sexta-feira, 11 de julho de 2008

Repertórios

A comunicação interpessoal sempre me fascinou. E procuro sempre prestar atenção aos processos de interação, sejam entre casais, seja entre outros familiares. Profissionalmente também, mas não é o caso aqui.

Dizem que filhos de alcoólatras têm mais chance de desenvolver o alcoolismo que outras pessoas. Também dizem que os filhos de pais agressivos têm mais tendência a agredir seis próprios filhos. Tratamos aqui dos processos de interação.

O alcoólatra utiliza a bebida como uma fuga. Há sempre um motivador, um gatilho. Mas é fuga. Seus filhos podem não saber do problema que causa a fuga, mas a entendem exatamente assim: uma forma de evitar o problema.

O agressor familiar também tem um gatilho, que pode ser uma dificuldade na vida profissional, ou uma falta de resposta emocional a qualquer necessidade. Por exemplo, faltam-lhe argumentos para convencer alguém (num plano mais sofisticado). É aí que ele apela à agressão, que tem como conseqüência fazer cessar as manifestações dos motivos de suas frustrações.

O filho do alcoólatra e o do agressor aprendem, desde cedo, como lidar com o problema: fogem dele (bebida), ou enfrentam aqueles que o evidenciam (violência, normalmente familiar). Por que o termo "aprendem"? Porque foi eficaz com eles (crianças).Encurralados, amedrontados, viam que o ébrio e o violento se faziam obedecer. E estabeleciam padrões de comportamento. A criança não vê senão uma ação que tem resultado, e por mais que rejeite a forma, apreendem o conteúdo.

É de se supor que, submetidos a pressão, as crianças, agora crescidas, utilizem as ferramentas que viram alcançar os objetivos de outrem: bebida e violência. Sim, é triste, mas é possível.

Aqueles que têm a felicidade de "aprender a aprender" não caem nessa armadilha. Vêem a ação, revoltam-se com ela, e procuram outras formas de responder à demanda psicológica. E, embora tenham sido vítimas, rejeitam fazer novas, e aplicam novas formas de interação. Outros não têm a mesma oportunidade, ou a mesma perseverança, ou a mesma decisão. Sim, é uma decisão. Uns decidem não impingir a ninguém o que lhes foi aplicado. Outros, por decisão ou omissão, decidem não se preocupar com isto. Falta de base emocional-afetiva, falta de alternativas, falta de repertório, pode-se escolher o que quiser para justificar. O fato é que a pessoa decide não se importar.

O padrão de relacionamento, então, é definido pelos exemplos que temos. Com crianças, nossa responsabilidade é maior. Ao longo da vida, as pessoas escolhem, dentre os padrões observados, aqueles que lhes pareçam mais próximos de seus credos, explícitos ou tácitos.E, uma vez escolhido o padrão, poucos são os que os avaliam para ver se a decisão é acertada.

A respeito disso, o vídeo abaixo, já do século passado, parece indicar que há verdade.



Experiência de Bandura



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