domingo, 28 de setembro de 2008

Estou me lixando...

"Ninguém pode te ofender sem o teu consentimento".
Eleanor Roosevelt


Gosto dessa frase, porque ela traduz uma verdade tão óbvia que poucos a enxergam. É o que chamo de silêncio ensurdecedor, pois diz tudo e não diz anda. Ao menos, nada para aqueles que não querem ouvir.

Algumas pessoas aceitam o repto. Outras, ignoram solenemente. Quem tem razão? Prefiro, ou melhor, escolho acreditar que são as que escolhem de fato.

Numa ocasião, um motorista barrou a passagem do meu carro com o seu. Algum desses desentendimentos de trânsito. E ele desceu, veio até meu carro, chutou a porta, bateu no vidro, xingou muito. E eu dizia apenas para ele esquecer, que não tinha acontecido nada. Até que ele cansou, e foi embora. Ainda xingando, e não sem antes dar um último chute na porta do meu carro.

Minha namorada, até então calada, disse, então:

- Eu não acredito! Se fosse eu, tinha dado um tiro na testa do sujeito!

Porque eu estava com a pistola na mão esquerda. E decidi que, com aquele poder letal à mão, a briga era desigual. E engoli todos os sapos que precisava. Mas não me entreguei ao momento. Mantive a calma, e acho que foi o melhor.

Qual é o segredo? Não há segredo. É uma questão de vontade, de decisão. Sei que este é um tema recorrente, mas volto a ele sempre que vejo uma pessoa declarar que não consegue se controlar. Não quer, é o que acho. Embora compreenda que haja pessoas com maiores dificuldades, acredito somente naquelas que realmente tentam.

É triste ver pessoas se autodestruindo e dizendo que não conseguem manter o controle. É triste pois estou falando de pessoas. Um cão, perseguindo um gato, nada mais faz senão seguir seu instinto. O ser humano, diferentemente dos outros animais, tem o poder de arbítrio. Que significa que ele faz escolhas, o que nos faz inferir que ele as tem. Se as tem, pode exercer esse poder.

Uma amiga, ao presenciar uma cena minha com uma pessoa que ela acreditava ser desafeta, disse-me, logo depois:

- Ou você é muito falso, ou é muito civilizadinho...

Não, nada disto. Apenas escolhi. Escolhi que o comportamento da pessoa não me afeta, e não afeta meu senso de civilidade. Escolhi conversar, escolhi conviver com essa pessoa como se nada tivesse acontecido. No mínimo, no mínimo, gasto menos energia. Dá um trabalho desgosar da pessoas...

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