressão homem-gabiru para referências e pessoas com deficiências nutricinais, e que estavam em número crescento no nordeste brasileiro, principalmente. Nos últimos dias lembrei-me da expressão porque passei a prestar atenção a uma outra espécie de deficiência: a social.

Os catadores de papéis e outreos materiais, para ser mais exato. Aos poucos, seu número foi crescendo e suas atividades foram se incorporando ao nosso dia-a-dia. Pelas ruas, os motoristas já nem se importam tanto com as carroças que, sob tração humana, reduzem a já poequena velocidade de tráfego. Nem por isto enferecem os já descontrolados motoristas pelo país.

Na prática, tiraram dos semáforos e de outros pontos pessoas já alienadas socialmente. E que, sem opção, já que esmola não sobra, saem à caça de lixo dos outros. Que nem sempre, para eles, catadores, é lixo. Muita coisa é aproveitada de imediato. Outro tanto é reciclável, ou passível de venda para.

São nanicos sociais porque não usufruem, nem de longe, das benesses dos cidadãos. Hospital é luxo, só quando é inevitável. Identificação? Por características ou nomes incotejáveis, raramente pelo RG ou CPF. Domicílio, a rua. Quando muito, um barraco, gateado, às margens de algum despejo de esgoto, mas sempre sem o próprio.

Limpam parte da sujeira que produzimos. Como aqueles peixes que acompanham os tubarões, lhes é permitido orbitar nossa vida, justamente pór causa dessa "simbiose": a falta de vida deles decorre de nossa vida descartada.

Que fazer? Nada é o melhor, ao que parece. Não sei se, ao lhe estender o braço, corro perigo. Nem quero descobrir. Escondo-me nas latas atiradas ao lixo, achando que bastará para que "eles" sosseguem. E,. como não são eleitores de ninguém, parece que essa minha pretensa indiferença é tudo que terão. Os gabirus sociais...

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