quarta-feira, 2 de julho de 2008

Credibilidade

Quando os Mamonas Assassinas morreram, minha filha não acreditou:

- Meu pai prometeu que ia me levar ao show e ele ainda não levou. Então, eles não podem ter morrido...

Tínhamos essa dinâmica. Eu perguntava:

- O papai mente?

E ela:

- Não, mas brinca...

Quando ela me perguntou, pouco antes dos cinco anos, se Papai Noel existia, claro que falei a verdade. E quase fui crucificado num jantar, logo em seguida, justamente de pedagogas, administradoras escolares e diretoras de escola. Corri sérios riscos...

Acredito que quando a pessoa pergunta quer saber a verdade. Esta pode ou não agradar, mas é ela que é esperada. E só posso oferecer a verdade.

Lutei muito em minha vida profissional por credibilidade. A ponto de, numa determinada fase de minha vida de tecnocrata, os convites para reuniões se dirigem nominalmente a mim, não mais ao meu departamento/divisão. Um dia, uma dessas pessoas me falou que o motivo era simples: eu não procurava enrolar, dizia o que era e pronto. E, num ambiente altamente inóspito, a verdade proporcionava aliados poderosos.

Não é fácil falar a verdade. Quer dizer, o ato em si é fácil, o difícil é suportar as conseqüências. Acho que é este tipo de pensamento que norteia a ação daquelas pessoas que escolhem o caminho da "não-verdade", digamos assim. Nada mais quimérico. Nada mais falso. Essa escolha parte do pressuposto que as pessoas são inocentes e tolas. E não considera o esforço necessário para manter uma "não-verdade". Mas a "não-verdade", para utilizar o exemplo de Thoureau, é como uma truta no leite. Ela é evidente demais, num momento, noutro, ou em todos, para permanecer escondida para sempre.

A "não-verdade" produz problemas de imediato ou ao longo do tempo, quando é descoberta. Mas o maior estrago é a destruição da credibilidade, que pode nunca mais se restabelecer. A verdade, ao contrário, pode produzir problemas imediatos, sempre. Mas há conseqüência positiva: evita a procrastinação, obriga a uma ação, estabelece o jogo com clareza.

Quando alguém acha que há inocentes prontos a acreditar em suas "não-verdades", acerta ao menos uma vez: há um inocente que acha que os outros são inocentes...

Enfim, em minha vida pessoal e na profissional fiz da verdade um dogma, uma regra. Pauto-me por ela, e não aceito trilhar outro caminho. Minha riqueza, hoje, foi conseguida graças a ela: credibilidade. Quem me conhece, não truca...

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