quinta-feira, 17 de julho de 2008

Vôo 3054, um ano

Há um ano, o acidente que matou 199 pessoas. E iniciou uma batalha, lamentável, para ver quem era mais eficiente ao isentar-se de culpa. Houve até gesto obsceno comemorando notícias.

Depois do acidente, muitas causas. Prédio com altura errada, falta de grooving, reverso, excesso na lâmina d'água... Rotas foram alteradas, vôos deslocados, até gritaria e autoritarismo tiveram lugar na tragédia.

Quando as coisas se acalmaram, tudo voltou a ser como antes. Os saguões continuam cheios, há freqüentes "reposicionamentos de aeronaves" obrigando os passageiros a andarem de lá para cá, e para lá novamente, pelos portões das salas de embarque. E, inédito para mim, até o estacionamento de Congonhas anda fechando por falta de vagas.

O terceiro aeroporto não passou de bravata, assim como a terceira pista de Cumbica. Os problemas dos controladores de vôo sumiram num passe de mágica, e estamos no mesmo lugar em que estávamos antes do acidente: em perigo!

É preciso lembrar o acidente do vôo Gol 1907, de 29 de setembro de 2006, que matou 154 pessoas, e cujas responsabilidades ainda não se definiram. Embora não tragam de volta nenhuma das vidas perdidas, as punições poderiam ser exemplares. Logo depois do acidente, iniciou-se o inferno dos aeroportos. Muitas denúncias, nenhuma ação concreta, o povo que voa relaxou...

Até esse novo acidente da TAM. Que mobilizou novamente, chocou, emocionou. E, agora, está no esquecimento novamente.
Para quem voa regularmente, entretanto, nunca será simples assim. O bode estava na sala, após o acidente do vôo 3054 ele foi tirado. Numa bela manhã de terça, por exemplo, o aeroporto parecia um galpão abandonado. Mas o bode foi voltando, aos poucos, paulatinamente. E agora já está lá de novo, suspeito que com sua família. Pois estacionar já está difícil, andar pelos salões está quase impossível.

Mas, ao que parece, será necessário outro acidente, com mais tantos mortos, para que se simule a adoção de medidas. E assim vamos indo. E vindo. Esperando chegar...

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