segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Confiança e credibilidade

Quando um político faz uma promessa, assume um compromisso, a história nos dá razão para desconfiar. Afinal, são tantas e tantas voltas que se dá para "desdizer" o qoe foi dito, desmentir o falado que já estamos escolados: não se acredita em político.

Quando uma pessoa de nossa confiança fala, entretanto, acreditamos. Simples assim. Acreditamos. Não questionamos, não procuramos salvaguardas, simplesmente acreditamos.. Quando essa pessoa não cumpre o que falou, o tombo é muito maior que nos demais casos. Porque acaba de matar uma instituição sólida entre duas pessoas: a confiança.

Quando eu ainda era tecnocrata, tinha muita credibilidade. Porque falava em nome da instituição, e lutava, com todas as forças e incansavelmente para ver concretizado o que falara. Os resultados sinto até hoje, pois muita coisa boa vem da confiança.

Quando os Mamonas Assassinas morreram, contei que minha filha recusou-se a creditar, pequenina, então. Pois eu tinha prometido levá-la ao show, e ainda não a tinha levado, como poderiam estar mortos, se sempre cumpro o que prometo?

Há um esquema gráfico que não me sai da cabeça, e trata de moral e direito. A moral é uma bola, e dentro dela está contida outra bola, a do direito. Quer dizer que os aspectos morais de nossa vida existem em maior volume que os aspectos legais. E que estes, na verdade, se subscritos à moral, não precisariam necessariamente existir. Existe o direito porque a moral falha, e falha porque resultado de relacionamentos entre pessoas (nunca coisas, sempre pessoas). Se a pessoa firma uma coisa e faz outra, duas podem ser suas atitudes: reconhecer o dito e cumpri-lo, ou pedir a interferência de outrem (o direito) para ver se precisa mesmo cumprir. O direito, então, à vista de evidências, faz cumprir o dito, escrito, evidenciado, etc.. Mas ele só entra porque, num determinado momento, alguém não quis cumprir o que foi dito (e/ou escrito).

Claro que não é tão simples assim, mas em muitos casos é. Falou, cumpra. Escreveu, cumpra. Confiança não se acha na lata de lixo, ao contrário. É uma árvore que se planta, e que pode crescer e oferecer sombra, ou pode simplesmente involuir, e contaminar quaisquer relações a partir dessa involução.

Triste quando tudo isto acontece com pessoas que lhe são caras. Triste quando há interesses outros envolvidos, e a voz mais alta é a da ganância.

Disse estes dias a uma amiga que vou morrer pobre. Se o preço para não ser assim for rasgar a confiança que fiz merecer e a credibilidade que tenho, que seja.

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