segunda-feira, 7 de julho de 2008

Sobre a lei seca

As notícias sobre a lei seca são boas. Diminuiu a quantidade de acidentes e, em conseqüência, a quantidade de mortos e feridos. Essa é uma boa notícia, não é?

Para uns sim, para outros não. Bares e restaurantes são contra a medida, por motivos óbvios. Alguns juristas questionam, com razão, alguns aspectos da lei. Mas o lado positivo das conseqüências é a adesão, embora por falta de opção, dos motoristas à regra. A multa e a possibilidade de prisão são argumentos poderosos.

Quem circula por hospitais, como eu, sabe o que são as conseqüências de acidentes causados por motoristas alcoolizados. É uma devastação. A dor dos envolvidos não sara nunca. Mas, esquecendo esse lado, há outro, ainda pior: o custo desses atendimentos, feitos quase sempre na rede pública. A Revista Veja desta semana traz o número: perto de cinqüenta por cento dos acidentes de trânsito são causados por motoristas que abusaram do álcool. O quer dizer que o custo dos atendimentos dos acidentados no trânsito diminuirá em até aquele limite. O que não é pouco.

Pesquisei, mas não achei números definitivos sobre esse custo. Ainda se achasse, teria pruridos para publicá-los, já que podem ser manipulados pelo governante a quem não interessa números reais. Mas há que ser uma economia bem grande de recursos já tão escassos. Imagino que essa economia deva se concretizar em melhor aparelhamento e, portanto, atendimento dos hospitais. Não me atrevo a acreditar nisto, simplesmente pelo fato de estarmos na Terra de Macunaíma, onde muita saúva e pouca saúde os males são.

Outro importante benefício da medida (lei seca): os custos sociais e psicológico-emocionais serão evitados. Não se pode quantificar isto. Mas podemos inferir que haverá diminuição na ocorrência daquelas dores de pessoas que perdem entes queridos por conta de acidentes estúpidos.

Embora esteja festejando, ainda não ouso acreditar no sucesso a longo prazo. Esperava-se o mesmo conjunto de conseqüências quando da edição do Código Nacional de Trânsito. Que foi muito comemorado no início, teve suas conseqüências, para depois cair no ostracismo da falta de fiscalização. Ou alguém acredita que se fiscalizam as medidas das lombadas, para ficar somente num exemplo?

Espero que a fiscalização continue. Que sejam superados os dilemas legais, para ficarmos somente no império da moral. Que bares e restaurantes parem de se perguntar quem mexeu no queijo, e adotem medidas criativas e seguras para garantir seu volume de vendas.

A medida é boa. Espero que se sustente.

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