terça-feira, 1 de julho de 2008

Sim, vale a pena

Quando passeava com minha filha e ela queria alguma coisa, ela pedia e pedia:

- Papai, eu quero...

E eu respondia:

- E eu quero...

E ela completava, resignada:

- ...uma BMW...

A lição era clara: não podemos ter tudo que queremos. Nem tudo que desejamos está ao nosso alcance. Algumas coisas, não teremos nunca, não importa nossa vontade...

Em alguns momentos de minha vida, entretanto, tive de decidir: o caminho certo, ou o caminho mais curto? Sucesso fácil, ou a luta garantida, mas sem garantir sucesso? Dinheiro ou honra?

Se eu disser que a decisão foi difícil, estarei mentindo. Nunca foi. Tenho meus valores escritos e assinados. Coisa de obcecado, não? Talvez. Mas de fato tenho. E me pauto por eles. O mais difícil, tenho de confessar, é ver a prosperidade que a falta de valores proporciona.

De que adianta tudo isto? De que vale essa filosofia de vida quando a vida em si não tem nada disto? Para quem fazemos isto? Quem se beneficia?

Se tivesse dúvidas a respeito disto, meuá valores seriam somente referências, nunca a rocha sólida onde apoiei minha vida. Essas coisas valem porque eu acredito nelas. Valem porque são minha escolha de vida. Valem porque espelham quem eu sou, não quem eu gostaria de ser, nem quem eu nunca serei...

Não conseguiria curtir uma vitória baseada em motivos errados. Não consigo comemorar senão pelos motivos determinados pela minha luta. E não consigo me imaginar subvertendo esses valores. Daí, muitas vezes me pergunto: vale a pena?

A dúvida é efêmera, fugaz. Dura um instante, é um flash, não resiste a um clarão de inteligência: sim, claro que vale a pena. Sento para conversar com minha filha, minha mãe, meus irmãos, e a conversa é baseada nisto: fizemos o que era preciso, e fizemos o que era certo. E, assim, construímos um cimento que alguns problemas podem vir a desafiar, mas que nenhum deles, nenhum, vai jamais ameaçar.

Sim, vale a pena!

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