terça-feira, 30 de setembro de 2008

Tragédias despercebidas

Dia destes, saindo de Campinas, deparo-me com o trânsito parado. Mais: várias viaturas policiais, mais um helicóptero, concentradas em determinada área, obviamente procurando alguém. Só consegui pensar que aquilo poderia me atrasar.

Em outra rodovia, uma batida intrigante: um caminhão, grande, ao contrário na pista, bateu de frente com um pequeno carro. Como é que o caminhão estava naquela posição sem capotar, exatamente na direção contrária a que deveria estar? Parecia que o motorista ainda estava preso nas ferragens. Só lembro de ter pensado que era uma sorte ter sido na pista contrária.

Saindo de São Paulo, num dos metrôs, uma aglomeração de policiais e populares. De passagem, vejo um corpo estendido no chão, como na música do João Bosco. Deu para ver o sangue em sua cabeça, que ninguém tentou esconder. Após um pequeno atraso, sai dali pensando que iria chegar cedo em casa.

Três tragédias, ao menos para três pessoas. E, no dia-a-dia leve, levinho, pensei no trânsito, nos horários, em mim, enfim. Talvez não tenha sido errado. Se fôssemos nos preocupar com cada tragédia desta vida, não existiria senão preocupação. Nossas tragédias pessoais já tomam muito de nossas vidas, e temos de viver. Os passantes, observamos com curiosidade, não com empatia. A dor é do outro, outro que se preocupe com ela e se ocupe dela.

Que vida, essa nossa. Aquilo que nos arrebata em nós nos enche de indiferença nos outros. Aquilo que nos prostraria não causa senão irritação e aborrecimento quando não nos diz respeito.

Sei, é a vida. Mas estou pensando: precisava ser? Deixamos nossa humanidade para trás quando nos tornamos elementos da multidão, se é que tal existe?


That 70´s Show e Gloria Gaynor

Para relembrar.

 

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Liderança e Gerência

No mundo profissional, há uma grande confusão conceitual entre o que é liderança e o que é gerência. Vou propor mais um ingrediente: o que é chefia.

O chefe: é aquele que manda. Vale-se do cargo para ser obedecido. Não tem outra preocupação senão a de se desincumbir, através do comandado, da tarefa a ser feita. Ele pode até ter o cargo de gerente. Mas se sua preocupação se centra somente na tarefa, ele é um chefe. Convém não contrariá-lo. Normalmente é inseguro, por acreditar que seu poder se origina na capacidade de ser obedecido. Não tem equipe, embora tenha pessoas que devem obedecê-lo.
O Gerente: é aquele que tem o cargo com esse nome, é verdade. Ao contrário do chefe, no entanto, ele se preocupa com a tarefa, mas tem outras preocupações: a motivação do funcionário, o ambiente de trabalho, as metas de médio e longo prazo, as conseqüências da ações imediatas. Ele se porta de forma situacional, ora enfatizando a tarefa, ora os relacionamentos, ora holisticamente adotando medidas de equilíbrio. Procura sempre aliar metas de produtividade com indicadores de qualidade de relacionamento e crescimento pessoal de sua equipe. Normalmente o gerente bem sucedido é seguro de si, pois vincula seu valor à capacidade de atingir às metas propostas com base no trabalho integrado de sua equipe.
O líder: este é qualquer um que consiga mobilizar as pessoas na direção de sua visão. Não precisa se impor, e não precisa ter um cargo. Pode mesmo ser a pessoa na última posição da hierarquia. Mas consegue vender suas idéias a todos, seja com palavras, com entusiasmo, ou pelo exemplo. É consultado pelos colegas e pelos superiores. Tem influência sobre pessoas (algumas, muitas ou somente as pessoas-chave) e através delas é que manifesta seu poder. Normalmente associamos a palavra "líder" a uma coisa boa, positiva, mas nem sempre é assim. Às vezes o líder é o que, ao manifestar seu poder, acarreta problemas.
A chefia é a manifestação de um poder. A gerência é o exercício de uma capacidade. E a liderança é um processo de influência. A liderança ideal se afigura como um papel, a ser desempenhado pelo gerente (de qualquer nível). A associação da atribuição (gerência) com o papel (liderança) produz os melhores resultados em qualquer lugar.

O gerente quando é um líder tem uma equipe que o segue, mais que o obedece. Ele consegue manter as pessoas motivadas pelas palavras, pelo comportamento, pelo exemplo. E, mais que exercer seu cargo, influencia as pessoas. No sentido daquelas metas acordadas, negociadas e aceitas. É a própria concretização daquela máxima de administração: "atingir os objetivos através das pessoas".

domingo, 28 de setembro de 2008

Estou me lixando...

"Ninguém pode te ofender sem o teu consentimento".
Eleanor Roosevelt


Gosto dessa frase, porque ela traduz uma verdade tão óbvia que poucos a enxergam. É o que chamo de silêncio ensurdecedor, pois diz tudo e não diz anda. Ao menos, nada para aqueles que não querem ouvir.

Algumas pessoas aceitam o repto. Outras, ignoram solenemente. Quem tem razão? Prefiro, ou melhor, escolho acreditar que são as que escolhem de fato.

Numa ocasião, um motorista barrou a passagem do meu carro com o seu. Algum desses desentendimentos de trânsito. E ele desceu, veio até meu carro, chutou a porta, bateu no vidro, xingou muito. E eu dizia apenas para ele esquecer, que não tinha acontecido nada. Até que ele cansou, e foi embora. Ainda xingando, e não sem antes dar um último chute na porta do meu carro.

Minha namorada, até então calada, disse, então:

- Eu não acredito! Se fosse eu, tinha dado um tiro na testa do sujeito!

Porque eu estava com a pistola na mão esquerda. E decidi que, com aquele poder letal à mão, a briga era desigual. E engoli todos os sapos que precisava. Mas não me entreguei ao momento. Mantive a calma, e acho que foi o melhor.

Qual é o segredo? Não há segredo. É uma questão de vontade, de decisão. Sei que este é um tema recorrente, mas volto a ele sempre que vejo uma pessoa declarar que não consegue se controlar. Não quer, é o que acho. Embora compreenda que haja pessoas com maiores dificuldades, acredito somente naquelas que realmente tentam.

É triste ver pessoas se autodestruindo e dizendo que não conseguem manter o controle. É triste pois estou falando de pessoas. Um cão, perseguindo um gato, nada mais faz senão seguir seu instinto. O ser humano, diferentemente dos outros animais, tem o poder de arbítrio. Que significa que ele faz escolhas, o que nos faz inferir que ele as tem. Se as tem, pode exercer esse poder.

Uma amiga, ao presenciar uma cena minha com uma pessoa que ela acreditava ser desafeta, disse-me, logo depois:

- Ou você é muito falso, ou é muito civilizadinho...

Não, nada disto. Apenas escolhi. Escolhi que o comportamento da pessoa não me afeta, e não afeta meu senso de civilidade. Escolhi conversar, escolhi conviver com essa pessoa como se nada tivesse acontecido. No mínimo, no mínimo, gasto menos energia. Dá um trabalho desgosar da pessoas...

sábado, 27 de setembro de 2008

Coisas úteis

Este cantinho nunca compromisso senão com minha própria diversão. Daí o motivo dele não ser divulgado até agora. Mas bateu aqui um sentimento de urgência, e resolvi colocar um antigo plano em ação. Um blog de clippagem eletrônica.

A clippagem eletrônica é um serviço que surgiu em decorrência da necessidade de saber o que acontece, mas o tempo não permite aprofundamento nas notícias. Oferecida a executivos, em meados dos anos 90 fez muito sucesso por causa da praticidade.

Outra vertente desse serviço é a clippagem por assuntos específicos: saúde, comunicações, tecnologia, etc.. Também é um serviço que se presta a algumas empresas, dando-lhes ciência do que é publicado a seu respeito.

Neste caso, não chegamos a tanto. Mas a proposta é oferecer a linha principal de notícias do dia, do Brasil e do mundo, de forma resumida e simplificada, para que as pessoas mantenham-se informadas. E, para cada notícia, um complemento na forma de link para aprofundar-se naquela notícia que lhe interessar.

Nasceu, assim, o Headlines, no endereço http://clippando.blogspot.com. É, sem dúvida, mais sério e mais útil que estas efemérides de quem não tem o que fazer…

Espero que gostem.


Sobre a culpa

O Blog do DIG traz um texto imperdível sobre culpa. Aqui. Repito: imperdível.


Pelas estradas

Da janela do avião, vi que a Avenidas dos Bandeirantes estava congestionada. Ainda assim, resolvi ir por ela, na esperança de que fosse somente uma impressão. Não era. Sempre brinco, dizendo que temos muitos caminhos em São Paulo, mas em alguns dias somente escolhemos onde queremos ficar parados. E era um desses dias.

Pelo caminho, três carros quebrados na minha pista, três carros quebrados na pista de lá. O trânsito já não anda, essas quebras atrapalham ainda mais. Mas, fazer o quê, ninguém escolhe onde quebrar.

Na marginal, o anda-e-pára de sempre. Com toda a paciência do mundo, até chegar à saída da Rodovia dos Bandeirantes. Motoristas com muita pressa, ultrapassando pela direita, fazendo malabarismos em nossa frente. Eu ia pela terceira pista (à esquerda, no trecho em que existem quatro), a 110 km/h, e um caminhão vinha me pressionando para abrir passagem para ele. Que deveria andar a, no máximo, 90 km/h. Depois desse, vários. A velocidade é somente um referencial, concluo. Passa, xinga, e vai, pressionando outros. Quando acontecem aqueles acidentes com caminhões, sempre devastadores, é de se admirar que haja quem se admire. Andando desse jeito, na verdade, a surpresa é que não haja mais acidentes.

Passando pelo Hopi Hari, uma pirotecnia só, com rojões e muitas luzes coloridas. Muitas, muitas cores, bem enquanto estava passando. Agradeci, mas não podia parar. A cada pedágio, o pensamento de que estava mais próximo.

Até que cheguei, cansado, resignado. Mas feliz por estar de novo em casa.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Talvez explique

É comum a idéia de que não nos lembramos naquele em quem votamos para as eleições não majoritárias (vereadores e deputados). Por que será?

Vejamos: as notícias que vêm das Câmaras (municipal, estadual e federal) não têm sido das mais auspiciosas.

Não se ouve dizer que os nossos representantes tiveram longos embates verbais em defesa do povo. Ou da moralidade. Ou dos bons costumes.

Infelizmente, é mais comum ouvirmos falar de escândalos. Ou de votações em causa própria. Ou inércia. Ou de conchavos. Ou…

Dificilmente vemos atuações que vão além de projetos de nomes de ruas e de datas comemorativas. Muitas homenagens aos amigos, muitas discussões sobre o nada. Mas não vemos a concretização da ação precípua desses nossos representantes: a lei.

Que seja lei nova, ou revista, ou alterada, ou cancelada. Mas que atuem sobre a lei, isto é que esperávamos. E o que temos? Nomes de ruas e praças.

Assim, quem pode, em são consciência, dizer que esses (nem sempre) simpáticos inoperantes (como se referiu a Mafalda, de Quino, em relação à ONU), fazem falta? Como dizer que a Rua, em vez de se chamar Rua Sete, ou A, ao se chamar Fulano de Tal, interferiu de maneira positiva em nossas vidas? Ou como o fato de agora comemorarmos o dia do Aparador de Galhos de Árvore muda nossa perspectiva de futuro?

A proximidade das eleições municipais está sendo um prato cheio para humoristas, no país da piada pronta do José Simão. São tantas as esquisitices, para dizer o mínimo, que o folclore se forma já na campanha. Vivo fosse, Stanislaw Pontepreta teria vasto material para seu Febeapá (Festival de Besteira que Assola o País).

Então, se o caminho para a eleição tem essa característica; se não conseguimos ver em prol de que atua nosso representante; se as notícias são sempre do pior naipe, alguém tem dúvidas do motivo pelo qual não
nos lembramos daquele em quem votamos?

Seria uma amnésia conveniente?

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Dicas para tornar sua vida mais fácil

Com todos os livros de auto-ajuda disponíveis, o que vou “dizer” a seguir é pura redundância. Mas não custa ajudar.
Você que vive apressado neste mundo que não acompanha sua velocidade, siga os conselhos a seguir e facilite sua vida:
  • quando o trânsito estiver lento ou parado, buzine. Buzine muito. Os outros motoristas, que só estão parados por falta de ter o que fazer, vão se solidarizar com você e todos sairão da sua frente, com um gentil pedido de desculpas;
  • ao esperar pelo elevador, aperte várias vezes o botão de chamada. Porque, embora poucos saibam, esse movimento acelera a velocidade da máquina e faz mesmo, de acordo com a quantidade de vezes que apertamos, ele nem pare em outros andares;
  • ao digitar um e-mail, quando estiver bravo, digite com muita força. Isto fará com que o destinatário do e-mail perceba sua pressa e/ou aborrecimento e resolva de vez a pendência;
  • quando o telefone que você estiver chamando estiver ocupado, use a mesma técnica anterior: digite com força o número;
  • ao telefone, gesticule bastante. O seu interlocutor perceberá seus gestos e atenderá mais rapidamente aos seus pleitos;
  • quando não concordar com alguma coisa, grite. Muito. Todos entenderão sua posição, e as coisas voltarão magicamente ao seu lugar, ou melhor, ao lugar que você quer que estejam;
  • espere sempre que as pessoas ao seu redor adivinhem seus pensamentos. Não se preocupe em explicar a elas nada do que sente ou acredita. Se elas podem adivinhar, seu esforço em explicar será pura perda de tempo. E, ademais, se elas não adivinharem, sempre se pode lançar mão do recurso de gritar. Muito;
  • ao se deparar com uma fila, não se preocupe: pode furá-la. As pessoas que estão nela não têm mais p que fazer, e só por isso esperam;
  • se o sinal estiver vermelho, ou prestes a ficar, acelere, pois todos aguardarão pacientemente sua passagem. Afinal, todos sabem o quão ocupado você é. Mesmo os pedestres que terão de escapar de serem atropelados;
  • se fizer algo errado, no trânsito, por exemplo, xingue muito, de preferência gritando. É sinal de força xingar as pessoas que estão certas, e isso por si só bastará que elas se achem erradas. Imediatamente todos se desculparão pela audácia de enfrentá-lo com a razão.
Mas o mais importante: torça para que ninguém mais pratique esta Cartilha da Imbecilidade. Se um dono da razão já incomoda muito, que dirá dois? E que dirá se os dois se cruzarem?

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Reféns da DEMOCRACIA

A democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras.
Winston Churchill
A democracia é a evolução das formas de governo no sentido de acabar com as iniqüidades, isto é um fato. Mas ela é somente um passo desse caminho, e a jornada parece estar parada. Claro que o Brasil, depois dos anos todos de ditadura, ainda está a regalar-se com o mel dessa liberdade. Mas ainda falta um longo caminho  a percorrer.

Pois que nossa ditadura de violência física foi substituída por uma de abusos não violentos. É a violência do poder, contando, inclusive, com a capacidade de produzir regras para proteger os apaniguados, como no caso recente da fusão das telefônicas (ainda em curso).

Os aloprados não merecem nem uma só admoestação, obrigatório nos casos da caserna. Ao menos.
O fato é que os poderes, supostamente independentes, estão se fundindo em atuações que nada têm a ver com suas funções originais. O legislativo não legisla, somente julga a “legislação”  do executivo. Não são poucas as reclamações do travamento dos trabalhos em decorrência da necessidade de apreciar medidas provisórias. Parte disto decorre do fato de que as leis não estão sendo produzidas no seu ninho natural? Será um efeito tostiniano?

O poder judiciário, ao mesmo tempo, instado a decidir, decide. E produz regras, baseado em entendimentos que que terá pretendido o legislador. Já aí há uma grande gritaria: o poder judiciário também está legislando. A pergunta é: poderia ser diferente? Se tal não ocorresse, seria melhor termos um poder omisso, escondido atrás da omissão alheia?

E o poder executivo, talvez executivo até demais, legisla, fartamente, prodigamente. De longo, o que mais legisla. Ocupa o vácuo deixado pelo poder competente? Talvez. Mas, dentre regras de atendimento telefônico, essenciais à população, legisla também sobre temas que lhe interessam (ou a alguns em particular), como no caso das telefônicas (repito-me, pois a indignação é grande). Mas se omite nos grampos não autorizados ou autorizados à farta. Também se omite nos desmandos dos poderosos, como no caso da conta bancário do caseiro. Ou dos dólares na roupa íntima. Ou do dossiê dos aloprados. Ou…

Vejamos: ministros de governo saem do legislativo, das duas casas (senado e câmara). Isto para dar ao governo interlocução justamente no congresso. Ou seja, um acordo de amigos. Até certo ponto necessário na democracia. Mas só até certo ponto.

Também os juízes da suprema corte (chamados ministros) são nomeados pelo presidente. À sua conveniência, pode pretender angariar votos a favor de suas ações? Espero que não. Mas é possível.
E, se nosso legislativo não legisla, o que faz? Ora, legisla. Talvez não de forma que possamos ver. Mas legisla. Nas questões salariais, na defesa do nepotismo, na defesa do mercantilismo das siglas partidárias, esses bravos heróis, que de terça a quinta labutam sem descanso em função dessas coisas que podem parecer menos importantes para nós, mortais, mas que devem ser muito importantes para essa tal democracia.

Democracia que nos impele a votar para que as coisas mudem. E que nos impede de vê-las mudar. Em seu nome, a moralidade foi exilada. Resta-nos, de quatro em quatro anos, digitar alguns números na urna eletrônica esperando que as coisas mudem.

E de fato mudam. Prova disso são nossos dois últimos presidentes: um que clamou para que esquecessem o que escrevera, e o outro, uma metamorfose ambulante.

Que país, este!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Meu quintalzinho

Um amigo, nestes dias, me perguntou por que ainda não tinha contado a ele sobre este blog. É que, meu caro amigo, estas mal digitadas foram concebidas somente para desopilar, não era para ser um ponto de parada dos amigos.

Era para ser um travesseiro, para que tivesse eu para quem contar minhas mazelas. Pois, se fosse para ser um blog sério, fá-lo-ia (que língua a nossa: complicada e cacofética) a sério demais, como são as coisas em minha vida.

Sério no sentido da dedicação, do compromisso; com risadas e piadas muitas, porém, pois que sem isto não seria eu. E nem pela presença das piadas poder-se-ia (uau!) dizer que as risadas aí estariam: como disse minha filha, sou lógico demais.

Enfim, este espaço foi feito para que aquelas conversas que ninguém quer ter tivessem pousada. E que, ao mesmo tempo, tivesse eu condições de extravasá-las, livrando-me do peso das coisas mal digeridas.

Assim, meu amigo, nunca dei publicidade a estas mal digitadas. Só que, no atual momento, fiquei refém do blog. Embora sem estilo e sem conteúdo, há os que aqui passam todos os dias, acho que para fugir da dureza da realidade. Assim, me assumo como blogueiro, embora à Seinfeld: um grande tratado sobre o nada. E sobre qualquer coisa, ao mesmo tempo.

Daí que nos últimos dias tenho trabalhado no layout e no conteúdo do blog. Até criei outro, com propósitos diferentes: o de manter atualizadas as pessoas que não têm tempo de ler jornais. Mas esta é outra história.
Aqui estou para dizer que saio da crisálida, embora ainda me sentindo uma grande lagarta, o que é melhor que ser uma borboleta, convenhamos…

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Jessé, quinze anos depois

Um dia, num show no interior do estado de São Paulo, assisti, por um imenso acaso, uma apresentação de Jessé. Fiquei impressionado com a qualidade do intérprete, e passei a ouvir suas músicas com maior interesse.

Pouco tempo depois, ele faleceria num acidente de automóvel, injustos como são todos os acidentes de automóveis.

Do show, lembranças muitas. Sempre que posso, resgato as músicas que o fizeram famoso. Hoje o tributo dele aos Beatles e a Freddy Mercury.

domingo, 21 de setembro de 2008

Soluções baratas – exemplo da informática

Quando o mundo da informática baseada em pcs ainda era somente trevas, o Brasil engessou a área estabelecendo a Reserva de Mercado. Por mais que se elenquem vantagens, a grande desvantagem foi o estímulo ao contrabando e o catatonismo das empresas. Quando finalmente foi libebrado, o Brasil se inundou de inovações, a rítmos estonteantes, que só mostrou o grande erro da política da reserva.

Mas entramos não tão atrasados que não vivêssemos, pelos PC ou pelos grandes computadores, o trauma das chamadas soluçções proprietárias. Que eram aquelas vendidas de forma que, caso necessitássemos de assistência ou peças de reposição, tínhamos de recorrer ao vendedor (ou à fabricante). Na prática, soluções baratas nas compras iniciais tinham uma grande dependência do fabricante, que podia praticas preços conforme seus interesses na continuidade da utilização.

O mundo começou a se articular para isto, e a COMPAQ liderou muitos processos de padronização de hardware e software para eles fossem abrangentes o suficiente para serem utilizados em qualquer equipamento.

O interesse da COMPAQ, claro, era financeiro. Como comprava de vários fornecedores, tinha o maior interesse em estimular a concorrência, que derrubava os preços e tornava competitivos seus equipamentos.

Ao longop dos anos, assistimos uma grande onda de padronização. Hoje, os equipamentos já saem compatíveis com seus periféricos e sistemas operacionais. Os preços caíram muito, e o benefício foi sentido pelo consumidor.

Já para a indústria automobilística a lógica não vale. Ainda temos carros para os quais há uma bateria específica, um limpador de pára-brisa, uma lâmpada. As especificações mudam para cada modelo. Ganha o fabricante da peça e a montadora, que pode estabelecer o preço que quiser pelas novidades. Aquelas peças estabilizadas, que pdoeriam ser utilizados em mais de um modelo, não existem. Não estamos falando aqui de pára-choques ou de peças que dão forma ao carro. Mas daqueles componentes escondidos, para os quais é possível, sim, uma padronização.

Mas a padronização não interessa. COmo precificar o valor agregado a um carro “comum”? Como estabelçecer uma idéia de vanguarda se há peças que são utilizadas há anos?

A pergunta é: isso é relevante? Quando o público tiver necessidade, e dela emergir uma imposição, alguém vai se estimular a promover essa padronização. Alguém que enxerque, como foi o caso da informática, que há espaço para negociação. E, aí, somente assim, talvez surja uma política de compartilhamento de tecnologias.

Até lá, como o carro é um símbolo de status, o preço pagop está atrelado ao lado lúdico. Tenho porque posso pagar!, é o recado dado já hoje. Ao passo que o computador, tão essencial nas empresas como já foi a máquina de escrever, passou por outra avaliação: a pragmática. Para provar, é só ver que carros compõem as frotas das empresas: são, via de regra, os mais baratos.

Espero que a China mude esse cenário. Com seu poder de trabsformação, quem sabe não muda o conceito do mundo em relação aos carros?

sábado, 20 de setembro de 2008

Pesquisas na internet

Quando iniciei este blog, uma das premissas era não escrever sobre experiências profissionais, somente as pessoais e as tolices que me iam pela cabeça. Mas alguns acontecimentos profissionais que me fazem divagar têm lugar aqui. Daí que um dia publiquei este texto, sobre a o gerente ideal. Por uma dessas ironias, é um dos textos mais acessados, se não for O mais acessado.

O interesse dos internautas é demandado pela necessidade de saber, imagino. E como estão todos carentes de conhecimento! Infelizmente textos como estes e mesmo os ensinamentos que se pode obter na escola ou num curso nunca serão suficientes.

O comportamento preconizado no texto é o resultado, é um ponto de uma caminhada. É o fruto de muitos erros, e não poderá ser apreendido ou aprendido numa leitura.

Há que ter paciência, há que ter sensibilidade. Há que ter objetivos, há que saber como chegar lá. Há até que saber que será preciso trocar muitos pneus com o carro em movimento.

Enfim, acredito que essas pessoas que lêem esse texto estão tentando entender, antes de aprender. Acho que são pessoas machucadas pela falta de jeito e tato de seu gerente, ou superior, e procuram uma contrapartida a comportamentos que não lhes agradam.

Esse é um bom ponto de partida. Não repetir os erros presenciados. Praticar a regra de ouro (não fazer aos outros o que não deseja para você). Ter empatia, sempre. Estimular a confiança. Enfim, viver, errar, deixar doer, aprender. A vida ensina. Textos só jazem.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Cadê a salada de abacaxi?

Na inóspita cidade de Brasília (segundo o que sempre me disseram), era impossível ter amigos. Capital do divórcio, noites e fins-de-semana seriam sempre um grande deserto.

Tive sorte. Uma turma de casais que todos os finais de semana se reunia para alguma coisa. Até que, por seleção natural, acabamos nos instalando na casa do Dig e Bia. Tudo que tínhamos para fazer era lá que marcávamos. De vez em quando até os convidávamos…

Além de tudo, ainda trabalhávamos juntos, eu e Dig. E, pelas estradas da vida, íamos espantando o mau-humor. Até caminhos dos ratinhos fizemos…

A Bia faz(ia?) uma saladinha de repolho com abacaxi que é um show. E em nossos encontros, lá na casa deles (sede do nosso clube), não importava o prato principal, se combinava ou não: sempre tinha de ter essa salada.

Hoje o casal fugiu. Comprou um motor home, e colocaram os pneus na estrada, donde postam no excelente www.casanaestrada.blogspot.com. Acompanho sempre, primeiro para manter as notícias dos amigos. Segundo porque, quando estiverem por perto, apareço lá com abacaxi e repolho e reeditamos nossos melhores momentos. Agora com muito mais casos para contar.

Ah, era eles que estavam nesta pizzaria comigo. Depois da próxima salada, mais histórias….

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A ética marginal

Um ladrão furtou um carro e percebeu que havia nele uma criança dormindo. Ligou para a polícia para reclamar do pai (a notícia completa está aqui).

O ladrão não se preocupou em cometer um crime, mas se incomodou demais com o desleixo dos pais. Mais: revoltou-se. Ameaçou de morte o pai se isso voltasse a acontecer. A ética desse ladrão é, no mínimo, interessante: agir contra o patrimônio de uma pessoa é desculpável; deixar de proteger a criança não.

Tempos difíceis, estes em que vivemos. O ladrão dá lição de moral. A delegada do caso disse que ele teve "bom-senso". Mas furtou o veículo.

Parece uma nova espécie de moral: o patrimônio pode ser reposto. A vida não. O ladrão, que não se sabe se é também homicida, ou se pratica algum outro tipo de crime, demonstra que nem tudo é selva na vida fora-da-lei-dos-homens: há uma lei-do-bom-senso (para usar o conceito da delegada). E, esta, inclui inclusive ladrões...

O menino está bem. Ao que parece, acordou somente depois de tudo resolvido, já com os pais. Além de tudo, é um ladrão silencioso... quanta consideração!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A morte de Diaféria

Faleceu hoje Lourenço Diaféria, autor de um texto que me acompanha há muito. Para cair no clichê, mas tentando evitá-lo, digo que as palavras que ele semeou hão de perdurar. É para isto que se escreve.

Luto.

Cultura quase inútil

Na Revista Veja desta semana, um suplemento interessantíssimo de Tecnologia. Veja abaixo a progressão, por exemplo, da escala dos Bytes:

BYTE

1

KILOBYTE

1 000

MEGABYTE

1 000 000

GIGABYTE

1 000 000 000

TERABYTE

1 000 000 000000

PETABYTE

1 000 000 000 000 000

EXABYTE

1 000 000 000 000 000 000

ZETTABYTE

1 000 000 000 000 000 000 000

YOTTABYTE

1 000 000 000 000 000 000 000 000


Que me fez lembrar a história do gugol (googol, em inglês). Que é o número 1 seguido de 100 zeros, e representa, para uns, o maior número que pode ser imaginado. Neste artigo há uma interessante progressão dos conceitos gugol-relacionados.

O fato é que a Veja aparece quase que concomitantemente ao meu comentário sobre Toffler, e compilando informações e matérias que, sem "provocação" (a pergunta" do repórter) não existiriam no mundo virtual. O mundo das informações depositadas é muito poderoso, mas ainda há muito por fazer. Para ficar na definição mais clássica da área de informática, há muitos dados ainda por serem transformados em informação. Que tipo de informação? A necessidade é que vai definir.

Já se disse que inteligência não é a capacidade de realizar operações matemáticas, mas a habilidade em estabelecer relacionamentos entre conceitos e coisas. O mundo virtual dá a base para que isso aconteça, e a curiosidade e verve dos atores cibernéticos (demodé, né?) fazem o espetáculo.

Já defendi que estamos em ponto de mudar a época em que nos situamos: de idade Contemporânea, estamos mais para Idade da Informação.

É o Iluminismo do Iluminismo!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Gabirus sociais

Há alguns anos ficou famosa a expressão homem-gabiru para referências e pessoas com deficiências nutricinais, e que estavam em número crescento no nordeste brasileiro, principalmente. Nos últimos dias lembrei-me da expressão porque passei a prestar atenção a uma outra espécie de deficiência: a social.

Os catadores de papéis e outreos materiais, para ser mais exato. Aos poucos, seu número foi crescendo e suas atividades foram se incorporando ao nosso dia-a-dia. Pelas ruas, os motoristas já nem se importam tanto com as carroças que, sob tração humana, reduzem a já poequena velocidade de tráfego. Nem por isto enferecem os já descontrolados motoristas pelo país.

Na prática, tiraram dos semáforos e de outros pontos pessoas já alienadas socialmente. E que, sem opção, já que esmola não sobra, saem à caça de lixo dos outros. Que nem sempre, para eles, catadores, é lixo. Muita coisa é aproveitada de imediato. Outro tanto é reciclável, ou passível de venda para.

São nanicos sociais porque não usufruem, nem de longe, das benesses dos cidadãos. Hospital é luxo, só quando é inevitável. Identificação? Por características ou nomes incotejáveis, raramente pelo RG ou CPF. Domicílio, a rua. Quando muito, um barraco, gateado, às margens de algum despejo de esgoto, mas sempre sem o próprio.

Limpam parte da sujeira que produzimos. Como aqueles peixes que acompanham os tubarões, lhes é permitido orbitar nossa vida, justamente pór causa dessa "simbiose": a falta de vida deles decorre de nossa vida descartada.

Que fazer? Nada é o melhor, ao que parece. Não sei se, ao lhe estender o braço, corro perigo. Nem quero descobrir. Escondo-me nas latas atiradas ao lixo, achando que bastará para que "eles" sosseguem. E,. como não são eleitores de ninguém, parece que essa minha pretensa indiferença é tudo que terão. Os gabirus sociais...

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Informação - compare remédios e preços

No site Procurando Vagas achei um link para quem quer saber se há genéricos (ou comerciais mais baratos) de algum remédio que lhe seja prescrito. O link está aqui. Basta digitar o nome comercial do remédio, ou o princípio ativo e o site apresentará outras opções, inclusive com informações de embalagens e preços.

É interessante como a informação, uma vez disponível, transforma-se em arma poderosa para qualquer um. Alvin Toffler já tratava dos temas em seus primeiros livros (A Terceira Onda e Choque do Futuro), mas no excelente Powershift - As mudanças do Poder, ele foi direto ao ponto: o poder deslocava-se das chaminés industriais para a informação. Quem tem acesso à informação, ou detém a informação é quem detém o poder.

Referia-se, obviamente, àquela informação mais acurada, mais garimpada. Aquela que, conceitualmente, nasce, por exemplo, dos processos de CRM (Costumer Relationship Management), em que aprendemos muito sobre alguma coisa simplemente observando-lhe características tais como regularidade, freqüência, sazinalidade, etc. Mas a internet colocou essa importância na tona da informação. O famoso ato de pesquisar, antes vinculada a andanças muitas, agora é um conjunto de movimentos e cliques de mouse. Várias decisões de qualidade são tomadas a partir de pesquisas viabilizadas pela rede mundial.

O caso aqui é a paciência. No meio de tanto lixo (como estas supérfluas efemérides), muita coisa importante. Paciência...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Zappeando

Sobre os Grampos e algemas

Abusos existem aos montes no Brasil. Mas somente de pois que o episódio dos grampos aborreceu alguém "importante" é que a discussão começou. E traz à tona o que sabíamos: saímos de uma ditadura militar para entrar em outra, civil. Falta a tortura escancarada (não, não faz falta, não). Mas outras formas mais brandas ocuparam seu lugar. A história das algemas é a mesma. Era não só a algema, mas a mão do agente virando o rosto do "bandido" para a câmera. Quando o "bandido" tem prestígio, não pode.

Eleições

Propaganda de hoje do debate na Band, nos jornais, mostra um par de luvas de Box em primeiro plano. Lembrei daqueles episódios de filmes americanos em que se anuncia uma briga depois das aulas. E todo mundo vai ver o massacre. Não, ninguém preocupado em apartar nada. O sangue jorrando, é o que querem.

Esse debate não deveria ser de idéias? E não é com pessoas que vão representar o povo, exercer o poder em seu nome? Estamos querendo que estraçalhe alguém para que se mostre digno disso? Acho que não.

Ainda sobre eleições

Numa empresa, o gestor seria avaliado assim: diminuiu as despesas administrativas? Aumentou as vendas? Otimizou os lucros? Enfim, a avaliação é baseada nos critérios objetivos, naqueles que fundamentam a própria existências da empresa.

E nas eleições? De que precisamos na cidade, por exemplo? Só para exercitar a imaginação:

  • Diminuição do índice de criminalidade;
  • Diminuição do tempo de atendimento nos hospitais públicos;
  • Aumento das áreas com esgoto;
  • Aumento da oferta de transporte coletivo;
  • ... e por aí vai.

Mas é preciso ter números. O índice de criminalidade está em X, vamos reduzi-lo em Y%. À vista de um número real, e com critérios de medição objetivos, pode-se avaliar o atingimento de metas. A aí acaba com esse blá-blá-blá de "eu fiz isto...", "eu fiz aquilo...".

Um bom exemplo pé o IDH. O IDH do Brasil é 0,800. Aumentá-lo para 0,820 seria um avanço enorme, porque representaria melhora nas condições de ensino, saúde, renda. Não é uma boa medida? Mas o blá-blá-blá dá mais Ibope.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Sobre o fumo

Há uma matéria na Filha de São Paulo deste domingo (07/09/2008) que fala que o governo estadual condena o fumante. Mas não o ajuda. Baseado na vontade de editar uma lei que impeça o fumo exceto ao ar livre e em casa, o jornal constatou que há muita dificuldade em conseguir ajuda nos hospitais e ambulatórios estaduais para largar o vício. O tom é de acusação.

Num primeiro momento, o argumento é o seguinte: fuma quem quer. Sabendo dos perigos, assume os riscos se escolhe o caminho das tragadas. Assim como os usuários de demais drogas (lícitas ou ilícitas), ao escolher manter o vício, escolhe, ao mesmo tempo, pagar por todos os preços conseqüentes. Certo?

Em termos.

Num segundo momento, ímpeto refreado, é preciso lembrar o seguinte: ao governo, neste caso, não cabe punir, não importa qual seja o ânimo do governador. Se o governo se interessa pela matéria, não pode ser por capricho pessoal. Há que haver o interesse social, o motivador que, esperamos, sempre esteja no ânimo das ações dos governantes. Qual seria, então, o interesse?

Justamente a saúde. O custo das doenças causadas pelo fumo é enorme. Tratamentos pesados, financeira e emocionalmente, estão na conta do fumo. Isto sem contar os custos dos fumantes passivos, que não contabilizados nessa conta. Bem, esse é o caso: se o fumo causa uma disfunção financeira que interesse ao estado, interesse-se por ele e proponha uma solução. Ok, não precisa ser duro assim. Mas o caso é: se a motivação é diminuir os custos médicos, por que não analisar se há benefícios em aconselhamentos e ações positivas para os que querem largar o vício? Se para cada real investido em programas desse tipo evitarmos, ao longo tempo, dois ou mais reais de tratamentos, o custo já terá valido pena. Se, além disso, a qualidade de vida de ex-fumantes melhorar em decorrência dessa "interferência", aí se encerra a discussão. Porque ainda não há métrica para avaliar o benefício da melhoria desse item: a qualidade de vida.

O caso é que a motivação ainda é policialesca. Proibimos o fumo, abruptamente, depois de termos crescido (muitos de nós, ao menos), vendo a indústria glamorizá-lo. Socialmente, o debate entre fumantes e não fumantes, depois dessa "proposta" do governador, virou uma guerra santa. Cada qual avocando seus direitos como se concretos já fossem.

Eu não fumo, nunca fumei. Não gosto que fumem perto de mim. Mas tolero. Se me incomodo, de desloco. Quer fumar? Fume, pague os preços. Quer parar de fumar? Como posso ajudar?

Num raciocínio puramente financeiro, espero que o governo (todos) estabeleça essa ajuda aos que querem largar o vício. Pode influir no valor dos impostos que pago, ou ao menos na sua destinação. Num raciocínio mais humano, (também) espero que o governo ajude os que querem parar de fumar. Pode influir na vida das pessoas que me cercam. O que influir na minha própria. Ou seja, tudo posto, é somente egoísmo meu. Conclusão: por egoísmo, gostaria que o fumo fosse definitivamente banido.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Atchim!

Dia pesado, corri por hospitais e pensamentos ruins. Mas acho, agora, piores os hospitais.

Num deles, quatro pessoas conversando. Uma ao telefone. Sala cheia. E quatro conversavam. E a sala cheia. E os quatro conversando. E a sala cheia. E os quatro...

No outro, pessoas eram mandadas de uma sala a outra. E saiam de uma fila para pegar o final da outra. A atendente estava entediada, parecia. Aí, um vigilante veio e se irritou com a quantidade de pessoas na sala. Mandou sair os acompanhantes. E indagou, um a um, se era paciente, impacientemente.

Quando uma pessoa tem problemas com seu chefe, sabe qual é o problema. Enfrenta-o ou não, mas sabe. A vizinha chata, o motorista imprudente... Tem o controle de suas dores emocionais. Das físicas, não. Vai ao hospital na angústia de não saber o que tem, e se é grave. Chega fragilizada, e encontra uma fila de frágeis. Todos expostos ao tédio da atendente ou à irritação do vigia.

Filas do SUS...

O interessante é que a dor do paciente não tem simpatia. Já o desconhecimento total, como o que eu apresentava, imediatamente granjeava simpatia. Ajuda instantânea. Miséria gosta de companhia? Algumas misérias, somente.

Ao final, a consulta final. Ao necrotério.

- Alguém desconhecido aí?

Melhor ter, ou melhor não ter?

Que angústia!

Ah, o título? Naqueles hospitais, é só assim que se consegue saúde. Espirrando.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

História não se apaga

Sempre me disseram que Brasília era uma cidade inóspita. Minha experiência desmentiu isto.

Recebi neste blog um comentário de um amigo que há muito não vejo. E que, com sua esposa e filhos, foram companheiros constantes em nossas andanças pela corte. Mais que isto: foi um valioso companheiro de trabalho, daqueles que são capazes de combinar tudo com um olhar.

Tínhamos uma turma, uma grande turma. E todo final de semana nos reuníamos para alguma coisa: churrasco, fondue, feijoada, seja lá p que fosse. O importante era a reunião. E a máxima: "perca o amigo, mas não perca a chance de sacanear".

Quando comecei este blog, era para me divertir. Para dar vazão àquelas conversas pelas quais ninguém tem interesse. Por isto, escrevo. Estes dias, entretanto, uma amiga despediu o blog. Sem aviso prévio. Disse que não me encontrava nos textos, e imagino que seja verdade. Eu raramente me exponho mais do que superficialmente. E ela, assim como esse meu amigo, tiveram acesso a muito mais que isto, por causa de algum castigo, imagino eu. Mas percebi que procuravam, pelos textos, diminuir a distância imposta pelo tempo. Não conseguirão, de fato.

Mas pesou a consciência. Sempre tive, com esse tipo de amigos, conversas muito mais profundas que estes mal digitados textos trazem. E sempre me expondo com a paixão que caracteriza minhas ações. Para quem me conhece, serão somente burocráticos estes textos.

Minha amiga desistiu. Se eu quiser, disse ela, que telefone ou vá visitá-la. Meu amigo, entretanto, está com sua nova casa pelas estradas, um motorhome que o faz um nômade. Para ele, não haverá visitas tão cedo. Mas espero que sim.

Enfim, este espacinho para minha diversão ganha responsabilidade. Uma amiga, que conhece um pouco de meu dia-a-dia disse que sou muito transparente. E outra, que nem sempre sabe o que está acontecendo, me chama de esfinge, acho que pelos segredos que parecem se esconder nas palavras soltas no espaço.

Os dois amigos a que me referi no início trabalharam comigo. Diretamente. Convivemos durante anos, e compartilhamos muitos momentos. É natural que não "me achem" neste blog. Mas, se procuram, devem encontrar, Vou me esforçar.

Ah, e não divulgo meu blog por causa do caráter "sem compromisso" que quis dar a ele. Mas, como tudo nesta vida, acho que ele ganhou vida própria. Vamos embalá-lo, portanto.

Nossa história nunca se apagará. Mas vou ajudar, registrando aqui a minha versão dos fatos. Às vezes fantasiosa, no mais das vezes piegas, mas minha versão. Afinal, dizem que a verdade não é senão a versão aceita dos fatos.