quarta-feira, 9 de julho de 2008

Crise de confiança

O episódio do assassinato (o ocorrido só pode ser classificado como assassinato) do menino João Roberto Amorim, de apenas três anos, nos coloca em contato com o mais cruel dos nossos temores: a quebra da confiança.

Assim como no caso de Isabela Nardoni, aqueles que deveriam proteger são os que matam. A estupefação já existia, simplesmente ao sabermos do ocorrido. Ao assistirmos, no entanto, as cenas do ataque, chegamos à conclusão que aqueles policiais não estavam preocupados com a segurança de ninguém, senão com a própria.

Estão errados? Em primeira análise, não. Só conseguem nos defender se estiverem vivos, isto é um fato e um clichê. Mas análise mais profunda nos leva a concluir que é burra a abordagem. Se os "criminosos" na estavam atirando, por que os soldados atiraram? E, mesmo que os bandidos estivessem atirando, qual deveria ser a diretriz dos policiais? Garantir a segurança dos circunstantes, imagino.

Que confiança podemos ter em autoridades (pais, policiais e afins) que se deixam levar pelos momentos, pelos impulsos, pela falta de critérios? Numa cena explícita, concluíram que o carro do menino levava bandidos, e atiraram. Poderia acontecer comigo, com você, com todo mundo: julgados e condenados, transformamo-nos em alvos. Do tipo que não retorna fogo.

A que situação chegamos: quem deveria nos proteger pode, segundo seu próprio critério, segundo sua miopia, segundo suas fobias, nos ferir profundamente. Se for esse o preço pela vida em sociedade, acho que está demasiado alto.

O pai do garoto, aos brados, extravasou sua frustração. Nunca aliviará sua dor. A mãe, desesperada no carro "metralhado", sem ter a quem apelar, sem ter o que fazer, senão ter esperança, fez o que pode: gritou muito. O que não impediu a tragédia. Estamos impotentes, perante o mal que já se instalou. E, com relação aos nossos defensores, difícil saber se o mal os cooptou. Até o presente momento, os indícios são que sim.

Precisamos nos indignar com esse tipo de situação. Precisamos reagir, afugentar as más condutas, incentivar as boas condutas. Precisamos, como nunca, exigir, participar, agir. Precisamos retomar o controle. Ou tomar o controle, se considerarmos que nunca o tivemos de fato.

Luto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário