quinta-feira, 10 de julho de 2008

Quem somos, quem aparentamos ser

O processo de comunicação interpessoal, muitas vezes escondemos de nossos interlocutores algumas facetas de nossa personalidade. Ou achamos que sim, pois o contrário acontece: mostramos facetas que não sabíamos que estavam lá, mas as pessoas vêem e nós não.

Acho fascinante: pessoas vêem o que sabemos que somos e o que nem imaginamos ser; e elas não vêem um pedaço de nós que escondemos deliberadamente.

Há uma ferramenta chamada de janela de Johari (criada por Joseph Luft e Harrington Ingham) que nos permite "ver" o conceito.

A janela é composta de quatro quadrantes:

  • O eu aberto. É aquilo que sabemos que somos, e mostramos;
  • O eu Oculto.
    É aquilo que sabemos que somos, mas não mostramos;
  • O eu Cego. Mostramos, mas não sabemos que somos;
  • O eu desconhecido. Não sabemos que somos, não mostramos (portanto, ninguém mais sabe).

Pois bem, num ambiente de profunda confiança, esses quadrantes podem ser trabalhados de forma a aumentarmos o eu
aberto, diminuindo os demais (principalmente o oculto). Na comunicação interpessoal, é uma melhoria enorme, pois nos apresentamos com maior transparência, e ainda contamos com o feedback de outras pessoas, permitindo-nos conhecer o eu
cego. Ou seja, passamos a nos conhecer melhor.



Não é preciso dizer que a transparência aumenta a confiança e esta é fundamental no processo de comunicação. Da mesma forma, quando trabalhamos o feedback de maneira positiva, há crescimento pessoal do emissor e do receptor da mensagem, na medida em que a oferta de feedback se dá por canais com regras claras e nem sempre explícitas. São claras por exigirem intenção do emissor e do receptor no crescimento pessoal mútuo, e esta é uma mensagem que todos entendem.

É preciso frisar que é preciso haver confiança para que floresça esse cenário de crescimento pessoal. Normalmente escondemos aquilo que achamos que há de nos prejudicar. Para mostrá-lo, então, temos de acreditar que nossa interlocução não tenha esse interesse, ou seja, não existe o perigo.

Normalmente, somente relacionamentos maduros permitem esse tipo de interação. Mas há casos em que a maturidade se dá exatamente na utilização dessa abordagem, e é um processo lento e contínuo. Como um castelo de cartas, qualquer vacilo pode fazer com que tenhamos de iniciar o processo novamente.

Há tempos não tenho presencio esse tipo de interação. É rara, embora tenha a capacidade de resolver (ou mesmo evitar) grandes conflitos interpessoais. Não que eu seja contra esses conflitos, ao contrário, sou maquiavélico. Mas por achar que da crise nasce a luz. O cenário normal, entretanto, é o da lei da selva. Todos escondidos dos predadores.

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