domingo, 13 de julho de 2008

Polêmica boa

A prisão de Daniel Dantas, do Opportunity, está se transformando num dos episódios mais polêmicos dos últimos tempos. Uma das facetas da polêmica é o fato de a Rede Globo ter participado da operação.

Se lembrarmos dos últimos feitos da Pizzaria Brasil, comandada pelos grupos do poder, precisamos perguntar se é realmente ruim essa participação da maior rede de TV do país.

Num país onde o dicionário da Novilíngua orwelliana está sendo a cartilha do poder, será que a divulgação não garante justamente a visibilidade que é necessária para sustentar a ação? É preciso lembrar que a primeiras manifestações do governo foram em favor do acusado, contra a polícia federal.

É preciso lembrar o envolvimento do acusado com as teles que se fundiram contra a lei? E que essa fusão teve o aval do Palácio do Planalto? E que uma das teles tem envolvimento direto com o filho do Molusco Lá?

A visibilidade escancara a situação e coloca o quarto poder (ou o quinto, se considerarmos a Procuradoria) no centro da cena: a imprensa. Essa mesma imprensa, que é necessário que lembremos, que proporcionou a queda de Collor, com a famosa entrevista de Pedro Collor à Revista Veja, o que provocou uma reação em cadeia em que vários dos principais veículos de comunicação do Brasil apresentavam, dia-a-dia, novas denúncias com novas provas.

Seguir a linha "normal" poderia significar impunidade? Não se pode dizer que sim, mas de forma alguma se pode dizer que não. A tendência, dadas as relações do acusado com membros dos poderes, é que a ação não prosseguiria. Justifica-se, então, o espetáculo oferecido à mídia?

Nenhuma mentira resiste à luz do sol. E foi isto que vi no episódio. Num país em que o governo apóia fusões ilegais, eu faria a mesma coisa se estivesse investigando crimes como esse. O erro, na minha opinião, foi ter dado o privilégio à Globo, em vez de chamar mais veículos à cobertura. Pois há somente uma tênua linha que separa a história da ditadura com a história da Globo. A pergunta: e se não interessasse à Globo a divulgação? Seria mais um braço do Ministério da Verdade, outra entidade orwelliana.

Mas, é pena, esse debate está restrito aos meios de comunicação e aos centros de poder. Nós, quase proles (outra vez, Orwell), estamos mais preocupados com o teste do bafômetro, que nos toca mais diretamente.

Pão e circo, diziam os romanos!

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