sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Atchim!

Dia pesado, corri por hospitais e pensamentos ruins. Mas acho, agora, piores os hospitais.

Num deles, quatro pessoas conversando. Uma ao telefone. Sala cheia. E quatro conversavam. E a sala cheia. E os quatro conversando. E a sala cheia. E os quatro...

No outro, pessoas eram mandadas de uma sala a outra. E saiam de uma fila para pegar o final da outra. A atendente estava entediada, parecia. Aí, um vigilante veio e se irritou com a quantidade de pessoas na sala. Mandou sair os acompanhantes. E indagou, um a um, se era paciente, impacientemente.

Quando uma pessoa tem problemas com seu chefe, sabe qual é o problema. Enfrenta-o ou não, mas sabe. A vizinha chata, o motorista imprudente... Tem o controle de suas dores emocionais. Das físicas, não. Vai ao hospital na angústia de não saber o que tem, e se é grave. Chega fragilizada, e encontra uma fila de frágeis. Todos expostos ao tédio da atendente ou à irritação do vigia.

Filas do SUS...

O interessante é que a dor do paciente não tem simpatia. Já o desconhecimento total, como o que eu apresentava, imediatamente granjeava simpatia. Ajuda instantânea. Miséria gosta de companhia? Algumas misérias, somente.

Ao final, a consulta final. Ao necrotério.

- Alguém desconhecido aí?

Melhor ter, ou melhor não ter?

Que angústia!

Ah, o título? Naqueles hospitais, é só assim que se consegue saúde. Espirrando.

Nenhum comentário:

Postar um comentário