terça-feira, 26 de agosto de 2008

É chegada a hora

Na primeira vez que a vi, ela nem fixava o olhar, incomodada que estava com a luz. Mas eu juro (sem base alguma) que ela me olhou e reconheceu o dono da voz que a acompanhou por nove meses, pobrezinha. Do dia de seu nascimento em diante, fiz questão de estar presente em cada sorriso e em cada lágrima. Pessoalmente, não estive em todas. Mas estive, em minha função de pai.

Ao longo dos anos, ela se tornou uma grande companheira. Que me chama para ver vídeos no Youtube, que se senta comigo para assistirmos coisas de que gostamos. Que conversa, sem assunto, por horas, com som, TV e computador desligados. Que compartilha indignações, que ri de piadas, minhas, delas, ou de quem quer que esteja de bem com a vida.

Eu sempre tive consciência de que minha presença tem prazo de validade. Ao menos nesta intensidade que é hoje. E suas amizades, seus interesses, múltiplos e variadíssimos, sua capacidade de aprofundar-se em cada canto de pensamento, provam isto.

O vídeo abaixo é uma mostra disso. Indecisa entre fazer física e artes cênicas, faz aulas de canto e guitarra, e sua flauta é quase um órgão, um braço sem p qual ela raramente sai. Mas, como em tudo que faz, mergulha de cabeça. Seu interesse pelos Beatles, seu entusiasmo pelos seus interesses culminaram nessas cenas e me deram, mais uma vez, uma certeza: é uma cidadã cosmopolita, sem fronteiras e sem amarras. Muito mais, portanto, que minha filha.


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